Bakkt lucra US$ 80,8 mi com warrants da Transchem
A Bakkt, empresa de infraestrutura de ativos digitais, registrou lucro líquido atribuível à companhia de US$ 80,8 milhões no segundo trimestre de 2026. O resultado reverteu o prejuízo de US$ 14,7 milhões apurado um ano antes. Além disso, a companhia alcançou um lucro trimestral recorde.
Contudo, os dados divulgados em 10 de agosto não apontam uma recuperação dos serviços de criptomoedas. Ganhos contábeis com investimentos impulsionaram a maior parte do lucro da Bakkt.
Ganhos não realizados sustentam resultado da Bakkt
A reavaliação dos warrants da Transchem gerou um ganho não caixa de US$ 98,5 milhões. A Transchem é uma companhia indiana com ações negociadas em bolsa. Além disso, uma obrigação relacionada a warrants antigos gerou outro ganho não caixa de US$ 1,4 milhão.
A Bakkt informou lucro antes de impostos de US$ 81,1 milhões, antes da perda pelo método de equivalência patrimonial. Ao excluir os dois ajustes, o cálculo indica um prejuízo antes de impostos de aproximadamente US$ 18,8 milhões.
Esse cálculo não representa um subtotal GAAP ou não GAAP divulgado pela empresa. Ainda assim, a comparação mostra quanto o resultado dependeu da contabilidade a valor justo.
O ganho relacionado à Transchem reflete uma valorização reconhecida, mas ainda não realizada, dos warrants. Por isso, a Bakkt voltará a mensurar o instrumento por meio do resultado em cada período.
A Bakkt informou, em um registro protocolado na SEC em 4 de junho, que pagou US$ 9,4 milhões pelos warrants. O valor corresponde a 25% do preço de subscrição de 47,5 milhões de warrants da Transchem, após a alocação realizada em junho.
Em 30 de junho, a companhia contabilizava a posição em US$ 107,9 milhões. Caso exerça todos os warrants dentro de 18 meses, a Bakkt deverá desembolsar aproximadamente mais US$ 28,2 milhões.
Entretanto, a companhia alertou que seu Valor Agregado de Ativos Estratégicos inclui a posição na Transchem, mas não representa valor de mercado ou de liquidação.

Receita de serviços de criptomoedas cai 70%
Enquanto isso, a operação da Bakkt apresentou deterioração. A receita recuou 70%, de US$ 568,1 milhões para US$ 170,1 milhões, na comparação anual.
A empresa atribuiu a queda às transições de clientes e aos menores volumes de negociação de ativos digitais. Já os custos com criptomoedas, execução, compensação e corretagem totalizaram US$ 169,3 milhões.
Consequentemente, a diferença entre essa receita e os custos ficou em cerca de US$ 900 mil, antes das demais despesas operacionais. A Bakkt contabiliza grande parte de sua atividade de serviços criptomoedas em base bruta. Portanto, a receita não equivale ao valor econômico efetivamente retido pela companhia.
A perda operacional das operações continuadas aumentou para US$ 19,6 milhões. Um ano antes, a empresa havia registrado uma perda de US$ 16,1 milhões.
Da mesma forma, o EBITDA ajustado, uma métrica não GAAP, mostrou prejuízo de US$ 11,8 milhões. No mesmo período de 2025, essa perda havia alcançado US$ 9,8 milhões.
A administração relacionou a piora à menor rentabilidade líquida dos serviços de criptomoedas. Salários mais altos, mão de obra contratada e a nova perda por equivalência patrimonial também pressionaram o desempenho. Em contrapartida, a redução das despesas gerais, administrativas e de vendas compensou parte desses efeitos.
Liquidez reduz a pressão financeira
A Bakkt encerrou junho com US$ 50,7 milhões em caixa, equivalentes de caixa e caixa restrito. Ao mesmo tempo, a companhia não mantinha dívida de longo prazo.
Por outro lado, as operações consumiram US$ 26,9 milhões em caixa durante o primeiro semestre. As atividades de financiamento forneceram US$ 67,2 milhões, principalmente por meio de ofertas de ações.
Dessa forma, a Bakkt terminou o trimestre com lucro GAAP e uma posição relevante de liquidez. Porém, a queda da receita e o aumento da perda operacional não indicaram uma recuperação do negócio principal.