EUA movem Bitcoin apreendido da Alameda Research

O governo dos Estados Unidos transferiu uma pequena quantidade de Bitcoin apreendido em contas da Alameda Research na Binance.US. As autoridades confiscaram os recursos cerca de três anos antes. Contudo, não informaram o volume, o destino nem a finalidade da operação.

A Arkham Intelligence identificou a transação em 26 de agosto e rastreou os recursos até contas vinculadas à Alameda. A movimentação voltou a direcionar a atenção para o destino dos valores restantes ligados à empresa.

“O governo dos EUA acabou de mover uma pequena quantidade de Bitcoin que havia sido apreendida de contas da Alameda na Binance.US, há três anos.”

Arkham Intelligence, no X

A Arkham não classificou a operação como venda. Portanto, a finalidade da transferência continua sem confirmação oficial.

Transferência de Bitcoin não comprova venda

Uma transferência de Bitcoin registra uma mudança de custódia ou localização na blockchain. Porém, a operação isolada não revela se o governo vendeu os recursos.

O envio para outra carteira estatal pode atender a procedimentos de custódia, contabilidade ou segurança. Por outro lado, uma remessa para uma corretora pode viabilizar uma venda futura. Ainda assim, o depósito não comprova que uma negociação ocorreu.

O endereço de destino tem importância porque agências federais utilizam regularmente a Coinbase Prime para administrar bens digitais apreendidos. A plataforma institucional oferece custódia e negociação. Dessa forma, um depósito pode atender a diferentes finalidades.

Em julho de 2026, carteiras ligadas ao governo transferiram quase US$ 297 milhões em Bitcoin e Ether apreendidos para a Coinbase Prime. A operação reuniu cerca de 3.940 BTC e 30.014 ETH associados a diferentes casos de aplicação da lei.

O lote incluía Bitcoin ligado a Ryan Farace, traficante de drogas online conhecido como “Xanaxman”, e à extinta exchange BTC-e. Também continha Ether relacionado a outro caso de lavagem de dinheiro.

Registros públicos da blockchain não revelam se um depósito em corretora resultou em uma negociação. Essa limitação também se aplica à transferência mais recente vinculada à Alameda.

Ativos da Alameda tiveram transferências em 2026

Carteiras federais processaram outros bens apreendidos ligados à Alameda e à FTX em 2026. Essas operações mostram como as autoridades administraram posições menores em diferentes tokens.

Governo movimentou tokens ligados à FTX

Em maio, a Arkham afirmou que o governo transferiu cerca de US$ 1,89 milhão para a Coinbase Prime. O lote incluía Render, Uniswap, The Sandbox, Mask Network e Axie Infinity.

A empresa rastreou os tokens até um conjunto de aproximadamente US$ 13 milhões em bens da Alameda. As autoridades haviam apreendido esses recursos em contas da Binance mais de três anos antes.

Em junho, carteiras governamentais movimentaram quase US$ 984 mil em criptomoedas ligadas à FTX e à Alameda. Pelo menos US$ 768 mil seguiram para a Coinbase Prime.

Na ocasião, a Arkham afirmou que o governo encaminharia os recursos para a massa falida da FTX. O objetivo seria ajudar no reembolso dos credores. A transação incluía Chainlink e vários tokens de menor valor.

Já em dezembro de 2024, carteiras federais movimentaram mais de US$ 33 milhões em criptomoedas ligadas à Alameda. O lote reunia cerca de US$ 18 milhões em Ether e US$ 13 milhões em BUSD. Havia ainda valores menores em Wrapped Bitcoin, Shiba Inu e Axie Infinity.

A Arkham informou que os recursos seguiram para um endereço recém-criado. A empresa apontou possíveis explicações, como distribuição aos credores, consolidação de carteiras e gestão patrimonial. Entretanto, nenhuma dessas hipóteses recebeu confirmação.

Reserva dos EUA limita vendas de Bitcoin

O presidente Donald Trump assinou, em março de 2025, uma ordem executiva que criou a Reserva Estratégica de Bitcoin. O texto determinou que o Departamento do Tesouro financiasse a reserva com Bitcoin definitivamente confiscado em processos criminais ou civis.

A ordem impede a venda do Bitcoin incorporado à reserva. Assim, o governo deve manter esses recursos como parte de suas reservas nacionais. Uma estimativa apontou que os Estados Unidos controlavam aproximadamente 198 mil BTC em meados de 2026.

Rastreadores públicos, no entanto, apresentam totais diferentes. As divergências decorrem dos endereços e das categorias jurídicas que cada plataforma considera.

Mesmo assim, a ordem da Casa Branca não proíbe a alienação de todo Bitcoin apreendido. As agências podem devolver recursos a vítimas verificadas, cumprir decisões judiciais e apoiar operações de aplicação da lei. Além disso, devem observar as normas federais de confisco.

Nesse contexto, o status jurídico determina como o governo pode tratar cada recurso. Bitcoin definitivamente confiscado e incorporado à reserva recebe tratamento diferente de bens envolvidos em processos judiciais ou compensações.

A Casa Branca também criou um Estoque de Ativos Digitais dos EUA para bens confiscados que não sejam Bitcoin. Nesse caso, o Tesouro possui maior flexibilidade para administrar ou vender os tokens.

Nenhuma agência federal informou se o Bitcoin movimentado em 26 de agosto entrou na reserva. Do mesmo modo, as autoridades não esclareceram se os recursos continuam vinculados à recuperação da FTX.

Credores da FTX mantêm interesse nos recursos

A Alameda Research atuava como empresa de negociação associada à FTX antes do colapso da exchange, em novembro de 2022. Posteriormente, promotores federais acusaram Sam Bankman-Fried de usar depósitos de clientes para financiar operações, investimentos e empréstimos da Alameda.

O Departamento de Justiça afirmou que Bankman-Fried desviou bilhões de dólares depositados por clientes da FTX. Conforme a acusação, ele também concedeu à Alameda acesso aos recursos.

Em novembro de 2023, um júri federal condenou Bankman-Fried por sete acusações. Entre elas estavam fraude eletrônica e conspirações para fraudes de valores mobiliários e commodities. O veredicto também incluiu conspiração para lavagem de dinheiro.

Em março de 2024, o juiz federal Lewis Kaplan condenou Bankman-Fried a 25 anos de prisão. A sentença incluiu o confisco de mais de US$ 11 bilhões. Enquanto isso, os promotores calcularam perdas superiores a US$ 8 bilhões para os clientes da FTX.

Por isso, o destino do Bitcoin da Alameda permanece relacionado aos processos de recuperação e às normas federais de confisco. A transferência de agosto não esclarece se houve venda nem qual será o uso final dos recursos.