Metaplanet transfere 1.350 Bitcoin à Coinbase Prime

A Metaplanet transferiu 1.350 Bitcoin, avaliados em cerca de US$ 108 milhões, para a Coinbase Prime em 28 de agosto. O movimento ocorreu enquanto o BTC encontrava dificuldades para se manter acima de US$ 80 mil.

A Lookonchain identificou os endereços de origem como pertencentes à empresa japonesa de tesouraria de Bitcoin, listada em Tóquio. Contudo, o envio à Coinbase Prime não confirma que a companhia vendeu os recursos.

Transferência amplia atenção sobre a Metaplanet

Uma transferência para a Coinbase Prime pode disponibilizar os recursos para serviços institucionais de negociação. Por isso, parte do mercado passou a considerar uma possível venda de uma parcela da posição da Metaplanet.

Entretanto, a Coinbase Prime também oferece custódia, financiamento e serviços de garantia. Dessa forma, a transação pode representar apenas uma reorganização operacional ou uma mudança de custódia.

Até o momento do relatório, a Metaplanet não havia anunciado nenhuma venda ou redução de seu saldo oficial. Uma confirmação exigiria um comunicado da companhia ou novas evidências on-chain que mostrassem a negociação dos recursos.

O movimento ocorreu três dias após a empresa enviar outros 1.000 BTC à mesma plataforma. Na ocasião, o volume valia aproximadamente US$ 79,77 milhões, mas nenhuma das empresas confirmou uma venda.

Ao todo, a Metaplanet transferiu 2.350 BTC para a Coinbase Prime em quatro dias. Com base nos valores divulgados em cada data, as duas operações somaram quase US$ 188 milhões.

Operações anteriores envolveram mudanças de custódia

Grandes saídas de carteiras vinculadas à Metaplanet já atraíram atenção anteriormente. Ainda assim, a companhia afirmou que algumas transações representavam mudanças de custódia, sem alienação de Bitcoin.

Em 12 de agosto, a Lookonchain detectou inicialmente a saída de 3.881 BTC de endereços ligados à empresa. Posteriormente, o CEO Simon Gerovich informou que a Metaplanet havia movimentado 5.014 BTC entre endereços de custódia.

Conforme Gerovich, a companhia não vendeu nenhum Bitcoin durante a operação. O episódio mostrou que os rótulos de destino não permitem determinar, isoladamente, a finalidade de uma transação.

Os registros da blockchain confirmam a movimentação entre endereços. Porém, eles nem sempre revelam o proprietário legal da conta de destino ou o motivo da transferência.

Saldo declarado permanece em 43.000 Bitcoin

Após a reorganização anterior, a tesouraria declarada pela Metaplanet permaneceu em 43.000 BTC. A empresa adquiriu essa posição por um custo médio de aproximadamente 15,3 milhões de ienes por unidade.

A Lookonchain converteu o valor para um custo médio estimado de US$ 96.191 por Bitcoin. Nesse patamar, a posição representa um investimento de aproximadamente US$ 4,14 bilhões.

Com o Bitcoin negociado perto de US$ 79.133, os 43.000 BTC valeriam cerca de US$ 3,4 bilhões. No entanto, o câmbio entre iene e dólar e o método contábil podem afetar comparações com os números oficiais.

Os rótulos da Arkham mostravam cerca de 38.650 BTC em carteiras atribuídas à empresa. Esse volume valia quase US$ 3,07 bilhões no momento do levantamento.

A diferença em relação ao saldo declarado não comprova uma venda. Afinal, plataformas de análise podem não identificar todas as contas de custódia controladas por uma companhia.

Compras, receita e prejuízo contábil

A Metaplanet alcançou 43.000 BTC após comprar 2.823 unidades no segundo trimestre. A empresa pagou, em média, 12,7 milhões de ienes por unidade, conforme a divulgação corporativa de 2 de julho.

A aquisição ampliou a tesouraria de 40.177 BTC registrada no fim do primeiro trimestre. Além disso, a administração estabeleceu a meta de deter 210.000 BTC até o fim de 2027.

Esse objetivo equivale a cerca de 1% da oferta máxima de 21 milhões de Bitcoin. A estratégia mantém a empresa entre as maiores detentoras corporativas do recurso.

Em 13 de agosto, a Metaplanet informou receita de 4,94 bilhões de ienes no semestre encerrado em 30 de junho. O resultado representou crescimento anual de 133,7%.

Enquanto isso, o lucro operacional avançou 136,3%, para 3,33 bilhões de ienes, ou aproximadamente US$ 20,3 milhões. Apesar desse desempenho, a empresa registrou prejuízo líquido de 182,77 bilhões de ienes no semestre.

A companhia atribuiu a maior parte do prejuízo a uma redução não monetária de 184,3 bilhões de ienes. O ajuste afetou o valor contábil reportado das reservas de Bitcoin.

A Metaplanet afirmou que não vendeu Bitcoin durante o período. Já a receita do segmento de renda com Bitcoin atingiu 4,74 bilhões de ienes, com cerca de 4,58 bilhões provenientes de prêmios de opções.

A empresa utiliza opções em suas operações de tesouraria. Portanto, essa receita permanece separada dos ganhos ou das perdas provocados pelas oscilações do Bitcoin.

Plano nos Estados Unidos depende de aprovações

Parte da tesouraria da Metaplanet integra uma transação proposta com a Super League Enterprise, listada na Nasdaq. O acordo cria uma ligação direta entre a companhia japonesa e o mercado de capitais dos Estados Unidos.

Pelo acordo anunciado em 18 de agosto, a Metaplanet contribuirá com 2.100 BTC e US$ 2,5 milhões em dinheiro. As empresas avaliaram o investimento inicial em aproximadamente US$ 134,6 milhões.

O cálculo considerou o fechamento do Bitcoin na Coinbase às 16h de Nova York em 14 de agosto. Contudo, as companhias não relacionaram as transferências recentes à Coinbase Prime com essa contribuição.

A operação proposta renomearia a Super League como Superplanet e mudaria seu ticker planejado na Nasdaq para SUPA. Em troca, a Metaplanet receberia 44,86 milhões de ações ordinárias, ações preferenciais conversíveis e warrants.

Com isso, a empresa japonesa teria uma participação estimada de 95,7%. Também indicaria cinco dos nove diretores iniciais, enquanto suas ações ordinárias ficariam sujeitas a um período de restrição de cinco anos.

A transação ainda depende da aprovação dos acionistas da Super League e do cumprimento das exigências da Nasdaq. Também exige procedimentos regulatórios aplicáveis nos Estados Unidos e no Japão.

As empresas pretendem concluir a operação no quarto trimestre de 2026. Até agora, não existe confirmação de que os 2.100 BTC envolvidos sejam os mesmos enviados à Coinbase Prime.

Strategy amplia sua reserva de caixa

O Bitcoin era negociado perto de US$ 79.133 no momento do relatório, após recuar da máxima diária de US$ 81.281. Assim, os compradores tentavam transformar a região de US$ 80 mil em suporte.

A Strategy não comprou nem vendeu Bitcoin entre 17 e 23 de agosto. Suas reservas permaneceram em 840.447 BTC, adquiridos por US$ 63,36 bilhões, a um preço médio de US$ 75.385.

Um registro na SEC de 24 de agosto mostrou que a Strategy levantou cerca de US$ 2 bilhões. A empresa vendeu 18,26 milhões de ações MSTR durante a semana.

Depois, a companhia usou US$ 136,4 milhões para recomprar ações preferenciais STRC. Também destinou US$ 300 milhões à sua reserva em dólar e cerca de US$ 1,59 bilhão a uma conta separada.

Como resultado, a posição combinada de caixa da Strategy chegou a US$ 6,69 bilhões. O montante inclui US$ 5,1 bilhões mantidos em reservas em dólar.

Os recursos podem financiar compras de Bitcoin, dividendos de ações preferenciais, pagamentos de dívidas ou recompras de valores mobiliários. Separadamente, a MSCI avalia uma metodologia capaz de afetar empresas com grandes reservas digitais.

A proposta pode excluir companhias classificadas como negócios não operacionais quando recursos digitais representarem pelo menos metade de seus ativos totais. As contribuições para a consulta terminam em 30 de setembro, e a MSCI pretende anunciar sua decisão até 16 de outubro.

Eventuais exclusões poderiam integrar a revisão dos índices de novembro de 2026. Nesse cenário, as transferências da Metaplanet continuam sem confirmação de venda, enquanto a companhia mantém oficialmente 43.000 BTC em sua tesouraria.