Criptos para estarem no radar em setembro de 2026

A expansão da recompra de dívida pelo Tesouro americano, as possibilidades de avanço regulatório sobre ativos digitais nos Estados Unidos e a maturação de mecanismos de recompra e queima em protocolos descentralizados estão entre os principais fatores que podem movimentar o mercado de criptoativos em setembro. Diante desse cenário, Pedro Fontes, Analista de Research do Mercado Bitcoin, selecionou sete criptomoedas com potencial de destaque ao longo do mês. A seleção reúne ativos consolidados e projetos expostos a gatilhos específicos de curto prazo.

Os criptoativos são: Bitcoin (BTC), Ethereum (ETH), Solana (SOL), Hyperliquid (HYPE), Uniswap (UNI), Aave (AAVE) e Virtuals Protocol (VIRTUAL).

Bitcoin (BTC)

Bitcoin é a maior criptomoeda do mercado e uma das únicas com ETFs à vista amplamente acessíveis ao investidor institucional nos Estados Unidos. O principal gatilho para setembro vem de fora do mercado cripto: em 19 de agosto, o Tesouro americano anunciou que vai dobrar o tamanho de suas operações de recompra de títulos longos, de US$ 2 bilhões para no mínimo US$ 4 bilhões por operação, mudança que entra em vigor em 9 de setembro.

A medida é vista como uma forma de conter a alta dos juros longos – o rendimento do título de 30 anos chegou a 5,31%, maior nível desde 2007, com a dívida pública americana ultrapassando US$ 40 trilhões pela primeira vez. Esse cenário sustenta a tese do chamado “debasement trade”, na qual ativos de oferta limitada tendem a ganhar atratividade diante da expansão monetária. Os fluxos já reagiram: na semana encerrada em 21 de agosto, os ETFs americanos captaram US$ 1,92 bilhão, a maior entrada semanal desde outubro de 2025. O Standard Chartered avalia que o movimento pode ajudar a levar o Bitcoin aos US$ 100 mil até o fim do ano.

Ethereum (ETH)

Ethereum é a principal blockchain de contratos inteligentes, tecnologia por trás de stablecoins, mercados de empréstimo, exchanges descentralizadas e ativos tokenizados. O gatilho para setembro é regulatório: com o CLARITY Act travado no Senado, agências americanas passaram a criar regras próprias. Em 14 de agosto, a SEC votou a Regulation Crypto Assets, que abre caminhos legais para a emissão de tokens sem enquadramento como valores mobiliários, e seis dias depois a CFTC anunciou regras para permitir a operação de protocolos descentralizados no país.

Regras mais claras tendem a beneficiar principalmente as blockchains já consolidadas, com histórico de operação e base de desenvolvedores estabelecida, cenário que coloca a Ethereum como principal candidata a capturar o fluxo institucional. Na oferta, 42,38 milhões de ETH estão em staking, recorde histórico ante 36 milhões em janeiro, o que aperta a liquidez disponível justamente no momento em que a demanda institucional ganha tração. Some-se a isso a Glamsterdam, maior atualização da rede desde o Merge, prevista para as redes de teste em 28 de setembro.

Solana (SOL)

Solana é uma blockchain conhecida por transações rápidas e baratas, líder no volume à vista em exchanges descentralizadas há sete trimestres seguidos. Em 21 de agosto, a rede reduziu o tempo de bloco de 400 para 350 milissegundos, primeira mudança nesse parâmetro desde o lançamento, em 2020, com mais três cortes previstos até chegar a 200 milissegundos.

O ajuste favorece diretamente aplicações sensíveis à latência, como exchanges descentralizadas e mercados de derivativos, que sustentam boa parte da receita da rede. Em paralelo, a Solana abriu em 22 de agosto sua primeira votação formal de governança, com propostas que podem tirar cerca de 18,9 milhões de SOL da oferta prevista para os próximos seis anos e multiplicar por até 14 vezes a queima diária de tokens. No técnico, a SOL subiu 25% em uma semana e tocou US$ 100 em 22 de agosto, com a média móvel de 200 semanas, perto de US$ 110, como próxima referência.

Hyperliquid (HYPE)

Hyperliquid é a maior exchange descentralizada de contratos futuros perpétuos, tendo movimentado mais de US$ 114 bilhões em agosto. O principal gatilho para setembro é regulatório: em 19 de agosto, Donald Trump afirmou que o presidente da CFTC, Michael Selig, trabalha para trazer a Hyperliquid aos Estados Unidos de forma regulada – hoje a plataforma bloqueia usuários americanos, o maior mercado de derivativos do mundo.

Além da possibilidade regulatória, dois mecanismos de recompra ganham força em setembro. Nos últimos 30 dias, o protocolo gerou US$ 54,3 milhões em taxas, ritmo anualizado próximo de US$ 970 milhões, quase todo revertido em recompras de HYPE. Soma-se o AQAv2, aprovado pelos validadores, que transforma o rendimento dos mais de US$ 5 bilhões em USDC depositados na plataforma em uma segunda fonte de recompra, com estimativa de US$ 135 milhões a US$ 160 milhões por ano e primeiro repasse completo em setembro.

Uniswap (UNI)

Uniswap é a maior exchange descentralizada do mercado, com mais de US$ 3,6 trilhões negociados desde 2018. Desde dezembro de 2025, parte das taxas cobradas em cada operação é usada para comprar e queimar UNI, já retirando mais de 108 milhões de tokens de circulação, em ritmo estimado pela Ark Invest em cerca de US$ 90 milhões por ano.

O gatilho para setembro está nos vetores que podem elevar o volume negociado. A Robinhood Chain, rede lançada em julho, tem a Uniswap como principal provedora de liquidez e já soma quase US$ 1 bilhão depositado — o crescimento mais rápido já registrado por uma blockchain, segundo o Standard Chartered. Em paralelo, o índice Fear & Greed marcava 73 em 24 de agosto, maior nível desde outubro de 2025, indicando volta do apetite especulativo, ambiente que costuma ampliar a rotação entre tokens nas exchanges descentralizadas.

Aave (AAVE)

Aave é o maior protocolo de finanças descentralizadas em valor depositado, com cerca de US$ 17,7 bilhões. O principal gatilho para setembro é a adoção do Aave V4, lançado em março: os depósitos na nova versão saíram de US$ 346 milhões no início de agosto para mais de US$ 600 milhões em 21 de agosto, batendo recordes sucessivos dentro do mesmo mês.

O uso de ativos do mundo real como garantia também avança: o mercado institucional Horizon somava US$ 539,8 milhões em julho, e Securitize e Neuberger Berman anunciaram, em 18 de agosto, um fundo tokenizado de crédito com proposta de entrar como garantia na plataforma. Por fim, a nova tokenomics do protocolo passou a destinar toda a receita a recompras automáticas e contínuas de AAVE, sem depender de aprovações pontuais da governança, o que dá mais previsibilidade ao mecanismo.

Virtuals Protocol (VIRTUAL)

Virtuals Protocol é a principal plataforma de tokenização de agentes de inteligência artificial, com mais de 18 mil agentes já criados. O gatilho mais concreto para setembro é a abertura, em 24 de agosto, da possibilidade de usuários da Solana comprarem participação em agentes já existentes – antes, era possível apenas criar agentes na rede – o que amplia o público de desenvolvedores para um público de investidores, em escala potencialmente maior.

Sustentando a tese de longo prazo está o x402, padrão aberto criado pela Coinbase e hoje mantido pela Linux Foundation, que permite pagamentos entre agentes autônomos diretamente em stablecoin, sem cartão ou conta bancária. O padrão já foi adotado por empresas como AWS, Google, Microsoft, Visa, Mastercard e Stripe, e é usado pelos agentes da Virtuals – cada agente criado, cada participação negociada e cada tarefa executada geram taxas que recompram e queimam VIRTUAL.

*Pedro Fontes, Analista de Research do Mercado Bitcoin

*Comunicado de imprensa