Bitcoin: Fold vende 832 BTC e propõe grupamento
A Fold, empresa de serviços financeiros de Bitcoin listada na Nasdaq, busca autorização para realizar um grupamento de ações. A proporção poderá variar entre 1 por 2 e 1 por 50. No entanto, a medida elevaria apenas o preço nominal dos papéis, sem alterar o caixa ou recompor as reservas da companhia.
Em seu relatório trimestral de 11 de agosto, a empresa informou que mantinha 194 BTC em sua tesouraria de investimentos em 30 de junho. O saldo valia US$ 11,4 milhões após a venda de 832 BTC no primeiro semestre de 2026.
Na mesma data, a Fold mantinha outros 77 BTC, avaliados em US$ 4,5 milhões, em uma tesouraria destinada a recompensas. Esse saldo, porém, correspondia a uma obrigação com clientes denominada em Bitcoin. Assim, embora o total alcançasse 271 BTC, as duas reservas não eram economicamente intercambiáveis.

Vendas reduzem a tesouraria de Bitcoin da Fold
A companhia vendeu 200 BTC por US$ 14,4 milhões em fevereiro. Posteriormente, negociou outros 632 BTC por US$ 44,7 milhões em junho. Com os recursos da segunda operação, a Fold destinou US$ 20 milhões à quitação de sua linha de crédito garantida por Bitcoin.
Em seguida, a empresa manteve os US$ 24,7 milhões restantes em caixa. Essas operações não incluem a devolução de 500 BTC a um investidor após a extinção de uma nota anterior. Como a transferência não gerou receita, ela não integra os 832 BTC vendidos durante o semestre.
Caixa, emissão de ações e prejuízo operacional
Em 30 de junho, a Fold reportou US$ 28,4 milhões em caixa e equivalentes de caixa. Paralelamente, a empresa levantou liquidez adicional por meio de sua linha de capital.
Durante o primeiro semestre, a companhia vendeu cerca de 5,82 milhões de ações e captou US$ 7,5 milhões. Ainda assim, registrou prejuízo operacional de US$ 15,6 milhões nos seis primeiros meses de 2026.
Portanto, novas emissões de ações ou outras vendas de Bitcoin representam possíveis riscos de financiamento. Entretanto, o relatório não indica que esses resultados ocorrerão necessariamente. A Fold também não detalhou como pretende atender às futuras necessidades de caixa sem recorrer novamente a essas alternativas.
Grupamento busca atender à exigência da Nasdaq
A Nasdaq notificou a Fold em 14 de julho porque suas ações fecharam abaixo de US$ 1 durante 30 pregões consecutivos. A notificação não afetou imediatamente a listagem e concedeu um prazo inicial até 11 de janeiro de 2027.
Para recuperar a conformidade, os papéis precisam fechar a US$ 1 ou mais durante pelo menos dez pregões consecutivos. A Nasdaq, contudo, poderá exigir um período maior. A Fold também poderá obter mais 180 dias se atender às demais condições da bolsa.
Nesse contexto, o grupamento pode elevar o preço unitário das ações sem captar recursos, emitir novos papéis ou consumir Bitcoin. O documento não informa qual proporção a empresa adotará. Também não afirma que o procedimento já entrou em vigor.
Deslistagem poderia afetar nota de US$ 13 milhões
O risco relacionado à dívida permanece condicionado a uma eventual perda da listagem. Conforme os termos da nota de investidores de fevereiro, a deslistagem efetiva configuraria inadimplência na nota de US$ 13 milhões.
A atual notificação, entretanto, não equivale a uma deslistagem e não acionou essa cláusula. A Fold poderá recuperar a conformidade caso os papéis se valorizem ou o grupamento entre em vigor.
Desse modo, a empresa pode atender à regra sem vender Bitcoin ou captar recursos por meio de novas ações. Ainda permanece indefinido como a Fold financiará suas operações enquanto busca preservar os 194 BTC de sua tesouraria de investimentos.