Bitcoin: opções expõem faixa de US$ 68 mil a US$ 75 mil
O mercado de opções de Bitcoin reúne 130.670 BTC em contratos abertos para o vencimento no fim de setembro. Em agosto, o total chegava a 79.003 BTC. A diferença sugere um posicionamento maior antes da decisão monetária de setembro.
Entretanto, Martin Lee, líder de insights de mercado da DWF Labs, afirmou que o aumento não está ligado principalmente ao banco central dos Estados Unidos. Os vencimentos trimestrais de setembro e dezembro concentram 59,3% de todos os contratos abertos. Portanto, a estrutura do mercado explica parte relevante do volume.
Vencimentos trimestrais ampliam contratos de Bitcoin
Segundo Lee, os traders costumam transferir posições para vencimentos trimestrais. Assim, o tamanho do livro de setembro não comprova uma aposta concentrada na decisão do Federal Reserve em 16 de setembro.
Os cinco maiores preços de exercício representam 31% dos contratos abertos de setembro. A mesma concentração aparece nos vencimentos de dezembro e março. Esse padrão reforça a interpretação de uma estrutura trimestral recorrente.
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Contratos abertos | 130.670 | 79.003 | Setembro apresenta volume nominal maior |
Tamanho relativo | 1,65 | Base | O volume cresceu, mas não dobrou |
Cinco maiores preços de exercício | 31% | N/D | Concentração semelhante à de outros trimestres |
Vencimentos trimestrais | 59,3% | N/D | Setembro e dezembro absorvem posições transferidas |
Na semana da reunião do Fed em julho, o mercado negociou 14.983 contratos. Lee classificou esse volume como intermediário para o período de verão no Hemisfério Norte. Contudo, a atividade aumentou fortemente algumas semanas depois.
Por volta de 19 de agosto, o volume semanal alcançou 64.749 contratos. O resultado representa mais de quatro vezes o número registrado na semana da reunião de julho. Naquele período, o Tesouro dos Estados Unidos também anunciou a ampliação das recompras de títulos para apoiar a liquidez de longo prazo.
O limite máximo por operação passou de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões, com vigência a partir de 9 de setembro. Relatos associaram a medida ao alívio dos rendimentos longos e à retomada da tese de desvalorização do dólar. Nesse ambiente, Bitcoin e ouro avançaram.
O Bitcoin saiu de US$ 64.100 e encerrou aquela semana perto de US$ 77.000. Esse movimento liquidou aproximadamente US$ 4 bilhões em posições vendidas. Separadamente, Stanley Druckenmiller criticou a ampliação das recompras por considerar que a medida prejudica a credibilidade do Tesouro.
Opções de compra passam a negociar com prêmio
Durante quase um ano, as opções de venda, conhecidas como puts, permaneceram mais caras que as opções de compra, chamadas de calls. O vencimento de dezembro apresentou mediana mensal negativa entre dezembro de 2025 e agosto de 2026. Nesse intervalo, apenas três das 224 sessões registraram leituras diárias positivas.
Agora, as calls para o fim de setembro negociam 0,97 ponto de volatilidade acima das puts. Em 3 de agosto, elas custavam 4,96 pontos de volatilidade a menos. Logo, o mercado registrou uma virada de quase seis pontos em favor das posições de alta.
Os ETFs spot de Bitcoin negociados nos Estados Unidos receberam cerca de US$ 1,92 bilhão na semana anterior. Esse foi o maior ritmo semanal de entradas em 2026. Com isso, os traders encontraram um motivo adicional para buscar calls.
Faixa de US$ 78 mil a US$ 82 mil concentra calls
A maior call de setembro está no preço de exercício de US$ 70.000, com 11.308 contratos. Porém, o Bitcoin já negociava 9,8% acima desse nível. A posição, portanto, estava profundamente dentro do dinheiro.
Lee considera que esses contratos representam uma exposição antiga. Provavelmente, os traders abriram as posições quando o Bitcoin estava na faixa inferior dos US$ 60.000. Enquanto isso, 27% dos contratos abertos de setembro estão mais de 30% distantes do preço à vista.
Em agosto, essa proporção era de 13%. Desse modo, o livro de setembro possui uma parcela maior de estruturas distantes, baratas e com baixa probabilidade de entrar em jogo. A comparação também reduz a relevância do volume nominal isolado.
A faixa entre US$ 78.000 e US$ 82.000 reúne a concentração com maior chance de permanecer ativa. Três preços de exercício nessa região somam aproximadamente 14.000 contratos. Acima dela, US$ 100.000 funciona como referência psicológica, mas não representa uma previsão de preço.
Proteção diminui na faixa inferior dos US$ 70 mil
O mercado costuma avaliar o posicionamento pelas principais barreiras de calls e puts ao redor do preço à vista. No entanto, os dados de Lee destacam outro aspecto: a região na qual o livro oferece menos proteção.
O vencimento de setembro registra 1,8 call para cada put. As posições de alta mais ativas se concentram entre US$ 78.000 e US$ 100.000. Em contraste, a proteção mais pesada contra quedas aparece em US$ 60.000 ou abaixo.
Esse seguro cobre uma baixa severa e desordenada, não uma correção comum. Entre cerca de US$ 60.000 e US$ 75.000, o livro se torna consideravelmente mais fino. Lee resumiu o risco:
❝ Uma queda acentuada para a faixa inferior dos US$ 70.000 cairia na parte mais fina do livro.❞
Na semana anterior, o mercado também deixou de pagar um prêmio elevado pela proteção contra esse movimento. Por isso, uma queda até essa região atingiria o trecho com menor cobertura imediata.
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US$ 82.000 a US$ 100.000 | Concentração de calls | A continuidade da alta validaria o novo prêmio |
US$ 78.000 a US$ 82.000 | Posições | Primeira região relevante para as calls |
US$ 68.000 a US$ 75.000 | Proteção | Área vulnerável durante uma queda acentuada |
US$ 60.000 ou menos | Proteção | Seguro contra uma baixa extrema |
Livro completo | 1,8 | Posicionamento inclinado para a alta |
Cenários dependem de rendimentos, Fed e ETFs
O cenário altista depende da continuidade da desvalorização do dólar, de novos recuos dos rendimentos longos e da demanda dos ETFs. Nessas condições, o Bitcoin poderia avançar em direção à faixa entre US$ 82.000 e US$ 100.000.
Já o cenário baixista inclui a recuperação dos rendimentos longos ou um discurso mais duro do Fed. A perda de força da operação do Tesouro também elevaria o risco. Nesse caso, o Bitcoin poderia recuar para a faixa entre US$ 68.000 e US$ 75.000.
Os dados identificam justamente essa área como o ponto mais vulnerável do livro. O mercado passou meses pagando mais por proteção contra quedas. Agora, porém, a faixa inferior dos US$ 70.000 reúne menos participantes protegidos.