AVAV da AeroVironment sobe com tarifa de Donald Trump
AeroVironment reage às novas tarifas dos Estados Unidos
As ações da AeroVironment, negociadas pelo ticker AVAV, avançaram 3,3% no pré-mercado. O movimento ocorreu após o governo de Donald Trump aprovar uma ampla política tarifária para drones estrangeiros.
O papel atingiu US$ 195,69, ante o fechamento anterior de US$ 189,43. Assim, a valorização acompanhou a divulgação das novas regras comerciais.
A proclamação utiliza a Seção 232 da Lei de Expansão Comercial. A medida estabelece uma tarifa de 100% sobre sistemas aéreos não tripulados pesados ou de uso militar produzidos no exterior.
A regra abrange drones com mais de 25 quilogramas ou equipados com sistemas de imagem térmica. Também inclui estações de acoplamento e componentes essenciais desses equipamentos.
Já os drones comerciais menores receberão uma tarifa de 25%. As novas cobranças entrarão em vigor em 3 de setembro de 2026.
Tarifas favorecem fabricantes americanos de drones
Com a mudança, fabricantes domésticos terão uma janela mais clara para negociar contratos e preços. Nesse cenário, a AeroVironment aparece bem posicionada por manter produção estabelecida nos Estados Unidos.
A política também cria um incentivo para internalizar a fabricação. O Departamento de Comércio poderá conceder isenções temporárias às empresas que assumirem compromissos de investimento no país.
Para obter o benefício, essas companhias deverão construir novas fábricas nos Estados Unidos antes de janeiro de 2029. Dessa maneira, o governo pretende estimular a expansão da capacidade produtiva doméstica.
Em contrapartida, fabricantes chineses enfrentam maior exposição ao novo regime tarifário. Essas empresas dominam o mercado de drones comerciais, enquanto a medida amplia as barreiras para concorrentes estrangeiros.
A decisão ainda pode fortalecer o poder de precificação dos fabricantes americanos de drones voltados à defesa. Entretanto, o mercado acionário mais amplo apresentou pouca reação à notícia.
O S&P 500 subiu apenas 0,1%, enquanto o Nasdaq avançou 0,2%. Portanto, o desempenho da AVAV refletiu principalmente a política tarifária, e não uma maior disposição geral ao risco.
Resultados e contratos sustentam perspectiva da empresa
A AeroVironment já apresentava números financeiros sólidos antes do anúncio das tarifas. No primeiro trimestre, a companhia registrou receita de US$ 641,62 milhões.
O resultado representou crescimento anual de 133,3% e superou a estimativa consensual de US$ 555,97 milhões. Da mesma forma, o lucro por ação alcançou US$ 1,84, acima da previsão de US$ 1,47.
Paralelamente, a empresa garantiu um contrato de US$ 117,3 milhões com o Exército dos Estados Unidos. A companhia também mantém demanda por seus sistemas não tripulados.
A AeroVironment projeta lucro por ação entre US$ 3,02 e US$ 3,34 para o ano fiscal de 2027. Para o ano corrente, analistas estimam US$ 3,26 por ação.
Esses dados reforçam a expectativa de crescimento, embora a companhia permaneça exposta aos riscos comuns do setor de defesa. Mudanças regulatórias, contratos públicos e custos de produção podem influenciar seu desempenho.
Analistas avaliam potencial da AVAV
Em Wall Street, a AVAV possui recomendação consensual de compra moderada. O preço-alvo médio está em US$ 266,68, acima da cotação registrada no pré-mercado.
Recentemente, a Clear Street elevou sua classificação para compra forte. Enquanto isso, a Stifel Nicolaus manteve recomendação de compra e preço-alvo de US$ 220.
A Needham também reiterou sua recomendação de compra, com alvo de US$ 225. Desse modo, as avaliações permanecem favoráveis, apesar das diferenças entre os preços projetados.
No campo institucional, a Assenagon Asset Management ampliou sua posição em AVAV em 47,6% no segundo trimestre. A gestora passou a deter 18.506 ações, avaliadas em aproximadamente US$ 3,06 milhões.
Investidores institucionais controlam, em conjunto, 86,38% das ações. Contudo, a Bernstein Liebhard anunciou uma investigação sobre possíveis violações de dever fiduciário por diretores e executivos da empresa.
As alegações ainda não foram comprovadas, mas acrescentam um risco de governança ao caso. A ação oscilou entre US$ 135,20 e US$ 417,86 nas últimas 52 semanas.
Por sua vez, a média móvel de 50 dias está em US$ 162,47. A cotação observada no pré-mercado ficou significativamente acima desse nível técnico.