Tokenização de ativos: o grande salto financeiro para as empresas latino-americanas

A América Latina vive um momento decisivo para o futuro do seu mercado financeiro. Por décadas, o enorme potencial econômico da região esbarrou em obstáculos estruturais dos mercados de capitais tradicionais, do acesso restrito à liquidez para o crescimento aos altos custos de financiamento, que chegam a taxas médias de 17% e freiam a expansão dos negócios. Com um setor bancário concentrado e tarifas elevadas, muitas empresas da região acabaram adotando estratégias de tesouraria defensivas, em vez de investir de forma mais agressiva no crescimento.

A tokenização de ativos vem se consolidando como uma resposta eficaz a esses desafios. Transformando ativos do mundo real, como imóveis, infraestrutura energética, dívida corporativa, participações societárias e fluxos futuros de receita, em tokens digitais registrados em blockchain, essa tecnologia conecta ativos locais diretamente aos fluxos de capital global. Isso permite às empresas destravar valor que antes ficava parado, reduzir os custos de captação e ampliar o acesso à liquidez institucional internacional.

Essa transformação é retratada no levantamento mais recente da Bitfinex Securities, plataforma regulada para emissão e negociação de valores mobiliários tokenizados e subsidiária da Bitfinex, uma das corretoras de ativos digitais mais antigas do mercado. De acordo com o Relatório de Inclusão Financeira para a América Latina, a tokenização já opera na prática, ampliando a inclusão financeira, simplificando a captação de recursos e impulsionando o desenvolvimento econômico em toda a região.

Uma infraestrutura de menos atrito e mais eficiência

Fabián Delgado, gerente de desenvolvimento de negócios para a Colômbia e América Latina na Bitfinex, afirma: “A tokenização representa a maior mudança nos mercados de capitais desde o surgimento da linha de produção. Vai muito além de uma inovação tecnológica: trata-se de uma nova infraestrutura financeira, capaz de superar as barreiras que historicamente excluíram pequenos investidores e sobrecarregaram emissores com custos desproporcionais.”

Ao digitalizar a emissão, o registro e a negociação de ativos, essa tecnologia traz três vantagens importantes para o crescimento das empresas da região.

  • O que levava meses agora é resolvido em minutos: a due diligence legal e a análise regulatória continuam sendo etapas essenciais, mas a tokenização digitaliza e automatiza a execução e a liquidação das operações. Processos que normalmente exigem vários intermediários e conciliação manual, como gestão de registros e transferências, passam a levar minutos em vez de meses.

 

  • Redução expressiva de custos: captações tradicionais entre US$ 30 milhões e US$ 50 milhões na região costumam ter taxas totais próximas de 7%. Com valores mobiliários tokenizados, essas taxas caem para uma faixa de 2% a 4%, calculadas por sucesso, o que amplia o acesso ao capital para empresas de médio porte.

 

  • Mobilização de ativos produtivos: em setores intensivos em capital, como energia, agronegócio e mineração, a tokenização permite que empresas mobilizem recursos no curto prazo a partir de direitos sobre receitas futuras. Assim, a economia real consegue atrair investimento estrangeiro sem depender de uma reformulação completa do sistema bancário tradicional.

Panorama regional: quem já está tokenizando

Empresas e instituições em toda a América Latina já mostram, na prática, os benefícios concretos da tokenização.

  • Brasil, eficiência em meio à complexidade: o Brasil tem a infraestrutura financeira mais avançada da região, mas suas empresas enfrentam um cenário tributário e regulatório complexo. A tokenização ajuda a superar essa complexidade automatizando verificações de conformidade e processos operacionais por meio da tecnologia de registro distribuído (DLT). Movimentos como a integração de estratégias de ativos digitais pela Méliuz mostram como estruturas financeiras modernas podem operar dentro dos padrões de governança já consolidados no país.

 

  • Argentina, superando inflação e fragmentação: marcado por ciclos econômicos de curto prazo, o mercado corporativo argentino sempre teve dificuldade em oferecer instrumentos de financiamento de longo prazo. A tokenização surge como um caminho estratégico. As regras estabelecidas pela CNV para ativos do mundo real (RWAs) permitem a tokenização de fundos fiduciários e fundos mútuos. Veículos como a Zonda Bitcoin Capital oferecem exposição regulada e transparente a ativos globais, ajudando empresas locais a reduzir o risco soberano e atrair liquidez internacional.

 

  • Colômbia, democratizando o acesso ao capital: com menos de 2% da população participando do mercado de ações tradicional, em razão das altas taxas de intermediação e da falta de transparência, a Colômbia enfrenta um desafio claro de inclusão financeira. A tokenização ajuda a reduzir essas barreiras ao viabilizar a fração de ativos, tornando o investimento acessível a partir de valores bem menores. Iniciativas institucionais, como o fundo com exposição a ativos digitais lançado pela Protección, mostram que as estruturas tokenizadas já fazem parte do sistema financeiro do país.

 

  • El Salvador, um modelo de segurança jurídica: El Salvador criou um marco regulatório pioneiro com sua Lei de Emissão de Ativos Digitais (LEAD). Com prazos claros e previsíveis, que exigem decisões regulatórias em até 20 dias úteis, o país permite que plataformas como a Bitfinex Securities emitam instrumentos tokenizados, incluindo títulos do Tesouro americano tokenizados. O exemplo mostra como um marco legal bem definido oferece a empresas de todos os portes um caminho seguro e ágil até o capital global.

Os casos observados em toda a América Latina mostram que a tokenização já é uma vantagem competitiva para a captação de recursos e gestão de tesouraria.

Para líderes empresariais na região, é a oportunidade para liberar valor de ativos que hoje ficam parados no balanço, usando bens reais e fluxos de caixa futuros para captar recursos diretamente nos mercados globais; otimizar custos de tesouraria e de capital, substituindo estruturas tradicionais de subscrição, com taxas altas, por emissões tokenizadas mais enxutas e baseadas em resultado; e ampliar a base de investidores para além das fronteiras domésticas, conectando-se a capital institucional e de varejo internacional por meio de plataformas digitais reguladas.

*Comunicado de imprensa