AstraZeneca cai apesar de avanço do Tezspire em teste
Na quinta-feira, as ações da AstraZeneca caíram cerca de 2% no pré-mercado. O movimento ocorreu apesar dos resultados positivos do Tezspire em um estudo clínico de fase avançada. A farmacêutica informou que o medicamento atingiu todos os objetivos principais da pesquisa.
O estudo avaliou o Tezspire no tratamento da esofagite eosinofílica, uma doença inflamatória crônica do esôfago. Atualmente, o medicamento já atua como tratamento adicional para asma grave. Os novos dados podem apoiar uma futura ampliação de suas indicações.
Ações recuam mesmo com resultados clínicos positivos
A AstraZeneca e a Amgen desenvolvem o Tezspire em parceria. As ações da Amgen também recuaram após a divulgação dos resultados. Assim, os papéis das duas empresas caíram mesmo diante de uma atualização clínica positiva.
No estudo, o medicamento cumpriu os objetivos primários e secundários. Além disso, os dados mostraram redução da inflamação no esôfago e melhora na dificuldade para engolir. Os pesquisadores observaram os dois resultados em comparação com o placebo.
A esofagite eosinofílica afeta mais de 470 mil pessoas nos Estados Unidos. Nesse quadro, alimentos podem descer lentamente pelo esôfago ou ficar presos. Como consequência, a doença pode tornar a alimentação difícil e estressante para os pacientes.
O Tezspire bloqueia uma proteína chamada TSLP, associada à inflamação ligada aos eosinófilos. Essas células são um tipo de glóbulo branco envolvido no processo inflamatório. O mesmo mecanismo também sustenta o uso do medicamento contra a asma grave.
Tratamentos atuais não controlam todos os casos
Segundo a AstraZeneca, quase metade dos pacientes não alcança controle adequado com os tratamentos iniciais disponíveis. O grupo também inclui adolescentes que convivem com a doença. Entre as opções atuais estão restrição alimentar, corticosteroides deglutidos e inibidores da bomba de prótons.
Atualmente, Estados Unidos, União Europeia e vários outros mercados aprovam o Tezspire para asma grave. Em 2025, o medicamento gerou US$ 1,13 bilhão em vendas para a AstraZeneca. Dessa forma, uma nova indicação poderia ampliar o potencial comercial do produto.
Entretanto, a companhia ainda não apresentou um cronograma para pedidos regulatórios baseados nos novos resultados. A empresa também não detalhou quando pretende enviar os dados às autoridades. Portanto, o mercado aguarda os próximos passos para essa indicação.
Resultados surgem após reveses no pipeline
Os dados positivos do Tezspire chegaram após uma sequência de contratempos no pipeline da AstraZeneca em 2026. Em julho, o Wainua falhou inesperadamente em um estudo sobre cardiomiopatia amiloide por transtirretina. A AstraZeneca desenvolve o medicamento com a Ionis Pharmaceuticals.
A cardiomiopatia amiloide por transtirretina é uma doença cardíaca grave. Depois, um estudo avançado do Ultomiris, voltado a doenças raras, também não atingiu seu objetivo. Esses resultados aumentaram a atenção do mercado sobre o desenvolvimento de novos produtos da empresa.
Em maio, um painel regulatório dos Estados Unidos rejeitou o camizestrant, medicamento contra o câncer de mama. A decisão ocorreu por causa de preocupações relacionadas ao desenho do estudo. Já em agosto, a companhia interrompeu uma pesquisa sobre o volrustomig contra o câncer de pulmão.
A AstraZeneca concluiu que o estudo do volrustomig provavelmente não alcançaria suas metas. Apesar disso, o desempenho clínico do Tezspire trouxe uma atualização favorável ao pipeline. A reação negativa das ações ocorreu em meio a esse histórico recente de resultados mistos.
Analistas mantêm avaliação positiva para AZN
Antes da sessão de quinta-feira, as ações AZN acumulavam queda de 3,63% em 2026. Mesmo assim, analistas de Wall Street mantinham uma visão majoritariamente positiva sobre o papel. O consenso indica confiança na empresa apesar dos reveses clínicos recentes.
Na TipRanks, a AstraZeneca apresenta consenso de compra forte. A classificação reúne 12 recomendações de compra, uma de manutenção e uma de venda. Por sua vez, o preço-alvo consensual está em US$ 221,40.
Esse valor representa um potencial de alta de 33% em relação aos níveis considerados na avaliação. Enquanto isso, o maior preço-alvo entre os analistas chega a US$ 275,35. As projeções permanecem positivas mesmo após a queda acumulada das ações no ano.
Os resultados contra a esofagite eosinofílica podem fortalecer a perspectiva comercial do Tezspire. Afinal, as vendas para asma já superaram US$ 1 bilhão em 2025. Contudo, a evolução dessa nova indicação ainda depende dos próximos passos clínicos e regulatórios da AstraZeneca.