Como investidores de criptomoedas são hackeados (e como evitar isso)
Se por um lado as criptomoedas entregam o controle total dos ativos nas mãos dos investidores, por outro, essa liberdade tem um preço alto: a ausência de rede de segurança. Diferente do que ocorre no sistema bancário tradicional, aqui não existe um serviço ao cliente para estornar uma fraude ou recuperar fundos roubados. Depois que a cripto sai da sua carteira, ela desaparece. E, na maioria das vezes, é para sempre.
Na mira dos hackers
Os cibercriminosos sabem disso e têm investido pesado na exploração dessas vulnerabilidades. Um exemplo notório ocorreu em abril, quando um grupo norte-coreano foi vinculado ao roubo de mais de um bilhão de reais em ativos digitais.
Mas não são apenas as grandes instituições que estão em risco; ataques contra usuários comuns costumam ser ainda mais difundidos por serem mais simples, menos onerosos e extremamente lucrativos. Um único e-mail de phishing bem-sucedido pode ser suficiente para esvaziar uma carteira com economias de uma vida inteira.
A boa notícia é que a maioria desses crimes segue padrões previsíveis. Então, compreender tais táticas e adotar precauções básicas já é capaz de reduzir drasticamente os riscos.
Malware que altera endereços de carteira
Uma das ameaças mais comuns é o malware de área de transferência (também conhecido como clipboard malware). Ele age quando os usuários copiam o endereço de suas carteiras, substituindo silenciosamente pelo endereço do invasor antes que eles colem no campo de destino. Como os endereços de cripto são sequências gigantescas de caracteres aleatórios, muitos só conferem os primeiros dígitos e já enviam. Esse pequeno descuido pode resultar numa transferência irreversível para os criminosos.
Para se proteger, é recomendável sempre verificar o endereço completo (ou pelo menos o começo e o fim) antes de confirmar. Além disso, é indispensável manter um antivírus de última geração instalado e atualizado no computador para protegê-lo contra malware.
Carteiras e aplicativos falsos
Os golpistas não dependem mais só de sites suspeitos. Hoje em dia eles desenvolvem e tornam públicos aplicativos de carteira, extensões de navegador e ferramentas de negociação falsas que imitam perfeitamente as ferramentas legítimas. Alguns roubam a frase de recuperação dos usuários durante a configuração, outros esperam que se acumulem fundos e aí esvaziam tudo.
Seja como for, sua melhor defesa é privilegiar o download de aplicativos de sites oficiais ou lojas verificadas, conferindo o nome do desenvolvedor e lendo avaliações recentes.
Phishing: agora mais convincente
Se antes phishing era sinônimo de mensagens cheias de erro, as campanhas atuais são muito mais difíceis de identificar, com sites clonados de corretoras, chats falsos de suporte e até anúncios patrocinados no Google.
Então, a melhor estratégia para evitar esses golpes é digitar o endereço da corretora manualmente no navegador em vez de clicar em links de e-mails ou mensagens.
Proteger a frase de recuperação
A frase de recuperação é a chave-mestra das contas. Se alguém tiver acesso a ela, pode restaurar a carteira de qualquer lugar do mundo, sem precisar de senha ou dispositivo.
Por isso, especialistas recomendam que se armazene offline: em papel, em um suporte metálico, nunca em nuvem, e-mail, notas do celular ou captura de tela. E não se deve jamais digitar a frase em nenhum site que prometa verificar, desbloquear ou recuperar a carteira.
Além das senhas
Senhas fortes são importantes, mas não bastam sozinhas. Para uma proteção mais completa, é fundamental ativar a autenticação multifator sempre que possível. Ademais, considerar o uso de um e-mail exclusivo só para plataformas de cripto e nunca gerenciar criptos em computadores públicos ou compartilhados possibilita maior controle das contas.
Errar é humano
Investir em criptomoedas não é só escolher as moedas certas, é também protegê-las. A maioria dos ataques bem-sucedidos não explora a blockchain em si, mas falhas humanas, dispositivos infectados e técnicas de engenharia social.
A notícia boa é que essas ameaças são, na maior parte, evitáveis. Com carteiras confiáveis, verificação cuidadosa das transações, proteção da frase de recuperação e uso de ferramentas de segurança, é possível se tornar um alvo muito mais difícil (e, portanto, menos atrativo aos cibercriminosos).
*Conteúdo patrocinado