Economia da China desacelera com consumo e imóveis fracos
A economia da China perdeu força em julho, pressionada pelo menor ritmo das fábricas, pelo consumo fraco e pela queda dos investimentos. Ao mesmo tempo, a piora do setor imobiliário ampliou a pressão sobre a demanda interna.
A produção industrial cresceu 4,5% na comparação anual, abaixo dos 5,3% registrados em junho. O resultado também ficou aquém da previsão de 4,8% dos economistas. Assim, o indicador apresentou seu primeiro enfraquecimento em três meses.
Consumo e investimentos aprofundam a desaceleração
As vendas no varejo avançaram apenas 0,6% em julho, após crescerem 1% em junho. Além disso, o indicador ficou abaixo da projeção de alta de 1,5%. Sem considerar automóveis, as vendas aumentaram 2,5%.
Por sua vez, o investimento em ativos fixos, excluindo domicílios rurais, caiu 6,7% entre janeiro e julho. No primeiro semestre, a contração havia alcançado 5,7%. Considerando somente julho, o indicador recuou 1,42% ante junho, com ajuste sazonal.
O investimento não governamental diminuiu 9,4%, enquanto o investimento em manufatura caiu 1,7%. Também houve baixa de 3,6% nos investimentos em infraestrutura. Dessa forma, os números ampliaram os sinais de fraqueza entre empresas e famílias.
Vendas de veículos registram forte retração
Os indicadores do setor automotivo também recuaram. Dados oficiais mostraram uma queda de 17% nas vendas varejistas de veículos automotores. Já as vendas de automóveis de passeio diminuíram 20,9% na comparação anual, para 1,461 milhão de unidades.
Em relação a junho, o volume de automóveis de passeio ficou 8,8% menor. Ainda assim, a participação dos veículos de nova energia atingiu o recorde de 65,1%. O desempenho mostrou que a adoção dessas tecnologias avançou mesmo diante da contração do mercado automotivo.
A publicação do The Kobeissi Letter observou que o crescimento industrial perdeu ritmo enquanto o varejo registrou uma das menores leituras em pelo menos 18 meses. O perfil também relacionou esse cenário ao enfraquecimento das compras de veículos de passeio.

Fonte: The Kobeissi Letter, no X.
Setor imobiliário amplia a pressão doméstica
O setor imobiliário permaneceu como um dos principais fatores de pressão. O investimento em desenvolvimento imobiliário caiu 19,2%, para 4,30 trilhões de yuans, nos primeiros sete meses do ano. Além disso, o início de novas construções recuou 24%.
A área vendida de imóveis comerciais diminuiu 11,8%, enquanto o valor das vendas caiu 13,1%. Em paralelo, os recursos disponíveis para incorporadoras recuaram 20,3%. Os empréstimos domésticos destinados às empresas do setor tiveram queda ainda maior, de 32,1%.
Com isso, os dados reforçaram o estresse financeiro persistente no mercado imobiliário. A retração do setor também limitou os investimentos e reduziu a confiança das famílias.
Exportações contrastam com a demanda interna fraca
Em contraste com a atividade doméstica, as exportações chinesas saltaram 23,9% em julho, na comparação anual. Os embarques de semicondutores, produtos de alta tecnologia e veículos impulsionaram o resultado. As exportações de alta tecnologia, especificamente, cresceram 40,7%.
O setor externo ajudou a compensar parte da fraqueza do consumo e do investimento privado. Enquanto isso, as vendas online de bens aumentaram 4,6% entre janeiro e julho. As vendas varejistas de equipamentos de telecomunicações subiram 15,1% no mesmo período.
Inflação moderada e desemprego jovem pressionam consumo
Apesar do avanço das exportações, a inflação permaneceu moderada. Os preços ao consumidor subiram 0,5% em julho, na comparação anual. Porém, o índice caiu 0,1% em relação a junho.
O mercado de trabalho também mostrou sinais de enfraquecimento. O desemprego urbano entre pessoas de 16 a 24 anos, excluindo estudantes, aumentou de 14,9% para 17,9%. Esse foi o maior nível em 11 meses e criou outra limitação para o consumo.
Nesse cenário, o primeiro-ministro Li Qiang reconheceu a insuficiência da demanda doméstica e pediu apoio mais forte à atividade. O PIB do segundo trimestre já havia desacelerado para 4,3%. A taxa ficou abaixo da meta oficial de crescimento para 2026, estabelecida entre 4,5% e 5%.
Os dados de julho mostraram uma economia dividida. De um lado, as exportações permaneceram resilientes. Do outro, consumo, investimento privado, imóveis e emprego jovem continuaram sob pressão.