Saitama: juiz nega recurso de Manpreet Kohli no Reino Unido
Um juiz britânico rejeitou a contestação de Manpreet Kohli, ex-CEO da Saitama, contra sua extradição aos Estados Unidos. No país, ele responde a acusações relacionadas à suposta manipulação do mercado de criptomoedas. O processo agora seguirá para análise do governo do Reino Unido.
Com a decisão judicial, as autoridades britânicas avaliarão se Kohli deve ser enviado aos Estados Unidos para julgamento. Ainda assim, o ex-executivo poderá apresentar uma nova contestação. Essa medida poderia prolongar sua permanência no Reino Unido por vários meses.
Defesa alegou riscos à saúde mental
O juiz Samuel Goozee emitiu a decisão em 19 de agosto e rejeitou os argumentos apresentados pela defesa. Em especial, os advogados apontaram preocupações com a saúde mental de Kohli. Eles alegaram que as autoridades americanas não conseguiriam administrar seu risco de suicídio durante a custódia.
No entanto, Goozee concluiu que o sistema prisional dos Estados Unidos e o processo de transferência oferecem salvaguardas suficientes. Por isso, o magistrado considerou que essas medidas reduzem os riscos a um nível aceitável. Kohli permanece em liberdade sob fiança de 200 mil libras, valor equivalente a cerca de US$ 272,4 mil.
Indiciamento permanece em vigor nos Estados Unidos
Enquanto isso, um juiz federal de Boston rejeitou, em agosto, uma tentativa separada de Kohli para arquivar a acusação americana. Na ocasião, os advogados argumentaram que o Saitama não poderia receber legalmente a classificação de valor mobiliário nos Estados Unidos. O tribunal, porém, não aceitou a tese da defesa.
Com isso, o indiciamento contra o ex-CEO permanece em vigor. Promotores americanos acusam Kohli de fraude eletrônica, manipulação de mercado, conspiração e operação de um negócio de transmissão de dinheiro sem licença. O caso envolve o Saitama, baseado na rede Ethereum, que alcançou uma capitalização máxima reportada de US$ 7,5 bilhões.
Promotores apontam negociações artificiais
De acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Kohli e outras 17 pessoas coordenaram compras do Saitama por meio de várias carteiras. Para isso, o grupo teria distribuído as operações com o objetivo de inflar artificialmente a atividade de negociação. Os acusados também teriam contratado empresas formadoras de mercado, incluindo ZM Quant e Gotbit.
Segundo os promotores, essas empresas realizaram wash trading em diversas exchanges. Essa prática consiste na execução de negociações coordenadas para criar uma aparência enganosa de demanda e liquidez. Ao mesmo tempo, Kohli e outros executivos teriam negado publicamente a venda de suas posições, enquanto liquidavam unidades em operações privadas.
A acusação estima que Kohli obteve pessoalmente cerca de US$ 20 milhões com essas vendas. Em 9 de outubro de 2024, dois dias após sua prisão em Londres, o Departamento de Justiça tornou públicas as acusações. A iniciativa integrou a Operação Token Mirrors, investigação mais ampla sobre fraudes e volumes de negociação artificialmente inflados.
Gotbit admitiu manipulação de preços e volumes
Já em junho de 2025, a Gotbit admitiu ter manipulado preços e volumes para clientes, incluindo a Saitama. Como resultado, a empresa recebeu uma ordem de confisco no valor de US$ 23 milhões. Aleksei Andriunin, fundador da Gotbit, também recebeu uma pena de oito meses de prisão.
Por sua vez, os advogados de Kohli não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. Nesse cenário, o caso avança enquanto autoridades de vários países ampliam a fiscalização de esquemas que simulam atividade de negociação. O processo também reforça o escrutínio sobre promoção, negociação e regulação de produtos digitais.