Consenso sem permissão dispensa beacon recorrente

Um artigo aceito para a Crypto 2026, em Santa Barbara, propõe resolver uma lacuna teórica no consenso sem permissão. A construção substitui um beacon público que fornecia novos valores aleatórios aos participantes em intervalos regulares. Assim, o protocolo deixa de depender de uma fonte contínua de aleatoriedade pública.

O desafio consiste em alcançar acordo bizantino sem conhecer antecipadamente os participantes da rede. Ao mesmo tempo, o modelo considera apenas um limite máximo de participantes. A proposta também dispensa uma infraestrutura de chaves públicas.

Pesquisa troca fonte periódica de aleatoriedade

O Bitcoin ajudou a motivar essa linha de pesquisa sobre consenso sem permissão. Contudo, os registros públicos não apresentam o novo trabalho como atualização do Bitcoin. Eles também não indicam qualquer mudança em uma rede atualmente em operação.

O registro da Universidade de Edimburgo identifica Damiano Abram, Marshall Ball, Juan Garay e Aggelos Kiayias como autores. O trabalho recebeu o título “Permissionless consensus from a common random string”. Já a Crypto 2026 ocorrerá entre 17 e 20 de agosto.

Em 2024, Ball e outros pesquisadores apresentaram uma construção baseada em provas de trabalho. O modelo combinava essas provas com suposições de complexidade de granularidade fina. Entretanto, cada participante ainda recebia acesso a um beacon com nova aleatoriedade pública em intervalos regulares.

Agora, o novo artigo afirma remover esse serviço recorrente por meio de amostradores distribuídos d-wise independentes. Em termos práticos, os autores procuram proteger várias execuções simultâneas. Para isso, a construção evita que o beacon continue produzindo aleatoriedade pública durante o protocolo.

String aleatória comum mantém configuração compartilhada

A substituição do beacon ainda exige uma configuração compartilhada entre os participantes. Nesse contexto, os pesquisadores usam uma string aleatória comum. O resumo afirma que essa string não precisa ter estrutura específica nem passar por uma amostragem precisa no início.

Além disso, as construções dos amostradores dependem das suposições decisional Diffie-Hellman, conhecida pela sigla DDH, e learning with errors, ou LWE. Portanto, a retirada do beacon não elimina as suposições criptográficas necessárias ao modelo. Ela remove apenas a dependência de uma fonte recorrente de aleatoriedade pública.

Os autores combinam os amostradores com provas de trabalho baseadas em complexidade de granularidade fina. Como resultado, eles criam assinaturas de trabalho com múltiplos verificadores. O protocolo de consenso utiliza essas assinaturas como um componente modular.

Diagrama de uma construção de consenso sem permissão que usa string aleatória comum, amostradores d-wise, DDH, LWE e provas de trabalho.

Protocolo permanece como resultado teórico

Por enquanto, o resultado permanece no campo teórico do consenso sem permissão. Os materiais públicos não informam o limite numérico de corrupção. Também não detalham as condições exatas de sincronia e comunicação, os custos concretos ou o desempenho em testes.

Dessa forma, os detalhes da construção apresentada em 2024 não podem ser automaticamente aplicados ao protocolo de 2026. As evidências disponíveis também não sustentam comparações com o modelo de segurança do Bitcoin. Do mesmo modo, não indicam que o protocolo esteja pronto para implantação.

O registro da Universidade de Edimburgo informa que o manuscrito aceito permanecerá sob embargo até 20 de agosto, à meia-noite no horário de verão britânico. Assim, o material público sustenta um avanço específico. Amostradores distribuídos e uma string aleatória comum substituem o beacon recorrente, enquanto DDH, LWE e as suposições de prova de trabalho permanecem na construção.