Bitdeer pode diluir 28,8% com ATM e financiar Tydal

A Bitdeer registrou a possibilidade de vender até US$ 1 bilhão em ações Classe A por meio de seu programa at-the-market (ATM). Esse limite pode financiar diferentes operações, incluindo o data center de inteligência artificial Tydal. Contudo, as emissões também podem diluir a participação dos atuais acionistas.

Embora a autorização alcance US$ 1 bilhão, a mineradora de Bitcoin afirma que ainda precisa de aproximadamente US$ 500 milhões para construir o Tydal. Porém, o suplemento de prospecto protocolado em 10 de agosto não estabelece um volume mínimo de vendas.

Assim, o teto funciona como uma opção de financiamento, não como um orçamento divulgado para o projeto. A companhia também não precisa usar toda a autorização nem destinar todos os recursos ao Tydal.

Infográfico compara a capacidade do programa ATM da Bitdeer, o investimento restante no Tydal e o cenário de diluição acionária.

Emissão da Bitdeer pode reduzir participação acionária

Considerando o preço ilustrativo de US$ 10,88 por ação, a captação integral exigiria cerca de 91,9 milhões de novos papéis Classe A. Esse volume equivale a 40,4% das 227,4 milhões de ações Classe A em circulação em 30 de junho.

Após a operação, as novas ações representariam aproximadamente 28,8% do total ampliado. Com isso, a participação proporcional dos atuais detentores sofreria uma diluição equivalente.

Ainda assim, esse cenário depende do preço obtido nas vendas e não representa uma previsão. O cálculo também difere da métrica de diluição do valor contábil tangível líquido apresentada no prospecto.

Programa pode atender diferentes operações

A Bitdeer informou que o ATM pode apoiar mais de uma linha de negócios. Entre os possíveis destinos estão a expansão de data centers e o crescimento das operações de computação de alto desempenho e nuvem de inteligência artificial.

Também entram nessa lista o desenvolvimento e a fabricação de equipamentos ASIC para mineração. Além desses investimentos, os recursos podem atender ao capital de giro e a outros fins corporativos gerais.

De acordo com o relatório anual da Bitdeer, o acordo de vendas começou em janeiro de 2025. Desde então, a companhia obteve cerca de US$ 160,7 milhões em receitas líquidas com a venda de 9,05 milhões de ações Classe A.

Já o documento de 10 de agosto registra até US$ 1 bilhão para vendas pela estrutura existente. Entretanto, o protocolo não determina o ritmo nem o preço das futuras emissões.

Tydal tem cronograma e garantias de crédito

A divulgação de arrendamento da Bitdeer, também datada de 10 de agosto, estabelece um prazo para essa flexibilidade financeira. O documento prevê o início da Fase 1 do Tydal em 31 de dezembro de 2026.

Em seguida, a companhia pretende iniciar a Fase 2 em 31 de março de 2027. A Volta Tydal AS, locatária do projeto, deverá contar com aproximadamente US$ 1,3 bilhão em cartas de crédito para respaldar suas obrigações.

Afiliadas do JPMorgan e de outra instituição financeira global de primeira linha devem estruturar essas garantias. No entanto, a contratação permanece sujeita às condições habituais.

Esses instrumentos oferecem suporte ao contrato, mas não equivalem a caixa já garantido. Caso a Volta não cumpra determinados marcos de respaldo de crédito, a Bitdeer poderá encerrar o acordo.

Por sua vez, a Volta poderá rescindir o contrato sem taxa após o décimo ano do prazo-base de 16 anos. Para os acionistas, o volume efetivamente utilizado do ATM será um ponto central. Os preços das vendas e o cumprimento do cronograma das garantias também terão relevância.