Bitcoin: Strategy vende 1.638 BTC por US$ 104,7 mi

A Strategy vendeu 1.638 Bitcoin por cerca de US$ 104,7 milhões na semana passada, segundo um formulário 8-K apresentado na segunda-feira à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC). A empresa informou que se desfez dos ativos entre 27 de julho e 2 de agosto, a um preço médio de US$ 63.957 por unidade.

Com a operação, a companhia reduziu sua posição total para 842.138 BTC, avaliados em aproximadamente US$ 52,6 bilhões. Esses Bitcoins foram adquiridos a um preço médio de US$ 75.419 por unidade, para um custo acumulado próximo de US$ 63,5 bilhões, incluindo comissões e despesas, segundo o cofundador e presidente executivo Michael Saylor.

Michael Saylor, no X

Os recursos obtidos foram destinados ao pagamento de distribuições sobre ações preferenciais e à recompra de papéis STRC. Assim, a medida segue o novo arcabouço financeiro que a empresa vem implementando nas últimas semanas.

Venda de Bitcoin reforça nova estrutura financeira

A venda não foi um caso isolado. Sob seu Digital Credit Capital Framework, a Strategy restringiu sua reserva em dólares ao pagamento de dividendos preferenciais e juros. Além disso, autorizou um programa de recompra de US$ 1 bilhão para seus títulos de crédito digital, com prioridade para STRC.

Ao mesmo tempo, a empresa ampliou seu Programa de Monetização de Bitcoin para permitir vendas de até US$ 5 bilhões. Dessa forma, a companhia pretende sustentar essa estrutura financeira.

No domingo, a empresa de análise on-chain Lookonchain detectou a movimentação de 299,8 BTC, cerca de US$ 18,9 milhões, a partir de uma carteira vinculada à Strategy. Esse padrão já havia antecipado a venda anunciada no começo de julho.

No mesmo dia, Saylor publicou no X seu gráfico habitual de acompanhamento com a legenda “Bitcoin Drive engaged”. No passado, essa mensagem costumava anteceder compras. Agora, porém, ela acompanha uma mudança na operação da companhia.

Reserva em dólar sobe para US$ 4 bilhões

A Strategy também vendeu 3.011.361 ações MSTR por aproximadamente US$ 290,6 milhões no mesmo período. Com essa receita, a empresa elevou sua reserva em dólares em US$ 250 milhões, até US$ 4 bilhões, recomprou US$ 28,9 milhões em STRC e adicionou o restante ao caixa.

As reservas de Bitcoin da Strategy ainda representam cerca de 4% do limite de 21 milhões de unidades da rede. Ainda assim, carregam aproximadamente US$ 10,9 bilhões em perdas não realizadas aos preços atuais.

Essa pressão já apareceu nos resultados da companhia. No segundo trimestre, a empresa reportou prejuízo de US$ 8,2 bilhões, ante lucro líquido de US$ 10 bilhões registrado um ano antes. Segundo o texto, a virada foi atribuída quase totalmente a perdas contábeis sobre seu BTC.

Mercado reage com cautela

Após a divulgação do 8-K, o Bitcoin recuou levemente para a faixa de US$ 62.400. Enquanto isso, as ações da MSTR caíam 1,7% nas negociações de pré-abertura. O papel havia encerrado a sexta-feira a US$ 93,28, cerca de 80% abaixo de sua máxima de 2025.

Os analistas seguem cautelosos. TD Cowen e Benchmark reiteraram recomendação de compra após a publicação dos resultados. Ambas concordam que devolver a ação preferencial STRC ao seu valor de face é hoje o principal objetivo da gestão.

No entanto, as casas divergem no preço-alvo. A Benchmark cortou sua projeção para US$ 435, ante US$ 570, enquanto a TD Cowen manteve a estimativa em US$ 260. Em resumo, a venda de Bitcoin reforça a mudança na estratégia financeira da empresa, ao mesmo tempo em que expõe o peso das perdas não realizadas e a cautela do mercado.