Ethereum adota hashes padrão com apoio de Adam Back
Adam Back, criador do Hashcash e CEO da Blockstream, apoiou a decisão do Ethereum de abandonar algoritmos criptográficos personalizados. Agora, a rede pretende adotar padrões de segurança mais consolidados. A manifestação ocorreu após Justin Drake, pesquisador da Ethereum Foundation, confirmar a retirada da função hash Poseidon do roteiro de desenvolvimento.
Durante oito anos, o Ethereum destinou recursos significativos à possível integração do Poseidon. No entanto, a rede voltou a priorizar abordagens criptográficas tradicionais. O novo plano prevê o uso dos padrões SHA ou BLAKE2s na camada base do protocolo.
Rede deixa Poseidon e prioriza padrões consolidados
Antes da mudança, a estratégia buscava maior eficiência em sistemas de provas de conhecimento zero, conhecidos pela sigla ZK. Contudo, Back questionava o uso de algoritmos personalizados e menos estudados em sistemas que movimentam valores elevados. Para ele, soluções experimentais otimizadas para ZK receberam análise insuficiente da comunidade internacional de criptografia.
Back afirmou que “nunca gostou de hashes amigáveis ao provador”. Além disso, ele classificou essas abordagens como “um hash peculiar com revisão insuficiente”. Mesmo durante os primeiros anos dos sistemas ZK, o executivo defendia funções hash padronizadas. Assim, ele aceitava um custo computacional maior em troca da redução dos riscos de segurança.
Essa posição evitava a dependência de construções criptográficas novas e ainda pouco testadas. Nesse contexto, o apoio à decisão do Ethereum reflete a postura conservadora de Back sobre segurança. A mudança também indica que a rede passou a considerar mais viável o uso de padrões amplamente analisados.
Avanços reduzem vantagem de algoritmos personalizados
A retirada do Poseidon resulta, em grande parte, de avanços recentes na criptografia e na ciência da computação. Durante anos, funções hash convencionais exigiam capacidade computacional elevada em sistemas ZK. Por isso, desenvolvedores criaram alternativas como o Poseidon, com foco específico na eficiência das provas.
Entretanto, avanços na matemática de campos binários mudaram esse cenário. Essas técnicas tornaram funções hash padronizadas mais viáveis em provas de conhecimento zero. Com isso, diminuiu de forma relevante a vantagem de desempenho que justificava soluções experimentais.
Em 2023, pesquisadores apresentaram o sistema de provas Binius. Depois, o Flook surgiu em 2024. Ambos buscam processar grandes volumes de hashes criptográficos convencionais com eficiência. Em computadores portáteis de uso comum, essas tecnologias alcançaram até um milhão de hashes por segundo.
Na prática, os avanços reduziram a diferença de desempenho entre funções estabelecidas e alternativas experimentais. O Binius otimiza a aritmética de campos binários em provas ZK. Enquanto isso, o Flook amplia a capacidade de realizar cálculos criptográficos dentro desses sistemas.
Medidas pós-quânticas devem começar em 2027
Diante desse avanço, o Ethereum decidiu interromper novos investimentos na integração do Poseidon. A rede pretende alinhar sua camada base a funções hash que o setor já utiliza como padrão. Dessa forma, a decisão reforça a preferência por tecnologias com maior histórico de análise e aplicação.
Um cronograma aprovado pela Ethereum Foundation prevê o início de novas medidas de segurança pós-quântica em 2027. A primeira etapa deve coincidir com o lançamento da máquina virtual LeanVM. Já a implementação completa na camada base da rede está prevista para 2028.
A mudança acompanha um movimento mais amplo em direção a padrões criptográficos consolidados. Ao mesmo tempo, ela respalda as preocupações de Adam Back sobre algoritmos personalizados. A decisão também mostra que a Ethereum Foundation está disposta a ajustar seus planos conforme surgem novas pesquisas.