Laser Digital da Nomura obtém registro cripto no Japão

O Laser Digital, braço de ativos digitais apoiado pela Nomura, recebeu um registro para operar no mercado japonês de criptomoedas. Com a aprovação, tornou-se o primeiro novo provedor de serviços de exchange de criptoativos registrado no país em cerca de quatro anos.

Inicialmente, a subsidiária japonesa fornecerá liquidez a prestadores locais de serviços com criptoativos. Depois, a empresa pretende avaliar soluções de negociação para investidores institucionais. No entanto, ainda não divulgou a data de lançamento nem a relação completa de produtos.

Registro abre caminho para atuação regulada no Japão

O registro oferece ao Laser Digital uma rota regulada para entrar em um mercado com demanda institucional crescente. Em 2026, uma pesquisa da Nomura e da empresa mostrou que 79% dos participantes planejavam investir em criptomoedas nos três anos seguintes.

Segundo o Laser Digital, os resultados sustentam a criação de serviços direcionados a investidores profissionais no Japão. A aprovação também encerra uma etapa de vários meses de trabalho regulatório conduzido pela subsidiária japonesa.

Em outubro de 2025, a empresa iniciou discussões preliminares com a Agência de Serviços Financeiros do Japão. Na época, o grupo avaliava solicitar uma licença local para negociação de criptomoedas.

Também estavam em análise serviços de corretagem e distribuição para instituições financeiras, empresas do setor e exchanges de ativos digitais. Agora, esses planos avançaram para a fase operacional após a obtenção do registro.

Por enquanto, a companhia priorizará o fornecimento de liquidez a empresas registradas localmente. Já as soluções de negociação institucional dependerão da estrutura definitiva dos serviços e do cronograma de lançamento.

Nomura amplia operação com ativos digitais

A Nomura criou o Laser Digital em 2022, durante sua expansão para o setor de ativos digitais. Desde então, a unidade desenvolveu operações de gestão de recursos, negociação e investimentos de venture capital.

Enquanto isso, a subsidiária japonesa trabalhou para estabelecer uma presença local regulada. Fora do Japão, o Laser Digital obteve uma licença completa para negócios com criptomoedas em Dubai, em 2023.

A companhia também lançou produtos de investimento para instituições, incluindo fundos focados em Bitcoin e Ethereum. Antes das discussões regulatórias no Japão, a empresa ainda explorava stablecoins vinculadas ao iene e ao dólar com o GMO Internet Group.

Essa iniciativa abrangia suporte regulatório, infraestrutura de blockchain e operações de retaguarda. Nesse contexto, Jez Mohideen, cofundador e CEO do Laser Digital, afirmou que o mercado japonês entrava em uma nova fase de maturidade.

“À medida que investidores institucionais ampliam o interesse por essa classe de ativos, continua existindo a necessidade de contrapartes confiáveis e de infraestrutura criada especificamente para suas exigências.”

Japão aproxima criptomoedas das regras financeiras

O registro ocorreu pouco depois de o Japão concluir uma legislação que modifica o tratamento das criptomoedas em suas leis financeiras. Em julho, o país classificou os ativos digitais como produtos financeiros sob a Lei de Instrumentos Financeiros e Câmbio.

Com a mudança, os ativos digitais passam a ocupar uma categoria jurídica separada, ao lado de produtos como ações e títulos. Durante anos, o Japão regulou principalmente os criptoativos por meio da Lei de Serviços de Pagamento.

O novo modelo introduzirá restrições contra negociações com informação privilegiada em transações de criptomoedas. Além disso, emissores de determinados ativos digitais terão obrigações anuais de divulgação.

As autoridades também aumentarão as penalidades aplicadas a empresas que operarem sem registro quando as regras entrarem em vigor. A legislação ainda cria uma base jurídica para mudanças na tributação dos ganhos com criptomoedas.

Atualmente, o Japão classifica os lucros individuais com criptomoedas como renda diversa. Por isso, as alíquotas podem alcançar cerca de 55%. O modelo planejado poderá aplicar tributação separada aos ganhos qualificados, com taxa efetiva próxima de 20%.

Tributação e ETFs podem avançar a partir de 2027

As disposições tributárias devem entrar em vigor em janeiro de 2028 e alcançar o ano fiscal japonês de 2027. Já a lei financeira alterada deverá vigorar em até um ano após sua promulgação.

Portarias do gabinete e diretrizes de supervisão definirão os requisitos detalhados. Além disso, o novo arcabouço estabelece uma base jurídica para ETFs locais de criptomoedas à vista.

O Japan Exchange Group considera permitir listagens desses produtos a partir de 2027. Entretanto, as autoridades ainda não confirmaram a aprovação de ETFs de Bitcoin à vista.

Antes da conclusão da nova lei, grandes grupos japoneses de corretagem já se preparavam para oferecer produtos de investimento. Em maio, SBI, Rakuten e Nomura desenvolviam ou avaliavam fundos ligados a criptomoedas.

SBI Securities e Rakuten Securities trabalhavam internamente em seus produtos. Por sua vez, Nomura, Daiwa e empresas relacionadas a SMBC e Mizuho analisavam ofertas semelhantes.

Esses fundos poderão oferecer exposição a criptomoedas por meio de contas convencionais de valores mobiliários, desde que cumpram as exigências regulatórias. O roteiro japonês também inclui planos para permitir que fundos e ETFs detenham Bitcoin e Ethereum.

Liquidez permanece como prioridade inicial

A Nomura lançou o Bitcoin Adoption Fund do Laser Digital em 2023. O produto oferece exposição comprada em Bitcoin a investidores institucionais. Paralelamente, a empresa avançou em finanças tokenizadas e projetos de infraestrutura de blockchain.

No Japão, contudo, a prioridade imediata continua sendo o fornecimento de liquidez a empresas locais registradas. As futuras ofertas institucionais dependerão da definição dos produtos e da estratégia comercial da subsidiária.

Steve Ashley, cofundador e presidente executivo do Laser Digital, afirmou que investidores profissionais procuram acesso com estrutura apropriada para operações institucionais. Para o executivo, a qualidade dessa infraestrutura tornou-se uma exigência central.

“Investidores sofisticados buscam cada vez mais acesso e a qualidade necessária de infraestrutura por trás dele.”