BitBox corrige falhas na BitBox02 e BitBox02 Nova
A BitBox lançou uma atualização de firmware para corrigir duas vulnerabilidades graves em suas carteiras físicas. As falhas afetavam os modelos BitBox02 e BitBox02 Nova.
Um dos problemas poderia permitir a instalação de firmware malicioso. O outro poderia bloquear Bitcoin em um endereço não intencional. A empresa afirmou que não encontrou evidências de exploração ou relatos de perdas.
Host malicioso poderia comprometer o firmware
A primeira vulnerabilidade envolvia corrupção de memória nas edições Multi da BitBox02 e da BitBox02 Nova. Contudo, o problema afetava somente dispositivos que ainda não haviam passado pela configuração inicial.
Nesse cenário, um host malicioso conectado à carteira poderia executar um código arbitrário antes da configuração. Como consequência, o invasor teria a possibilidade de instalar firmware malicioso no dispositivo.
A BitBox classificou a falha como grave porque o código poderia enfraquecer os controles contra softwares não autorizados. Posteriormente, o invasor poderia tentar comprometer os fundos armazenados pela carteira.
O firmware controla operações essenciais, verifica transações e administra a comunicação com o computador conectado. Portanto, qualquer alteração maliciosa poderia colocar o funcionamento do dispositivo e os fundos em risco.
Ataques laboratoriais atingiram outros fabricantes
Falhas de hardware e firmware também ganharam atenção em outras fabricantes. Em junho, pesquisadores da Ledger Donjon realizaram um ataque de injeção de falha a laser contra o Secure Element TROPIC01.
O componente integra os dispositivos Trezor Safe 7. Mesmo assim, a Trezor afirmou que o modelo permaneceu protegido por três camadas independentes de segurança de hardware.
Conforme a fabricante, comprometer apenas o TROPIC01 não permitiria acessar o PIN, a carteira ou os fundos. A Tropic Square havia fornecido o componente à Ledger Donjon para testes independentes.
Em janeiro, os pesquisadores informaram que extraíram alguns segredos do componente e contornaram verificações de assinatura de firmware. No entanto, o procedimento ocorreu em laboratório e exigiu técnicas especializadas.
Silent Payments apresentava risco de bloqueio
A segunda vulnerabilidade grave afetava a implementação do Silent Payments. Esse recurso de privacidade permite receber pagamentos em Bitcoin sem publicar um endereço diferente para cada transação.
Um host malicioso poderia explorar a falha e direcionar os Bitcoins para um endereço não desejado. Embora não permitisse o roubo direto, o ataque poderia tornar os fundos inacessíveis ao proprietário.
Nessa situação, a vítima dependeria de cooperação para recuperar os Bitcoins. Além disso, um invasor poderia tentar exigir um resgate em troca de ajuda para desbloquear os fundos.
A atualização mais recente corrigiu o problema. A BitBox também declarou que não recebeu relatos de exploração da vulnerabilidade no Silent Payments.
Atualizações anteriores corrigiram outros problemas
Em julho, a atualização Oeschinen já havia incluído diversas correções de segurança. Entre elas, estava uma gravação fora dos limites do buffer no firmware e no bootloader da BitBox02.
Um pedido USB aceitava um valor de comprimento sem compará-lo corretamente ao tamanho do buffer de destino. Assim, um host malicioso poderia provocar uma gravação fora dos limites.
A BitBox informou que ninguém apresentou um exploit funcional para essa falha. Ainda assim, a empresa não descartou completamente um possível efeito sobre o fluxo de controle.
Antes disso, em janeiro, a fabricante corrigiu duas vulnerabilidades da BitBox02 Nova identificadas por seu programa de recompensa. A companhia considerou os problemas menores ou moderados, pois exigiam acesso físico avançado e condições específicas.
Coldcard reforçou alerta sobre carteiras físicas
A atualização da BitBox ocorreu após a divulgação de uma falha separada no firmware da Coldcard. Pesquisadores relacionaram o problema ao roubo de mais de US$ 112 milhões em Bitcoin.
A Galaxy Research informou que aproximadamente 1.778,6 BTC saíram de mais de 8.600 endereços. De acordo com a pesquisa, a vulnerabilidade permaneceu sem detecção por mais de cinco anos.
As análises rastrearam a origem do problema até uma mudança de firmware introduzida em março de 2021. A alteração reduziu a aleatoriedade usada para gerar as seeds das carteiras.
Com menos combinações possíveis, invasores poderiam usar força bruta contra as seeds afetadas. Dessa maneira, eles conseguiriam derivar as chaves privadas correspondentes sem acesso físico ao dispositivo.
Para carteiras criadas com o firmware afetado, apenas atualizar o aparelho não corrigiria uma seed já comprometida. O usuário precisaria gerar uma nova seed segura e transferir os fundos.
Coldcard MK5 manteve arquitetura de segurança
Em março, a Coinkite lançou a Coldcard MK5, primeira atualização da linha principal MK desde a MK4, de 2022. O modelo manteve dois elementos seguros de fornecedores diferentes.
As chaves privadas também continuaram isoladas da internet. Entre as mudanças, estavam uma tela Gorilla Glass de 1,54 polegada, botões redesenhados e funções NFC aprimoradas.
Na ocasião, a Coinkite afirmou que as principais atualizações priorizavam a usabilidade. Ao mesmo tempo, a fabricante preservou a arquitetura de segurança adotada na geração anterior.
Vazamentos ampliam risco de phishing
Proprietários de carteiras físicas também enfrentaram incidentes fora dos dispositivos. Violações envolvendo Trezor e SafePal expuseram dados pessoais e informações de pedidos de mais de 53 mil clientes.
A Trezor atribuiu a exposição de dados de 13.689 clientes à transportadora ShipMonk. Separadamente, a SafePal relatou que uma falha de autorização expôs informações ligadas a 39.798 clientes.
O problema estava em um plug-in usado para rastrear pedidos. Porém, as empresas afirmaram que os incidentes não comprometeram carteiras físicas, chaves privadas ou frases de recuperação.
Mesmo sem acesso direto aos fundos, criminosos podem usar dados pessoais em campanhas direcionadas de phishing. Essas informações também facilitam tentativas de falsificação de identidade.
Cartas falsas pediam frases de recuperação
Em fevereiro, atacantes enviaram cartas físicas que imitavam comunicações da Trezor e da Ledger. As correspondências incluíam códigos QR para sites maliciosos e alegavam urgência em supostos processos de autenticação.
Os sites solicitavam frases de recuperação de 12, 20 ou 24 palavras sob o pretexto de confirmar a propriedade. Após o envio, os invasores podiam reconstruir as carteiras e controlar os fundos.
Trezor e Ledger reforçaram que fornecedores legítimos nunca solicitam frases de recuperação em sites ou canais externos. O usuário deve inserir essas palavras diretamente na carteira física durante um procedimento legítimo de restauração.