Regulação entra em fase de amadurecimento e abre caminho para novos casos de uso de ativos digitais, apontam especialistas no FIF – Latam
Representantes do mercado financeiro e de bancos centrais da América Latina discutiram avanço regulatório, tokenização e novas infraestruturas para o mercado de capitais no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro
Os avanços da regulação de ativos digitais e o desenvolvimento de novas infraestruturas financeiras na América Latina foram tema de debate nesta terça-feira (11), durante o FIF – Financial Infrastructure Forum Latam by Cainvest.
O painel reuniu Rodrigo Henriques, diretor de Inovação da Fenasbac; Patricia Tudisco, supervisora financeira do Banco Central do Uruguai; Juan Carlos, presidente da Comissão de Ativos Digitais de El Salvador; Érika Lacreta, gerente executiva da ANBIMA; e Omar Ghurra, gerente de Inovação do Banco Central do Peru.
Ao longo da conversa, os participantes compartilharam iniciativas desenvolvidas em seus países e discutiram temas como regulação da criptoeconomia, prevenção a golpes e fraudes, tokenização, ambientes de experimentação e o papel da infraestrutura na transformação do mercado financeiro.
Para Rodrigo Henriques, a construção do ambiente regulatório brasileiro tem sido marcada pela aproximação entre o mercado, o Banco Central e outros órgãos.
“Nos últimos dez anos, a gente vem trabalhando junto ao Banco Central e a outros órgãos, com um olhar muito claro para a regulação. Uma das grandes inteligências do regulador é usar os espaços de inovação para trabalhar o sistema, e isso o regulador brasileiro faz muito bem. Nós nos sentamos juntos para definir muitas coisas, como o que é stablecoin e o que é criptomoeda.”
Henriques também comentou o atual momento da regulação do setor e a transição dos períodos de experimentação para aplicações práticas.
“O mercado está sentindo uma regulação mais dura, mas esse é o momento de fechar um pouco a proposta de exploração para ir para casos de uso reais. Estamos em uma fase de freada para arrumação. Estamos olhando todo o processo do sistema da criptoeconomia, mas com um foco muito grande em golpes e fraudes no mercado.”
Infraestrutura e tokenização no mercado de capitais
Durante o painel, Érika Lacreta, gerente executiva da ANBIMA, apresentou iniciativas relacionadas ao uso de novas tecnologias e infraestruturas no mercado de capitais. Para a executiva, a infraestrutura passou a ocupar uma posição diferente dentro dos processos de transformação do setor.
“A infraestrutura era o meio, mas hoje ela é o fim do processo. Ela veio para remodelar negócios e trazer um funcionamento diferente para o mercado de capitais.”
Entre as iniciativas apresentadas está a criação de uma rede piloto para testar aplicações e processos antes de sua implementação mais ampla. Segundo Lacreta, mais de 20 projetos estão previstos para participar dos testes.
“Criamos uma rede piloto onde vamos testar coisas como rastreabilidade, melhorias de projetos e rapidez, mas antes iremos testar juntos. Temos mais de 20 projetos para serem testados. Serão dois ativos, entre eles debêntures, e também vamos trazer fundos de investimento para dentro da rede.”
A executiva também destacou a aproximação dessas iniciativas com as discussões regulatórias conduzidas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
“A CVM já criou um grupo de trabalho de tokenização para acompanhar esse processo. A CVM também já sinalizou algumas medidas de atualização do mercado e colocou em consulta pública questões relacionadas ao crowdfunding.”
Além da experimentação tecnológica, Lacreta destacou a criação de um modelo de autorregulação experimental dentro da ANBIMA.
“Criamos uma autorregulação experimental. O objetivo é avaliar conjuntamente com os associados o que mais pode ser melhorado e o que pode evoluir. Dentro da ANBIMA também temos um grupo de trabalho muito entusiasta no sentido de apoiar a regulação, principalmente junto à CVM e ao Banco Central.”
O painel integrou a programação do FIF – Financial Infrastructure Forum Latam presented by Cainvest, que reúne representantes do setor financeiro e de tecnologia para discutir o desenvolvimento da infraestrutura financeira na América Latina.
SOBRE O BLOCKCHAIN.RIO
O Blockchain.RIO é uma das principais plataformas institucionais da América Latina dedicadas ao debate sobre blockchain, tokenização, stablecoins, ativos digitais, regulação e infraestrutura financeira digital.
Por meio de eventos, fóruns executivos, iniciativas de conteúdo e articulação institucional, conecta reguladores, bancos centrais, instituições financeiras, empresas de tecnologia, provedores de infraestrutura, exchanges, asset managers, investidores, formuladores de políticas públicas e lideranças globais para discutir a transformação dos mercados, dos sistemas de pagamento e da economia digital.
A edição de 2026 será realizada de 11 a 13 de agosto, no Rio de Janeiro, com uma agenda estratégica formada pelo Financial Infrastructure Forum – LATAM, Blockchain Leaders e o Blockchain.RIO Main Event, além de experiências institucionais e eventos paralelos. A programação foi desenhada para ampliar o diálogo entre setor público, iniciativa privada e ecossistema de inovação, fortalecendo o papel do Brasil e da América Latina na construção da próxima geração da infraestrutura financeira global.
*Comunicado de imprensa