IA começa a mudar a forma como os games Web3 são criados

A inteligência artificial está deixando de ser apenas uma promessa para os games Web3. Nesta semana, uma game jam da Yield Guild Games colocou essa mudança em prática ao reunir mais de 250 participantes em uma competição de desenvolvimento assistido por IA.

Ao mesmo tempo, o The Sandbox abriu sua fase beta com uma nova arquitetura e ferramentas de IA disponíveis ao público. Assim, criar um jogo pode ficar menos dependente de equipes grandes e conhecimentos técnicos avançados.

Nesse cenário, jogadores, desenvolvedores independentes e criadores que usam IA também começam a ocupar espaço na produção de experiências digitais.

VibeBlitz mostra o potencial da criação com IA

A primeira VibeBlitz Game Jam, organizada pela Yield Guild Games em parceria com a Animoca Brands’ Minds, reuniu 72 jogos desenvolvidos durante duas semanas. Ao todo, mais de 250 pessoas participaram da competição.

Primeiro, uma votação da comunidade reduziu os projetos para 15 finalistas. Depois, um júri especializado selecionou os cinco vencedores com base em jogabilidade, entretenimento, originalidade, narrativa e execução técnica.

O primeiro lugar ficou com Idle Tactics: Ascension, jogo de navegador em pixel art no qual o jogador escolhe um herói, administra equipamentos e decide quando enfrentar chefes. Como prêmio, os criadores receberam US$ 1.000 em tokens YGG e outros US$ 1.000 em créditos da Minds.

Além disso, a competição apresentou propostas bastante diferentes. Tiny Realm, segundo colocado, aposta em estratégia em tempo real, coleta de recursos e defesa contra ondas de inimigos. Já The Last Seal combina plataforma, combate baseado em combos e personagens desbloqueáveis.

Na sequência, Agent Fighter coloca jogadores humanos e agentes de IA em um sistema competitivo compartilhado. Por sua vez, Pixel Abyss aposta em exploração de masmorras, salas secretas, itens colecionáveis e habilidades desbloqueáveis.

Os participantes utilizaram o Game Designer Mind, assistente de IA criado para apoiar decisões de design, superar desafios e transformar ideias em jogos jogáveis. Portanto, a competição também funcionou como um teste prático para essas ferramentas.

Outro detalhe chama atenção. Cada jogo foi desenvolvido dentro de um terreno virtual de 32 por 32, formando uma espécie de vizinhança digital. Além disso, os participantes podiam ganhar pontos extras ao criar referências relevantes às equipes vizinhas.

Dessa forma, a VibeBlitz mostra como a IA pode reduzir parte da distância entre uma ideia e um jogo funcional. Para criadores independentes, isso significa experimentar mais e testar conceitos sem depender, desde o início, de uma estrutura tradicional de desenvolvimento.

The Sandbox abre o Studio Beta para uma nova geração de criadores

Enquanto a VibeBlitz mostrou o potencial da criação assistida por IA, o The Sandbox levou essa proposta para uma escala maior nesta semana. Em 12 de agosto, a plataforma abriu o Studio Beta ao público e lançou uma nova versão de sua estrutura de desenvolvimento, chamada Engine 14.

A atualização representa uma mudança importante na forma de construir experiências dentro do ecossistema. Em vez de apenas adicionar recursos ao sistema anterior, a equipe substituiu a antiga estrutura Actor/SceneComponent por um modelo unificado baseado em SceneNode.

Com isso, os recursos podem ser inseridos diretamente nas cenas. Além disso, os criadores ganham um fluxo mais simples para organizar objetos e trabalhar com elementos reutilizáveis. A gestão de pré-fabricados também recebeu melhorias, permitindo editar esses componentes diretamente na visualização principal.

Outro avanço aparece no multiplayer. O novo sistema ReplicationGroup permite que servidores gerem objetos e determinem quais jogadores poderão visualizá-los. Dessa forma, experiências com saque individualizado e conteúdos personalizados podem ser desenvolvidas com mais flexibilidade.

Ao mesmo tempo, a inteligência artificial ganhou espaço dentro do Studio. O AI Assistant agora está disponível publicamente e pode ser utilizado em todos os projetos da plataforma. Além disso, novos provedores de IA foram integrados às ferramentas.

Game Jam transforma o beta em laboratório para criadores

A chegada do Studio Beta acontece junto com a Beta Creator Game Jam, competição que começou em 12 de agosto e terá como tema “Overgrown”. Os participantes precisam desenvolver jogos inspirados em vegetação, crescimento, decadência ou vida selvagem.

A premiação total chega a US$ 7.500. O primeiro colocado receberá US$ 2.500, enquanto o segundo ficará com US$ 1.600 e o terceiro, com US$ 1.000. Além disso, seis categorias especiais distribuirão outros US$ 2.400.

O painel também conta com uma figura conhecida dos jogadores. Larry Hryb, o Major Nelson, veterano de 15 anos da Xbox, será o principal jurado da competição.

Por outro lado, a Game Jam não funciona apenas como uma disputa por prêmios. Ela também permite que o The Sandbox observe como os criadores utilizam a nova arquitetura e as ferramentas de IA em situações reais.

Isso fica ainda mais relevante porque a plataforma pretende ampliar o número de pessoas capazes de produzir experiências jogáveis. Assim, usuários que antes precisavam dominar ferramentas complexas podem ganhar novos caminhos para transformar conceitos em projetos funcionais.

Além disso, o Studio Beta ainda recebeu modelos para jogos de rolagem lateral e ação em terceira pessoa. A seleção de múltiplos objetos e o cálculo da malha de navegação também foram aprimorados.

No conjunto, VibeBlitz e The Sandbox apontam para uma mesma transformação nos games Web3. A inteligência artificial não aparece apenas como recurso futurista, mas como ferramenta de produção. Enquanto isso, game jams, APIs e plataformas mais acessíveis ampliam o espaço para que novos criadores participem da construção desses mundos.

Portanto, a próxima disputa pode acontecer menos pela quantidade de tokens lançados e mais pela capacidade de transformar tecnologia em jogos que as pessoas realmente queiram jogar.