Bitcoin: 233 mil BTC migram após falha da Coldcard
Dados on-chain indicam que 233 mil BTC deixaram carteiras de detentores de longo prazo após uma falha no firmware da Coldcard. Para Nick Neuman, CEO da Casa, o movimento reforça a contribuição da autocustódia para a resiliência do Bitcoin.
Em uma publicação no X, em 9 de agosto, Neuman citou informações da Checkonchain. Após o início dos ataques, criminosos roubaram cerca de 2,1 mil BTC. Ao mesmo tempo, 22 mil BTC seguiram para exchanges, enquanto 233 mil BTC saíram de carteiras de longo prazo.
Movimentações aumentaram após vulnerabilidade da Coldcard
As métricas mostram uma forte reação dos detentores ao incidente. Neuman afirmou que esses movimentos destacam a importância da autocustódia para a resiliência do Bitcoin como classe de ativos.

A Galaxy Research acompanhou as perdas confirmadas relacionadas à falha de entropia da Coldcard. Conforme o levantamento, os ataques comprometeram entre 1,7 mil e mais de 2 mil BTC.
Os investigadores rastrearam os valores roubados em várias ondas iniciadas em 30 de julho. As estimativas mais altas para as perdas se aproximam de US$ 130 milhões.
A vulnerabilidade surgiu em um problema de firmware de março de 2021. Essa falha enfraqueceu a geração de seeds em determinados modelos da Coldcard.
Carteiras multisig ganharam atenção
De acordo com Neuman, conversas da Casa com clientes ajudaram a interpretar parte das movimentações. Alguns usuários teriam migrado de configurações com uma única chave para carteiras multisig.
Essas configurações anteriores incluíam dispositivos de outros fabricantes, como Ledger ou Trezor, sem envolvimento da Coldcard. Nesse contexto, os detentores reavaliaram o risco de depender de uma única chave.
Outros fluxos envolveram usuários de multisig que removeram dispositivos Coldcard de seus conjuntos de chaves. Assim, eles conseguiram responder ao problema sem depender de um custodiante centralizado.
“Entre cerca de 10 e 100 vezes a quantidade de Bitcoin roubada foi movida para segurança enquanto as pessoas davam o alerta. Isso é um enorme letreiro de neon piscando. Ele mostra a resiliência que a autocustódia acrescenta à rede”, afirmou Neuman.
A interpretação, contudo, parte das métricas on-chain e das conversas da Casa com clientes. Os dados não identificam, isoladamente, o destino final ou a motivação de todas as movimentações.
Autocustódia teria limitado a escala dos ataques
Neuman comparou o episódio a uma violação hipotética de um custodiante centralizado. Nesse cenário, ele argumentou que poucos fundos conseguiriam escapar, enquanto uma invasão poderia concentrar perdas maiores.
Na autocustódia, por outro lado, os invasores precisaram atacar carteiras individuais. Esse modelo limitou a escala de cada ação bem-sucedida e deu tempo para outros detentores reagirem.
“Se todo esse BTC estivesse mantido em um custodiante e ele fosse hackeado, os números teriam se invertido. Como ocorreu, os ladrões tiveram de quebrar uma carteira por vez. Eles ainda estão fazendo isso e obtendo pouco BTC em cada carteira. Dessa forma, não conseguem quebrar uma única carteira e receber uma recompensa enorme”, declarou o executivo.
A Casa, fundada em 2018, oferece cofres multisig para detentores de maior patrimônio e instituições. A empresa concentra seus serviços em soluções práticas de autocustódia.
Além do impacto financeiro, o incidente renovou discussões sobre carteiras físicas de assinatura única e geração de chaves. Também ampliou o debate sobre multisig e projetos de cofres baseados em covenants.
Para Neuman, a autocustódia beneficia tanto os detentores quanto a rede Bitcoin. Na avaliação do executivo, a movimentação independente dos fundos ajudou a limitar o impacto sistêmico da vulnerabilidade.