Kraken relata ataque de poeira ligado à HTX
Clientes da Kraken perderam temporariamente o acesso às contas após receberem pequenas quantias de fundos digitais sancionados. A corretora classificou as transferências como um ataque de poeira. Nesse tipo de ação, alguém envia valores mínimos a vários endereços para rastrear movimentações e reduzir o anonimato dos usuários.
De acordo com a Kraken, as transações também buscavam acionar verificações de conformidade em outras plataformas. Para isso, os responsáveis espalharam fundos sujeitos a sanções entre contas de diferentes clientes. Assim, a operação poderia provocar bloqueios e interrupções em larga escala.
Transferências acionaram controles de conformidade
A Kraken afirmou que não identificou os responsáveis pela ação. No entanto, a corretora acredita que o objetivo era fazer os sistemas de conformidade bloquearem contas após o recebimento dos fundos. Com isso, os autores poderiam prejudicar as operações da plataforma e afetar muitos clientes.
“Não sabemos quem está por trás desses ataques. Eles provavelmente esperam que a chegada de fundos sancionados à conta de um cliente acione um bloqueio completo. Isso causaria interrupções operacionais para um grande número de usuários. Estamos trabalhando com as autoridades para garantir que esses ataques não tenham o impacto pretendido.”
Apesar da tentativa, os clientes permaneceram sem acesso somente por um breve período. A equipe de conformidade restaurou as contas rapidamente e reteve os fundos sancionados, conforme as exigências aplicáveis. Ao mesmo tempo, a corretora iniciou uma colaboração com as autoridades para limitar os efeitos da ação.
A Kraken declarou que os ataques recentes partiram de carteiras controladas pela HTX. Conforme a empresa, os responsáveis aparentemente buscavam distribuir fundos sancionados pelo Reino Unido e pela União Europeia. A corretora também avaliou que a iniciativa poderia tentar desacreditar o setor de criptomoedas.
Carteira ligada à HTX realizou 12 mil transferências
Dados da Arkham Intelligence indicaram que uma carteira realizou 12 mil transferências desse tipo durante este mês. Os envios tiveram como destino endereços associados à Kraken. A plataforma de análise vinculou a carteira à HTX por meio de endereços divulgados publicamente na prova de reservas da exchange.
A HTX, antiga Huobi, é uma exchange de origem chinesa e está entre as maiores corretoras de criptomoedas do mundo. Em julho, a União Europeia sancionou a empresa. Segundo as autoridades europeias, a plataforma ajudou cidadãos russos a contornar sanções.
Na prática, o episódio mostra como transferências de valor muito baixo podem gerar consequências maiores em plataformas centralizadas. Os controles de conformidade precisam analisar a origem dos recursos, mesmo quando o destinatário não solicitou nem autorizou o envio. Por isso, uma ação coordenada pode atingir diversos usuários ao mesmo tempo.
Ataques anteriores envolveram a Tornado Cash
O ataque de poeira não representa uma prática nova no setor. Em 2022, uma pessoa enviou Ethereum de uma carteira da Tornado Cash para endereços de celebridades. A ação ocorreu um dia após o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos sancionar o protocolo de mistura de fundos digitais.
Grupos de hackers patrocinados pelo Estado da Coreia do Norte utilizavam o protocolo sancionado. Entre os destinatários da ação estavam o comediante Jimmy Fallon, o youtuber Logan Paul e Brian Armstrong, CEO da Coinbase. Contudo, nenhum deles precisava aceitar previamente os valores enviados aos endereços públicos.
Na ocasião, autoridades federais afirmaram que não processariam as celebridades que receberam os fundos sancionados. Agora, o caso da Kraken demonstra outro efeito dessa estratégia. Mesmo transferências mínimas e não solicitadas podem acionar controles de sanções e interromper temporariamente o acesso de clientes às corretoras.