Ouro mira US$ 5 mil com UBS e dados dos EUA

O ouro subiu 2,3% na sexta-feira e fechou cotado a US$ 4.340,70 por onça. Esse foi o maior fechamento do metal desde 17 de junho.

O movimento ganhou força após um relatório fraco sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos. Os números reduziram as expectativas de aumento dos juros pelo Federal Reserve.

Dados de emprego impulsionam o ouro

O Bureau of Labor Statistics informou que a economia dos Estados Unidos perdeu 23 mil empregos em julho. O consenso do mercado esperava a criação de 85 mil vagas.

Além disso, o órgão revisou para baixo os resultados dos meses anteriores. Em junho, a criação de empregos caiu de uma estimativa inicial de 57 mil para 20 mil postos.

Já o resultado de maio passou de 129 mil para 63 mil vagas. Com isso, os operadores ajustaram rapidamente suas projeções para a política monetária americana.

De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, a probabilidade de aumento dos juros em setembro caiu de 57% para 42%. A mudança ocorreu logo após a divulgação do relatório.

Gráfico dos contratos futuros de ouro para dezembro de 2026
Contratos futuros de ouro para dezembro de 2026

UBS projeta US$ 5 mil por onça em 2027

Ulrike Hoffmann-Burchardi, diretora de investimentos da UBS, afirmou em nota que a valorização do ouro possui sustentação. A equipe do banco prevê uma cotação de US$ 5 mil por onça no primeiro semestre de 2027.

A UBS também espera uma moderação gradual da inflação. Dessa forma, o Federal Reserve poderia manter os juros estáveis em 2026 antes de iniciar cortes em 2027.

Na avaliação do banco, expectativas menores para os juros reduziriam os rendimentos reais dos títulos. O cenário também pressionaria o dólar americano e ampliaria a demanda de investimento pelo metal.

Por outro lado, a UBS avalia que eventuais recuos para perto de US$ 4 mil podem criar oportunidades de longo prazo. Investidores poderiam usar essas quedas para montar posições no metal.

Entre os riscos de curto prazo, o banco cita uma alta do petróleo e uma trajetória mais agressiva para os juros. Esses cenários poderiam tornar os títulos mais atraentes e pressionar o ouro.

Bancos centrais reforçam a demanda

As compras realizadas por bancos centrais continuam oferecendo suporte ao mercado. O Banco Popular da China, conhecido como PBOC, acumula 21 meses consecutivos de aquisições de ouro.

Em julho, o PBOC adquiriu 20 toneladas, conforme dados do World Gold Council. Esse foi o maior aumento mensal desde outubro de 2023.

Ao mesmo tempo, investidores chineses elevaram sua exposição ao metal. Os fluxos para fundos negociados em bolsa também contribuíram para a valorização recente.

A prata acompanhou o movimento na sexta-feira. O metal avançou 3,1%, para US$ 63,33 por onça, e registrou o melhor fechamento desde 22 de junho.

Inflação e petróleo entram no radar

Na semana, o ouro acumulou alta de 7,2%. Foi o melhor desempenho semanal desde o período encerrado em 23 de janeiro.

Por sua vez, a prata saltou 10% e registrou sua melhor semana desde o fim de fevereiro. Apesar da recuperação, o ouro permanece praticamente estável no acumulado de 2026.

Em 2025, o metal avançou mais de 65%. Agora, o mercado acompanhará o próximo Índice de Preços ao Consumidor dos Estados Unidos, conhecido pela sigla CPI.

Os preços do petróleo também permanecem no radar dos investidores. Ainda não houve acordo entre Estados Unidos e Irã após o conflito iniciado no fim de fevereiro.

Paralelamente, o ETF SPDR Gold Shares e outros fundos relacionados ao ouro continuaram recebendo entradas de recursos. Esses fluxos permanecem como parte importante da demanda de investimento.