Bitcoin sustenta MSTR após prejuízo de US$ 8,22 bi

As ações da Strategy Inc. (MSTR) subiram 4,73% na quinta-feira e fecharam a US$ 97,74, mesmo após a empresa informar prejuízo líquido de US$ 8,22 bilhões no segundo trimestre. Na negociação estendida, depois da divulgação do balanço, o papel recuou 0,45%, para US$ 97,30. Ainda assim, o mercado reagiu de forma positiva, sobretudo porque a companhia ampliou suas reservas de capital e manteve o Bitcoin no centro de sua estratégia financeira.

Card de cotação das ações MSTR

Fonte: Knockout Stocks

Reservas em Bitcoin avançam mesmo com baixa contábil

Em 26 de julho de 2026, a Strategy detinha 843.775 Bitcoins. Esse volume representa crescimento de 25% desde o início do ano. Além disso, a empresa informou custo total de aquisição de US$ 63,69 bilhões, enquanto o valor de mercado dessa posição estava em US$ 54,77 bilhões. Como resultado, a companhia registrou uma perda não realizada relevante, já que o Bitcoin negociou abaixo do preço médio de compra no período.

No segundo trimestre, a Strategy reportou prejuízo líquido de US$ 8,22 bilhões. No mesmo intervalo do ano anterior, a empresa havia registrado lucro de US$ 10,02 bilhões. Ademais, a perda operacional atingiu US$ 8,33 bilhões, refletindo a desvalorização dos ativos digitais ao longo do trimestre. Além disso, os dividendos das ações preferenciais reduziram em US$ 400,7 milhões o resultado atribuível aos acionistas ordinários.

Ainda assim, a companhia destacou rendimento em Bitcoin de 4,5% e ganho de 29.997 Bitcoins ao longo de 2026. Considerando o preço de mercado do ativo em 27 de julho, a estimativa desse ganho chegou a US$ 1,95 bilhão. Ao mesmo tempo, a Strategy vendeu US$ 218,4 milhões em Bitcoin com o propósito de ajudar a financiar o pagamento de dividendos preferenciais.

Investidores priorizam liquidez e execução

A reação das ações sugere que investidores observaram mais do que o prejuízo contábil. Em outras palavras, o mercado avaliou a capacidade da Strategy de seguir captando recursos, administrar passivos e sustentar sua política financeira em um ambiente ainda pressionado para o Bitcoin. Por isso, mesmo com números pesados no resultado trimestral, a ação avançou no pregão regular.

Captação reforça o balanço da Strategy em 2026

Até 26 de julho de 2026, a Strategy havia levantado US$ 17,06 bilhões por meio de programas de oferta a mercado, conhecidos como ATM. Desse total, US$ 8,41 bilhões entraram no segundo trimestre. Além disso, outros US$ 1,28 bilhão foram captados depois desse período. Dessa forma, a empresa ampliou sua capacidade de financiamento mesmo diante de preços mais fracos para o Bitcoin e de perdas contábeis expressivas.

Em maio, a companhia recomprou US$ 1,50 bilhão em notas conversíveis por cerca de US$ 1,38 bilhão em caixa. Com efeito, a dívida conversível em aberto caiu de US$ 8,21 bilhões para US$ 6,71 bilhões. A operação saiu com desconto estimado de 8% em relação ao valor de face.

A Strategy também criou um programa de recompra de ações MSTR de US$ 1 bilhão, embora ainda não tenha executado compras nesse plano. No entanto, a administração indicou que poderá usar esse mecanismo quando entender que o papel negocia abaixo de seu valor intrínseco. Além disso, a empresa passou a divulgar novas métricas ligadas ao custo de crédito e ao volume líquido de Bitcoin por ação.

Reserva em dólar e STRC sustentam dividendos

A companhia elevou sua reserva em dólar para US$ 3,75 bilhões até 26 de julho. Esse montante cobre mais de 2,1 anos de dividendos preferenciais e pagamentos de juros, segundo a empresa. Assim, o colchão de liquidez reforça a estrutura de crédito da Strategy enquanto o Bitcoin permanece abaixo do custo médio de aquisição.

Ao longo de 2026, a empresa levantou US$ 7,53 bilhões por meio de emissões de STRC, o que representou crescimento de 254%. Além disso, a Strategy elevou a taxa de dividendo da STRC para 12%, com a finalidade de sustentar a negociação do papel perto de US$ 100. A administração afirmou ainda que pretende realizar recompras regulares, desde que a STRC permaneça abaixo de seu valor declarado.

Entre 20 e 26 de julho, a companhia recomprou 288.930 ações STRC por US$ 25 milhões. Essas aquisições correspondiam a US$ 28,9 milhões em valor declarado, com preço médio de US$ 86,53 por ação. Mesmo após esse movimento, a Strategy ainda mantinha cerca de US$ 975 milhões disponíveis em seu programa de títulos de crédito digital.

Ao fim do período, a empresa reunia 843.775 Bitcoins, custo de aquisição de US$ 63,69 bilhões, valor de mercado de US$ 54,77 bilhões, reserva em dólar de US$ 3,75 bilhões e captação acumulada de US$ 17,06 bilhões em 2026. Embora o prejuízo líquido de US$ 8,22 bilhões tenha pressionado o trimestre, as ações MSTR avançaram porque investidores seguiram atentos à liquidez, à alocação em Bitcoin e à capacidade de financiamento da Strategy.