Cerebras Systems dobra receita e eleva projeção para 2026
As ações da Cerebras Systems (CBRS) enfrentaram forte volatilidade após a divulgação dos resultados do segundo trimestre. Os serviços em nuvem impulsionaram a receita, mas os papéis recuaram nas negociações após o fechamento.
As ações caíram 13,93% no after-market, para US$ 225,55, depois de encerrarem o pregão regular a US$ 262,06. Antes disso, os papéis haviam avançado 11,63% durante a sessão.
Assim, a reação após o fechamento contrastou com o crescimento da receita principal e com a elevação das projeções anuais da companhia.
Serviços em nuvem impulsionam a receita
A Cerebras informou receita GAAP de US$ 180,1 milhões no segundo trimestre, com alta anual de 74%. Enquanto isso, a receita principal alcançou US$ 209,9 milhões, avanço de 103% ante o mesmo período de 2025.
Os serviços em nuvem e outras operações lideraram a expansão. A demanda por IA rápida sustentou esse desempenho.
A receita GAAP de nuvem e serviços atingiu o recorde de US$ 126 milhões, com crescimento anual de 281%. Por sua vez, a receita principal desse segmento subiu 287%, para US$ 127,7 milhões.
Dessa forma, as operações em nuvem responderam por uma parcela relevante do crescimento trimestral. O resultado também apoiou os planos de expansão da infraestrutura da empresa.
Margens avançam, mas operação permanece negativa
A margem bruta principal chegou a 41%, cerca de 940 pontos-base acima do segundo trimestre de 2025. Já a margem operacional principal melhorou aproximadamente 2.600 pontos-base.
Apesar do avanço, a margem operacional principal permaneceu negativa em 16%. A margem bruta GAAP ficou em 14%, enquanto a margem operacional GAAP atingiu 265% negativos.
Contratos superam 600 megawatts de capacidade
No fim de junho, a Cerebras tinha US$ 25,4 bilhões em obrigações de desempenho remanescentes. Esse volume representa negócios contratados para períodos futuros.
A companhia também reportou US$ 8,6 bilhões em caixa, caixa restrito, equivalentes de caixa e investimentos de curto prazo. Além disso, obteve uma linha de crédito rotativa de US$ 850 milhões.
A empresa pretende usar esses recursos para apoiar a ampliação da capacidade de seus data centers. Ao mesmo tempo, elevou a capacidade contratada para mais de 600 megawatts.
A entrega dessa estrutura deve ocorrer até o fim de 2027. Em paralelo, o pipeline mais amplo reúne várias oportunidades potenciais que, juntas, somam gigawatts.
Cerebras prepara expansão da fabricação
A Cerebras espera ampliar sua capacidade de fabricação em mais de dez vezes durante 2026. Para isso, planeja utilizar linhas adicionais de manufatura contratada.
A empresa expandiu as parcerias com Flex, Sanmina e Rocket EMS. Também assegurou o fornecimento de wafers produzidos pela TSMC.
Sua arquitetura em escala de wafer reduz a dependência de memória HBM, encapsulamento CoWoS e processos de fabricação de três nanômetros. Com isso, a companhia prevê menos restrições de oferta.
Essa estrutura deve apoiar a aceleração das implantações de infraestrutura em 2027 e nos anos seguintes.
Parcerias reforçam sistemas de inferência de IA
A Cerebras fortaleceu relações tecnológicas com OpenAI, AMD, AWS, CrowdStrike e empresas emergentes de software de IA.
Sua infraestrutura agora suporta o OpenAI GPT-5.6 Sol em velocidades de até 750 tokens por segundo. Além disso, Cerebras e AMD desenvolveram sistemas de inferência desagregada.
Esses sistemas buscam elevar o throughput em até cinco vezes. A AMD e a Cerebras planejam colocar a oferta em produção no quarto trimestre de 2026.
Posteriormente, a companhia espera obter ganhos semelhantes de throughput por meio do Amazon Bedrock no primeiro trimestre de 2027. Enquanto isso, Cognition e Lovable assinaram novos acordos de capacidade em nuvem.
Os contratos ampliam a base de clientes da Cerebras e fortalecem a demanda por sua infraestrutura.
Cerebras aumenta projeção de receita para 2026
Para o terceiro trimestre, a Cerebras projeta receita principal entre US$ 214 milhões e US$ 216 milhões. A administração espera margem bruta principal entre 38% e 40%.
Porém, a companhia prevê que a margem operacional continuará negativa no período. Mesmo assim, as projeções anuais ficaram mais fortes após o desempenho do segundo trimestre.
Para 2026, a Cerebras elevou sua estimativa de receita principal para uma faixa entre US$ 880 milhões e US$ 890 milhões. A revisão incorpora ainda expectativas mais favoráveis para as margens.