Strategy mantém dividendo da STRC em 12% em agosto
A Strategy manteve em 12% a taxa anualizada de dividendos da ação preferencial STRC para agosto de 2026, mesmo após o papel listado na Nasdaq encerrar julho mais de 10% abaixo do valor declarado de US$ 100.
A página oficial de informações da STRC confirma que a taxa anualizada variável para datas de registro em agosto segue em 12%. Em 1º de agosto, o presidente executivo Michael Saylor apresentou o produto como uma forma de “estender sua renda” e destacou o cronograma de pagamentos duas vezes por mês.
A STRC fechou em US$ 89,46 em 31 de julho, com queda de US$ 0,25 no pregão. Nesse preço, o pagamento anualizado de US$ 12, baseado no valor declarado de US$ 100 por ação, gera rendimento efetivo de cerca de 13,41%.
Política de dividendos deixou de subir automaticamente
A Strategy elevou o dividendo anual da STRC de 11,5% para 12% nas datas de registro a partir de julho. O aumento veio após a forte queda de junho, quando as ações chegaram a US$ 71,25 e ficaram bem abaixo do nível de US$ 100 que a empresa tenta preservar.
Entretanto, a companhia alterou sua política de definição da taxa em 29 de junho. Pelo modelo revisado, a administração passou a considerar o preço de mercado da STRC, spreads de crédito, rendimentos concorrentes, volatilidade do Bitcoin, cobertura da reserva em caixa e a estrutura de capital mais ampla.
O documento afirma de forma específica que a Strategy não necessariamente elevará o dividendo apenas porque a STRC negocia abaixo do valor declarado. Por isso, o desconto observado em julho não gerou outro aumento de 50 pontos-base.
Em vez disso, a Strategy informou durante os resultados do segundo trimestre que manteria a taxa de 12% até que a STRC mostrasse negociação “sustentada e saudável” perto de US$ 100. Essa formulação descreve o objetivo da gestão e não garante retorno ao valor de paridade.
Além disso, a decisão evita novo avanço das obrigações de caixa enquanto a empresa tenta recuperar a demanda por outros meios. Cada acréscimo de 50 pontos-base elevaria o custo anual em caixa sobre mais de US$ 10,46 bilhões em valor declarado de STRC em circulação.
Recompras ganharam mais peso no suporte ao preço
A Strategy transferiu parte da sua resposta dos aumentos de dividendos para a recompra de ações preferenciais. Entre 20 e 26 de julho, a companhia recomprou 288.930 ações STRC por aproximadamente US$ 25 milhões, pagando em média US$ 86,53 por papel.
A compra representou desconto de 13,47% em relação ao valor declarado das ações. Cerca de US$ 975 milhões seguem disponíveis dentro da autorização de US$ 1 bilhão para recompra de títulos preferenciais.
A administração afirmou que pretende comprar mais STRC em descontos mais profundos e reduzir a atividade à medida que o papel se aproxime de US$ 100. Ainda assim, a autorização não obriga a Strategy a gastar o valor restante e não possui prazo fixo de vencimento.
Recomprar ações abaixo do valor de paridade reduz a quantidade de papéis preferenciais que exigirão distribuições futuras em caixa. Da mesma forma, permite à Strategy retirar US$ 100 de valor declarado gastando menos de US$ 100.
Por outro lado, essas recompras consomem capital que poderia seguir disponível para dividendos, juros da dívida ou compras de Bitcoin. Como já havia sido informado anteriormente, a Strategy financiou sua primeira recompra de STRC de US$ 25 milhões enquanto elevava sua reserva em dólares e mantinha pausadas as compras de Bitcoin.
Reserva em dólares cobre dividendos e juros
A empresa levantou boa parte dessa liquidez por meio da venda de ações ordinárias MSTR, e não por nova emissão de STRC. Além disso, a Strategy reportou uma reserva de US$ 3,75 bilhões em dólares em 26 de julho.
Segundo a companhia, esse montante cobre aproximadamente 2,1 anos de dividendos esperados das ações preferenciais e de juros da dívida em aberto. A reserva só pode ser usada para essas obrigações, salvo aprovação do conselho para outra finalidade.
Esse colchão de caixa ganhou importância porque os compromissos com ações preferenciais cresceram. A empresa registrou US$ 400,7 milhões em dividendos preferenciais no segundo trimestre, ante US$ 49,1 milhões um ano antes.
Ao todo, a companhia já pagou ou declarou mais de US$ 1 bilhão em distribuições preferenciais acumuladas. A Strategy também informou prejuízo líquido de US$ 8,22 bilhões no segundo trimestre, puxado principalmente por perda não realizada de US$ 8,32 bilhões sobre suas participações em Bitcoin.
Essa perda contábil não representou saída equivalente de caixa, mas os dividendos preferenciais precisam ser pagos em dólares. Por consequência, a companhia autorizou vendas de Bitcoin para recompor a reserva, cobrir dividendos e juros, ou financiar recompras de títulos aprovadas.
Até 26 de julho de 2026, a Strategy havia vendido aproximadamente US$ 218,4 milhões em Bitcoin para custear parte de suas obrigações preferenciais. Em 26 de julho, a empresa detinha 843.775 BTC a um custo médio de aquisição de cerca de US$ 75.476.
A companhia avaliou essa posição em US$ 54,77 bilhões com base no preço de mercado do Bitcoin em 27 de julho, ante um custo original de US$ 63,69 bilhões.
Pagamentos agora ocorrem duas vezes por mês
A STRC passou de distribuições mensais para semimensais depois que os acionistas aprovaram a mudança em junho. As datas de registro agora caem no dia 15 e no último dia de cada mês, com pagamentos geralmente cerca de 15 dias depois.
A Strategy já declarou um pagamento de US$ 0,50 por ação para 15 de agosto aos investidores registrados como acionistas em 31 de julho. O site da empresa mostra a taxa de 12% para as datas de registro de agosto, mas futuras distribuições em caixa ainda dependem de aprovação do conselho ou de comitê e não são garantidas.
Para fins de imposto federal nos Estados Unidos, a Strategy espera que os pagamentos atuais sejam tratados como retorno de capital até o limite da base fiscal do investidor. Essa é a expectativa da empresa, e não uma garantia de tratamento para cada acionista.
Por isso, a Strategy orienta investidores a buscarem aconselhamento tributário conforme suas próprias circunstâncias. A STRC também é sem garantia real.
A Strategy afirma que seus títulos preferenciais não são lastreados por suas reservas de Bitcoin e possuem apenas um direito preferencial sobre os ativos residuais da companhia. Além disso, a empresa alerta que a STRC não é depósito bancário, não possui seguro do FDIC e não oferece as mesmas proteções de títulos do Tesouro ou fundos do mercado monetário.
Próximos pontos de atenção
O diretor-presidente Phong Le afirmou que o objetivo da administração é fazer a STRC negociar entre US$ 99 e US$ 100 “ao longo do tempo”. No entanto, a Strategy não definiu prazo para alcançar essa faixa, e o fechamento em US$ 89,46 mostra que o mercado ainda exige rendimento acima da taxa declarada de 12%.
O próximo evento confirmado é a distribuição de 15 de agosto. Depois disso, investidores observarão a próxima decisão mensal de taxa da Strategy, novas recompras de STRC e divulgações semanais à SEC sobre vendas de ações ordinárias, transações com Bitcoin e mudanças na reserva em dólares.
Saylor publicou separadamente no X a mensagem “Bitcoin Drive ativado” em 2 de agosto, junto do gráfico de tesouraria da empresa.
“Bitcoin Drive ativado.”
Michael Saylor, no X
A mensagem pode alimentar expectativas de uma nova divulgação de compra, mas não confirma que a Strategy comprou Bitcoin nem que encerrou sua pausa recente. Para verificar qualquer transação, seria necessário um documento enviado à SEC ou um anúncio da empresa.
Por enquanto, a Strategy segue apoiando a STRC com a taxa de 12%, pagamentos duas vezes por mês, reserva em caixa e recompras com desconto, em vez de oferecer novo aumento de dividendo aos investidores.