Bitcoin ficaria bem sob democratas, avalia VanEck
O Bitcoin não enfrentaria necessariamente um cenário negativo caso os democratas retomassem o poder nos Estados Unidos. A avaliação é de Matthew Sigel, chefe de pesquisa de ativos digitais da VanEck. Para ele, outras criptomoedas poderiam encontrar mais dificuldades sob uma nova administração democrata.
Em entrevista à CNBC na quarta-feira, Sigel também afirmou que o governo do ex-presidente Joe Biden não foi contrário ao Bitcoin. Dessa forma, o analista separou o desempenho do principal ativo digital dos desafios regulatórios enfrentados pelo restante do setor.
VanEck diferencia Bitcoin do restante do mercado
Republicanos criticaram repetidamente os democratas por uma suposta postura contrária às criptomoedas. Durante o governo Biden, reguladores abriram diversos processos contra empresas de ativos digitais. Ainda assim, Sigel argumentou que esse ambiente não prejudicou necessariamente o Bitcoin.
“Biden foi, na verdade, adequado para o Bitcoin. São as demais criptomoedas que podem ter um problema se os democratas voltarem ao poder.”
Sigel também citou o crescimento da ala socialista do Partido Democrata. Na avaliação do executivo, muitas pessoas em Nova York voltaram a reconhecer o valor de um recurso descentralizado e escasso. Esse recurso, acrescentou, não pode ser impresso nem gasto em iniciativas que considera sem sentido.
Portanto, Sigel acredita que as características do Bitcoin podem preservar seu apelo em um ambiente político menos favorável ao mercado cripto. A escassez programada e a ausência de uma autoridade central sustentam essa diferenciação em relação a outras criptomoedas.
Trump pressiona Congresso pelo Clarity Act
O presidente Donald Trump fez campanha com a promessa de apoiar a indústria de ativos digitais. Desde então, ele assinou ordens executivas favoráveis ao setor, incluindo a criação de uma Reserva Estratégica de Bitcoin. Sua vitória eleitoral em 2024 também acompanhou uma forte valorização do Bitcoin e uma nova máxima no ano seguinte.
Depois de alguns meses de menor atividade em 2026, o Bitcoin voltou a avançar na semana passada. O movimento ocorreu após Trump pressionar parlamentares pela aprovação do aguardado Clarity Act. Nos últimos sete dias, a cotação subiu quase 24% e alcançou US$ 81.160 nesta semana.
Posteriormente, o preço recuou para US$ 78.438. Parlamentares favoráveis às criptomoedas esperavam aprovar o projeto antes do recesso de agosto do Congresso. Contudo, a votação foi transferida para setembro depois que democratas rejeitaram a versão mais recente do texto.
Alguns senadores republicanos acusaram os democratas de atrasar deliberadamente a legislação. O Clarity Act pretende estabelecer um marco legal para classificar ativos digitais como valores mobiliários, commodities ou stablecoins de pagamento. O projeto também definiria qual regulador deve supervisionar cada categoria.
Coinbase aponta apoio entre democratas mais jovens
As declarações de Sigel acompanham a visão de Faryar Shirzad, diretor de políticas da Coinbase. Em julho, o executivo afirmou que as criptomoedas representavam “talvez a questão mais bipartidária em Washington”. No entanto, ele reconheceu que alguns parlamentares continuavam segurando o avanço do marco regulatório.
Ao comentar o adiamento da votação, Shirzad destacou o apoio de democratas mais jovens. Para o executivo, parte relevante da oposição reflete uma divisão geracional dentro do partido. Os integrantes mais novos, em sua avaliação, compreendem melhor a tecnologia e as mudanças no sistema financeiro.
❝Grande parte da oposição é geracional. São democratas que se opõem, mas membros mais jovens entendem a tecnologia e entendem que o dinheiro está se transformando.❞
Em entrevista ao programa Rising, do The Hill, Shirzad afirmou que as formas de interação financeira precisam se adaptar. Assim, ele descreveu a disputa regulatória como parte de uma mudança geracional mais ampla.
O cenário combina a recuperação recente do Bitcoin, a disputa política pelo Clarity Act e diferentes posições dentro do Partido Democrata. Apesar das incertezas regulatórias, Sigel sustenta que uma eventual volta dos democratas ao poder não prejudicaria necessariamente o Bitcoin.