Bitcoin: BlackRock e Fidelity lideram saída de US$ 385 mi
Fundos revertem sequência de entradas nos Estados Unidos
Investidores americanos retiraram recursos dos ETFs à vista de Bitcoin após uma forte sequência de entradas no início de agosto. Ainda assim, o preço da maior criptomoeda do mercado permaneceu praticamente estável. A mudança indica uma reversão no apetite pelos fundos negociados nos Estados Unidos.
Dados da Farside Investors mostram saídas superiores a US$ 385 milhões na semana passada. Na semana anterior, os produtos receberam aportes diariamente e atraíram mais de US$ 865 milhões. Esse montante representou o maior fluxo semanal de entrada desde abril.
Enquanto os resgates avançavam, o Bitcoin permanecia cotado perto de US$ 64.066. A criptomoeda não apresentou mudanças relevantes na semana anterior. Da mesma forma, a cotação acumulava pouca variação nos últimos 30 dias.
Ataque e adiamento regulatório não interromperam aportes
Inicialmente, os investidores não demonstraram preocupação com o ataque contra a Coldcard em 31 de julho. Criminosos exploraram uma vulnerabilidade no software do popular produto e roubaram mais de US$ 115 milhões em Bitcoin. Apesar do impacto do incidente, os fundos continuaram recebendo aportes naquele período.
Além do ataque, o mercado acompanhou o adiamento da votação do aguardado Clarity Act. Mesmo diante da notícia regulatória negativa, os investidores mantiveram as compras de cotas. O movimento reforçou a demanda observada antes da reversão semanal.
Tensões no Oriente Médio pressionam os ETFs
No entanto, o cenário mudou quando as tensões no Oriente Médio voltaram a escalar. Com isso, investidores retiraram capital dos principais veículos de investimento vinculados ao Bitcoin. A deterioração geopolítica coincidiu com a inversão dos fluxos semanais.
O iShares Bitcoin Trust, da BlackRock, e o Wise Origin Bitcoin Fund, da Fidelity, registraram as maiores saídas. Em contrapartida, o fundo da Morgan Stanley terminou a semana com entradas líquidas. O produto estreou em abril e foi o único citado a receber mais recursos do que perdeu no período.
Petróleo e inflação ampliam incerteza macroeconômica
Os atuais obstáculos macroeconômicos também podem voltar a pressionar a inflação. Entre eles estão a guerra dos Estados Unidos com o Irã e a alta dos preços do petróleo. Nesse contexto, investidores avaliam os possíveis efeitos sobre as decisões de política monetária.
O Bitcoin costuma reagir positivamente a sinais de arrefecimento da inflação. Afinal, uma desaceleração dos preços pode abrir espaço para cortes nas taxas de juros. As ações também avançaram quando o presidente Trump indicou que um acordo com o Irã seria iminente, mas o conflito continuou sem perspectiva de encerramento.
NYDIG aponta desempenho fraco no acumulado do ano
Embora o preço do Bitcoin permaneça relativamente estável, a criptomoeda não avançou no último mês. Um relatório de julho da NYDIG classificou seu desempenho anual como o pior entre os ativos analisados. O Bitcoin ficou atrás dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, da prata e de moedas como o franco suíço.
Por outro lado, a NYDIG alertou que o comportamento do preço pode repetir quedas observadas em ciclos anteriores. O relatório citou como referência o mercado de baixa de 2022. Caso esse cenário se concretize, a mínima potencial do ciclo poderia ficar entre US$ 38 mil e US$ 39 mil.
Assim, as saídas dos ETFs ocorreram enquanto o Bitcoin sustentava sua cotação perto de US$ 64 mil. Ao mesmo tempo, fatores geopolíticos, inflação e juros continuaram pressionando as perspectivas para o mercado. A estabilidade do preço, portanto, contrastou com a retirada semanal de capital dos fundos americanos.