OFAC sanciona Shelbit e Aban Tether por fundos do Irã

A OFAC, agência do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, sancionou as exchanges iranianas Shelbit e Aban Tether. A medida também alcançou o cidadão iraniano Siavash Kayvanpour e empresas associadas a ele.

De acordo com as autoridades americanas, as plataformas ajudaram o Irã a contornar restrições financeiras. Elas também teriam movimentado recursos ligados ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, conhecido pela sigla IRGC.

Com isso, a OFAC bloqueia propriedades e interesses das partes designadas quando esses bens entram na jurisdição americana. As sanções constituem medidas administrativas, não condenações criminais.

Tesouro amplia sanções contra rede financeira iraniana

Em 7 de agosto de 2026, o Departamento do Tesouro anunciou as novas sanções. A ação integra a estratégia de Washington para restringir o acesso do Irã aos mercados financeiros internacionais.

Segundo a OFAC, Shelbit e Aban Tether facilitaram transações ilícitas com criptomoedas e operações para evasão de sanções. A agência afirma que o governo iraniano recorreu a exchanges com pouca ou nenhuma supervisão regulatória.

Além disso, as plataformas teriam movimentado recursos por meio de redes empresariais e de uma operação de jogos de azar online. A ação alcançou companhias relacionadas a Kayvanpour na Geórgia, Polônia e nos Emirados Árabes Unidos.

Conforme a acusação, Kayvanpour operava uma rede de empresas de fachada vinculada à Shelbit. Endereços ligados ao IRGC enviaram mais de US$ 1 milhão em criptomoedas para endereços da exchange.

Por sua vez, carteiras vinculadas à Shelbit transferiram mais de US$ 2 milhões para endereços controlados pelo IRGC, segundo o Tesouro. Carteiras controladas por Kayvanpour também enviaram mais de US$ 2 milhões para a Nobitex.

“Seja em dólares, riais ou criptomoedas, o Tesouro rastreará e desmontará as redes financeiras ilícitas que mantêm o regime em funcionamento.”

Scott Bessent, secretário do Tesouro dos Estados Unidos, fez a declaração ao comentar as designações.

Aban Tether teria processado recursos de exchanges sancionadas

Separadamente, a OFAC acusou a Aban Tether de processar milhões de dólares em transações envolvendo entidades sancionadas pelos Estados Unidos. A exchange mantém sua sede no Irã.

Entre essas entidades estão Nobitex, Wallex, Bitpin e Ramzinex. Em junho, o Tesouro sancionou as quatro exchanges iranianas.

Na ocasião, as autoridades afirmaram que as plataformas ajudaram entidades restritas a acessar os mercados de ativos digitais. A Chainalysis estima que a Nobitex concentra aproximadamente metade das negociações de criptomoedas no Irã.

Entretanto, a Nobitex negou qualquer relação direta ou acordo contratual com o IRGC, o banco central iraniano ou outros órgãos governamentais.

Já a Shelbit rejeitou as alegações de participação consciente em lavagem de dinheiro, financiamento ao terrorismo ou evasão de sanções. Sua antiga administração afirmou que a empresa parou de aceitar novos negócios em dezembro de 2025.

Depois disso, a companhia concluiu o encerramento das contas de seus clientes em janeiro. Apesar das contestações, as restrições americanas permanecem aplicáveis às partes designadas.

Estados Unidos pressionam fluxos financeiros do Irã

Em paralelo, os Estados Unidos ampliaram sua campanha contra exchanges, carteiras e empresas acusadas de ajudar o Irã a contornar restrições. A ofensiva ocorre durante o conflito militar do país com Washington.

Em julho, autoridades americanas congelaram US$ 131 milhões em criptomoedas ligadas ao Irã. Os recursos estavam em carteiras conectadas ao banco central iraniano.

Antes disso, em abril, a Tether congelou cerca de US$ 344 milhões em USDT distribuídos entre dois endereços da rede Tron. As autoridades associaram esses endereços a redes iranianas.

Até então, Bessent havia informado que os Estados Unidos apreenderam ou congelaram quase US$ 1 bilhão em criptomoedas. O montante estava conectado a exchanges e carteiras iranianas desde o começo do conflito.

Empresas precisam atualizar controles de conformidade

Além do volume financeiro, a medida destaca o papel das stablecoins centralizadas na fiscalização. Seus emissores conseguem bloquear transferências envolvendo endereços designados pelas autoridades.

Em contraste, transações com redes descentralizadas geralmente exigem o controle das chaves privadas. Essa diferença não impede, contudo, que autoridades monitorem endereços e movimentações.

Como parte da ação, a OFAC publicou endereços de Bitcoin, Ethereum, Tron e Solana. Empresas do setor precisarão adicionar esses identificadores aos seus sistemas de triagem.

Com isso, pessoas e companhias americanas não podem fornecer recursos, serviços ou benefícios econômicos aos alvos das sanções. A proibição também abrange operações feitas de forma direta ou indireta.

Da mesma forma, empresas controladas em pelo menos 50% por uma ou mais partes bloqueadas entram na medida. Essa regra vale mesmo sem uma designação específica.

Nesse cenário, exchanges estrangeiras, emissores de stablecoins e provedores de pagamento também enfrentam riscos. Eles podem receber sanções secundárias caso processem conscientemente determinadas transações envolvendo os designados.