Bitcoin é energia digital, afirma Michael Saylor
Michael Saylor voltou a defender o Bitcoin em 23 de agosto. Para ele, a tecnologia converte valor econômico em formato digital. Assim, indivíduos, empresas e governos podem manter e transferir esse valor.
Em uma publicação no X, Saylor definiu o Bitcoin como uma forma de energia econômica digital. Contudo, a expressão representa uma metáfora e uma tese de investimento. Portanto, ela não corresponde a uma classificação contábil, jurídica ou técnica.
“O avanço mais profundo do Bitcoin é a capacidade de converter energia econômica em forma digital e vinculá-la com segurança a uma pessoa, família, empresa, máquina ou nação.”
Oferta limitada sustenta a tese de energia digital
Saylor compara dinheiro e capital a uma energia armazenada ao longo do tempo. Nesse modelo, a oferta limitada do Bitcoin ajuda a preservar valor. Além disso, seu sistema descentralizado permite transferências sem a dependência de um banco ou governo específico.
Por outro lado, essa interpretação não elimina o risco de preço. A cotação em dólar pode oscilar rapidamente. Enquanto isso, empresas que acumulam Bitcoin continuam pagando salários, dívidas e dividendos em moedas convencionais.
A Strategy aplica essa tese por meio da maior tesouraria corporativa de Bitcoin divulgada publicamente. Seu mais recente registro na SEC informou a posse de 840.447 BTC em 16 de agosto. A quantidade representa aproximadamente 4% do limite de 21 milhões de Bitcoins.
Posição supera o custo agregado de aquisição
A Strategy adquiriu seus Bitcoins por US$ 63,36 bilhões, incluindo taxas. Com isso, o custo médio alcançou US$ 75.385 por unidade. A comparação com o limite total, entretanto, também considera Bitcoins que ainda não foram minerados.
Em 23 de agosto, a cotação do Bitcoin estava próxima de US$ 77.175. Nesse preço, a posição da Strategy valia cerca de US$ 64,86 bilhões. Logo, o valor de mercado superava o custo agregado em aproximadamente US$ 1,50 bilhão.
Esse cálculo acompanha o mercado e não representa um lucro fixo para a companhia. Afinal, o resultado muda imediatamente conforme o preço do Bitcoin. A estimativa também não considera dívidas, dividendos preferenciais, despesas operacionais ou impostos.
Ações preferenciais compõem produtos da Strategy
A Strategy chama sua plataforma de mercado de capitais de “Crédito Digital”. A categoria inclui ações preferenciais negociadas em bolsa, como STRC, STRF, STRK e STRD. Apesar do nome comercial, esses produtos não são emitidos como tokens em blockchain.
A STRC é uma ação preferencial perpétua de taxa variável negociada na Nasdaq. O papel tem valor declarado de US$ 100. Porém, os investidores recebem dividendos em dinheiro somente quando o conselho da Strategy aprova os pagamentos.
O prospecto da STRC alerta sobre a possibilidade de o preço se afastar dos US$ 100. Ainda assim, a empresa adotou recompras e ajustes de dividendos para apoiar a ação.
O documento de 17 de agosto informou gastos de US$ 132,2 milhões com a recompra de 1,39 milhão de ações STRC. A operação ocorreu na semana anterior. Para financiar as compras, a companhia vendeu ações ordinárias MSTR, sem usar obrigações de Bitcoin tokenizadas.
Reserva em dólar alcança US$ 4,80 bilhões
Em uma operação anterior, a Strategy vendeu 1.690 BTC por US$ 108,6 milhões. Depois, a empresa destinou os recursos às recompras de STRC. A distinção temporal evita confundir essa venda com as operações realizadas entre 10 e 16 de agosto.
Entre 10 e 16 de agosto, a companhia levantou US$ 333,7 milhões com a venda de aproximadamente 3,46 milhões de ações MSTR. Desse total, reservou US$ 52,4 milhões para dividendos da STRC. Outros US$ 132,2 milhões financiaram recompras, enquanto US$ 149,1 milhões reforçaram a reserva em dólar.
A reserva atingiu US$ 4,80 bilhões e deve apoiar dividendos preferenciais e pagamentos de juros. Durante esse intervalo, a companhia não comprou nem vendeu Bitcoin. Dessa forma, o saldo permaneceu em 840.447 BTC em 16 de agosto.
O diretor executivo Phong Le afirmou que a Strategy espera retomar o acúmulo de Bitcoin. Antes disso, a empresa pretende acompanhar a recuperação da STRC em direção ao valor declarado de US$ 100. No entanto, não anunciou uma data de compra nem apresentou um cronograma vinculante.
Os próximos registros enviados à SEC devem indicar a estratégia de alocação da companhia. Eles mostrarão se a empresa ampliará suas reservas de Bitcoin, venderá mais ações ordinárias ou continuará direcionando capital à STRC.