Micron avança e UBS fixa preço-alvo de US$ 1.625

Ações da Micron voltam a se aproximar de US$ 1.000

As ações da Micron fecharam a sexta-feira a US$ 970,20, com alta de 2,3%. Com o avanço, a fabricante de chips registrou a quarta sessão consecutiva de ganhos. No último mês, o papel acumulou valorização de 12%. Contudo, permanece abaixo do pico superior a US$ 1.200 registrado no fim de junho.

O papel abriu o pregão de sexta-feira cotado a US$ 971,66. Já a faixa de negociação em 52 semanas varia entre US$ 113,46 e US$ 1.255. Atualmente, a Micron tem valor de mercado estimado em US$ 1,10 trilhão.

Dados de mercado das ações da Micron

O interesse por fabricantes de memória aumentou após a Sandisk apresentar uma projeção otimista de longo prazo. Enquanto isso, os ADRs da SK Hynix avançaram 0,4% no mesmo pregão, para US$ 166,33.

Preços de DRAM e NAND sustentam cenário positivo

As projeções para os preços de memória ocupam o centro da avaliação positiva sobre a Micron. O KeyBanc estima que os preços de DRAM subirão entre 15% e 20% no terceiro trimestre. A comparação considera os valores registrados no trimestre anterior. Depois, o banco prevê outra alta de 15% no quarto trimestre.

Para a memória flash NAND, a estimativa indica avanço entre 30% e 40% no terceiro trimestre. Em seguida, os preços podem subir mais 15% no quarto trimestre. Assim, as previsões reforçam a expectativa de melhores condições para o mercado de memória.

Micron supera estimativas e amplia projeções

No relatório trimestral divulgado em 24 de junho, a Micron apresentou lucro por ação de US$ 25,11. O consenso do mercado projetava US$ 21,39, uma diferença positiva de US$ 3,72. Por sua vez, a receita alcançou US$ 41,46 bilhões, acima da estimativa de US$ 35,91 bilhões.

O faturamento cresceu 346% na comparação anual. Ao mesmo tempo, o retorno sobre o patrimônio líquido atingiu 71,13%, enquanto a margem líquida chegou a 55,91%. Para o quarto trimestre fiscal de 2026, a companhia projetou lucro por ação entre US$ 30 e US$ 32.

Wall Street eleva preços-alvo das ações

O analista Timothy Arcuri, do UBS, estabeleceu preço-alvo de US$ 1.625 para as ações da Micron. Ele aplicou um múltiplo futuro de 11 vezes sobre sua projeção de lucro por ação para 2029. Conforme Arcuri, o cálculo considera a capacidade de geração de lucros durante o ciclo, apoiada por contratos de longo prazo.

A Wells Fargo elevou sua meta de US$ 1.220 para US$ 1.525 e manteve a recomendação de sobreponderação. A Raymond James aumentou o preço-alvo de US$ 1.100 para US$ 1.500, com avaliação de desempenho superior. A Cantor Fitzgerald também preservou sua recomendação de sobreponderação e o preço-alvo de US$ 1.500.

A New Street mudou a recomendação da Micron de neutra para compra, com preço-alvo de US$ 1.250. Para a instituição, a inteligência artificial reduz o caráter cíclico da demanda por memória. O banco também projetou valor de mercado entre US$ 2 trilhões e US$ 3 trilhões até o fim da década.

Entre 38 analistas, o consenso indica compra e preço-alvo médio de US$ 1.259,97. Desse total, quatro recomendam compra forte, enquanto 32 indicam compra. Os dois analistas restantes mantêm recomendação de manutenção.

Fundo de inteligência artificial e riscos

Nesta semana, o Micron Ventures Paradigm Fund lançou um fundo de US$ 250 milhões. A iniciativa investirá em diferentes áreas da cadeia tecnológica de inteligência artificial. O escopo inclui desenvolvimento de modelos, infraestrutura computacional e aplicações empresariais.

No mercado institucional, a Accurate Wealth Management quase dobrou sua posição na companhia durante o segundo trimestre. A gestora ampliou sua participação em 98%, para 7.452 ações, avaliadas em aproximadamente US$ 8,6 milhões. Em conjunto, os investidores institucionais controlam 80,84% das ações.

Apesar do otimismo, a YMTC superou a Micron em remessas de NAND. A nova fábrica de US$ 9,3 bilhões da companhia também não deverá produzir chips antes de 2028. Paralelamente, Michael Burry ampliou suas posições baixistas relacionadas à fabricante.

O CEO Sanjay Mehrotra vendeu 31.285 ações em 24 de julho, ao preço médio de US$ 926,83. Com a operação, o executivo reduziu sua participação em 9,08%. Nos últimos 90 dias, executivos venderam 162.179 ações, avaliadas em cerca de US$ 167,8 milhões.

Analistas técnicos identificam a região de US$ 1.012 como uma resistência relevante no curto prazo. Portanto, a Micron combina projeções favoráveis para preços e resultados com riscos competitivos, produtivos e de mercado.