Copa do Mundo moveu US$ 20 bi em mercados preditivos

Copa do Mundo de 2026 movimentou mais de US$ 20 bilhões em mercados de previsões com blockchain, segundo análise da Chainalysis

A Copa do Mundo de 2026 não bateu recordes apenas dentro de campo. Fora dele, a competição impulsionou um novo segmento da economia digital. Segundo um estudo da Chainalysis, os mercados preditivos baseados em blockchain movimentaram mais de US$ 20 bilhões desde janeiro deste ano, enquanto os colecionáveis digitais (NFTs) oficiais da FIFA somaram outros US$ 24 milhões em negociações.

Os números mostram como a tecnologia blockchain vem ampliando sua presença em grandes eventos globais. Além disso, reforçam a necessidade de ferramentas capazes de rastrear ativos digitais e identificar movimentações suspeitas em um ecossistema que cresce rapidamente.

Mercados preditivos superaram até as eleições dos EUA

Embora muita gente ainda confunda os dois modelos, mercados preditivos não funcionam exatamente como casas de apostas tradicionais. Neles, os participantes negociam contratos digitais cujo valor varia conforme a probabilidade de determinado evento acontecer. Quando o resultado é conhecido, esses contratos são liquidados automaticamente.

Na prática, o sistema permite que milhares de pessoas expressem expectativas sobre acontecimentos futuros utilizando ativos digitais registrados em blockchain.

Durante a Copa do Mundo, os usuários fizeram previsões sobre os resultados das partidas, classificação das seleções e até acontecimentos específicos envolvendo jogadores. Um dos mercados mais comentados, por exemplo, perguntava se o atacante português Cristiano Ronaldo choraria caso Portugal fosse eliminado do torneio. O episódio acabou acontecendo e o mercado foi encerrado automaticamente após a confirmação do resultado.

Segundo a Chainalysis, aproximadamente 400 mil carteiras digitais participaram dessas negociações. Apenas durante a realização da Copa, o volume chegou a US$ 5,7 bilhões. Considerando todo o período analisado, iniciado ainda nas eliminatórias, a movimentação ultrapassou US$ 20 bilhões.

O dado chama ainda mais atenção quando comparado a outros grandes acontecimentos recentes. O volume negociado durante a Copa superou com ampla margem os US$ 3,6 bilhões registrados nos mercados preditivos relacionados às eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2024. Além disso, ficou muito acima do observado em eventos como o Super Bowl 60 e o tradicional torneio universitário de basquete March Madness, ambos na casa de US$ 1 bilhão.

Como funcionam os mercados preditivos na blockchain

Outro destaque do levantamento é a concentração da atividade durante o torneio. Conforme a competição avançava, os mercados relacionados à Copa chegaram a representar cerca de 63% de todo o volume negociado nas principais plataformas globais de prediction markets.

Grande parte dessas operações ocorreu em plataformas construídas sobre blockchain. A Polymarket, atualmente líder desse segmento, utiliza a stablecoin USDC para registrar e liquidar as operações. Esse modelo permite que as transações sejam executadas praticamente em tempo real, sem depender da infraestrutura bancária tradicional.

Blockchain amplia alcance global das previsões

A pesquisa também mostra que o fenômeno teve alcance internacional. Utilizando técnicas próprias de análise on-chain, a Chainalysis identificou participantes distribuídos por praticamente todos os continentes.

Os maiores volumes vieram dos Estados Unidos e da China. Em seguida aparecem Canadá, Tailândia e Reino Unido. Segundo a empresa, essa distribuição demonstra que os mercados preditivos já deixaram de ser um nicho restrito ao universo das criptomoedas e passaram a atrair um público cada vez mais amplo.

Entretanto, o crescimento também aumenta os desafios relacionados ao monitoramento das operações. Como toda movimentação ocorre em blockchain, empresas especializadas conseguem rastrear a origem dos recursos e identificar conexões entre diferentes carteiras digitais.

Blockchain amplia alcance dos mercados de previsão

A liderança da Polymarket também ajuda a explicar esse crescimento. A plataforma opera sobre blockchain e utiliza a stablecoin USDC para registrar e liquidar contratos. Assim, a tecnologia ganhou visibilidade entre usuários que talvez nunca tivessem utilizado ativos digitais antes.

Além disso, o funcionamento dos mercados preditivos difere das apostas esportivas tradicionais. Em vez de apostar contra uma casa de apostas, os participantes negociam contratos vinculados à probabilidade de um evento ocorrer. Quando o resultado se confirma, a plataforma liquida automaticamente os contratos.

Por isso, especialistas apontam que esses mercados também servem como indicadores coletivos de expectativa. Eles reúnem milhares de participantes e ajustam os preços em tempo real conforme novas informações surgem.

Durante a Copa, os usuários criaram mercados para diferentes situações. Além de prever o campeão, eles negociaram probabilidades relacionadas ao desempenho das seleções, estatísticas das partidas e até acontecimentos curiosos envolvendo jogadores. Segundo o relatório, esse conjunto de previsões respondeu por cerca de 63% de todo o volume movimentado nas principais plataformas globais durante o torneio.

A pesquisa também comparou a Copa do Mundo com outros grandes eventos recentes. Para efeito de comparação, a eleição presidencial dos Estados Unidos, realizada em 2024, movimentou aproximadamente US$ 3,6 bilhões em mercados de previsão. Já o Super Bowl 60 e o torneio universitário March Madness ultrapassaram a marca de US$ 1 bilhão cada. Mesmo assim, nenhum deles se aproximou dos US$ 20 bilhões registrados durante o ciclo completo da Copa.

Na prática, essa comparação ajuda a dimensionar o tamanho do fenômeno. Enquanto eleições e grandes finais costumam atrair enorme atenção pública, a Copa do Mundo conseguiu reunir um interesse muito maior e manteve esse engajamento por vários meses.

NFTs e rastreamento reforçam segurança no ecossistema

Além dos mercados preditivos, a pesquisa destacou o desempenho do FIFA Collect, plataforma oficial de NFTs construída sobre a blockchain Avalanche. Mais de 100 mil torcedores utilizaram os colecionáveis digitais para obter prioridade na compra de ingressos para as partidas.

Ao todo, o ecossistema movimentou aproximadamente US$ 24 milhões desde maio de 2025. Desse total, cerca de US$ 6 milhões vieram das negociações realizadas entre os próprios usuários no mercado secundário.

O estudo identificou perfis bastante distintos entre os participantes. Enquanto alguns buscaram apenas itens colecionáveis, outros negociaram os ativos como investimento. Além disso, muitos usuários adquiriram os NFTs exclusivamente para garantir acesso aos ingressos.

Outro dado chamou a atenção dos pesquisadores. Diferentemente dos mercados preditivos, o FIFA Collect apresentou exposição praticamente inexistente a recursos ligados a atividades ilícitas.

Segundo a Chainalysis, esse resultado decorre dos procedimentos rigorosos de identificação adotados pela plataforma. Os usuários precisavam cumprir exigências de KYC (Know Your Customer), comprovar a origem dos recursos e passar por verificações adicionais antes de concluir determinadas operações.

Consequentemente, o estudo reforça que mecanismos robustos de identificação podem reduzir significativamente os riscos de utilização indevida da tecnologia blockchain.

Para a empresa, esse cenário evidencia outro ponto importante. À medida que aplicações baseadas em blockchain conquistam espaço em grandes eventos internacionais, cresce também a necessidade de ferramentas capazes de rastrear ativos digitais em tempo real.

Nesse contexto, soluções de análise blockchain ajudam empresas, reguladores e investigadores a acompanhar a origem dos recursos, identificar movimentações suspeitas e fortalecer a transparência do ecossistema sem comprometer as aplicações legítimas da tecnologia.

A tendência, portanto, aponta para uma expansão dessas ferramentas nos próximos anos. Se o uso de blockchain continuar avançando em eventos esportivos, entretenimento e serviços financeiros, tecnologias de monitoramento e análise deverão ganhar importância proporcional para acompanhar a evolução desse mercado.