Polícia de Avon e Somerset apreende 20,21 Bitcoin

A polícia de Avon e Somerset, no Reino Unido, apreendeu 20,21 Bitcoin, outras criptomoedas e valores bancários ligados a mercados da darknet. Segundo a corporação, o conjunto alcançou £ 1.032.487,86, equivalente a mais de US$ 1,4 milhão.

A força policial anunciou a recuperação em 27 de agosto. A Unidade de Investigação Financeira conduziu a operação com apoio de especialistas em crimes cibernéticos. No entanto, as autoridades não detalharam os valores das demais criptomoedas nem o montante mantido na conta bancária.

Tribunal britânico autoriza confisco dos Bitcoin

No início de 2026, um tribunal autorizou o confisco após concluir que os recursos representavam produto de conduta ilegal. Para recuperar os valores, a polícia aplicou a Lei de Produtos do Crime do Reino Unido.

A investigação envolveu uma pessoa cuja identidade não foi divulgada. Ela tinha uma condenação anterior por lavagem de dinheiro e morreu posteriormente. Contudo, a corporação não informou a data da condenação, os crimes relacionados ou a existência de outros investigados.

Com o Bitcoin cotado em cerca de US$ 77.570, os 20,21 BTC valeriam aproximadamente US$ 1,57 milhão. A diferença em relação ao valor anunciado pode refletir a data usada pela polícia para calcular a apreensão.

A corporação também não revelou quando realizou a avaliação. Da mesma forma, não informou se converteu parte dos Bitcoin em libras. Ainda assim, classificou a operação como sua maior apreensão de criptomoedas desde abril de 2024.

Rastreamento conecta recursos a mercados da darknet

Investigadores financeiros usaram técnicas especializadas para rastrear os recursos com o apoio da equipe cibernética. Dessa maneira, vincularam os valores a diversos mercados da darknet que funcionaram entre 2016 e 2019.

A polícia não identificou as plataformas envolvidas. Porém, afirmou que agências de segurança já encerraram todas as suas operações. Conforme a corporação, esses ambientes facilitaram crimes como distribuição de drogas e tráfico de pessoas.

O período investigado abrangeu grandes operações internacionais contra mercados ilegais. Em julho de 2017, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos fechou o AlphaBay após uma investigação internacional.

A operação reuniu autoridades dos Estados Unidos, Tailândia, Países Baixos, Lituânia, Canadá, Reino Unido e França. Paralelamente, a polícia neerlandesa assumiu secretamente o controle do Hansa antes de encerrá-lo.

Investigadores acompanharam usuários do Hansa

A Europol informou que investigadores controlaram o Hansa por cerca de um mês. Com isso, coletaram dados sobre vendedores e clientes que migraram para a plataforma após o fechamento do AlphaBay.

Outro grande mercado daquele período, o Dream Market, encerrou suas atividades em 2019. Apesar desse contexto, a polícia não associou diretamente os Bitcoin recuperados ao AlphaBay, Hansa ou Dream Market.

Serviços da darknet podem dificultar a identificação das pessoas envolvidas nas operações. Entretanto, a blockchain mantém um registro público das transferências de Bitcoin entre endereços.

Investigadores podem combinar esse histórico com informações de corretoras, dispositivos apreendidos e outras provas financeiras. Por esse motivo, a movimentação registrada na blockchain pode ajudar a localizar recursos obtidos ilegalmente.

Anthony Davis, detetive da Unidade de Investigação Financeira, afirmou que algumas pessoas acreditam no anonimato das criptomoedas. Na prática, ele destacou que a blockchain preserva um “registro permanente de transações”. Esse histórico, acrescentou Davis, pode se tornar uma “fonte inestimável de evidências”.

Novos poderes ampliam recuperação de criptomoedas

A operação representa a maior apreensão de criptomoedas da polícia de Avon e Somerset desde a criação das ordens de congelamento de carteiras. Essas medidas entraram em vigor em abril de 2024.

O governo britânico introduziu novos poderes por meio de alterações na Lei de Produtos do Crime. Assim, agentes podem congelar recursos quando houver suspeitas razoáveis de ligação com atividades ilegais, mesmo sem uma prisão.

Antes das mudanças, as autoridades enfrentavam limitações para controlar recursos digitais durante investigações. Agora, as regras permitem transferir os valores apreendidos para carteiras administradas pelas forças de segurança.

Os agentes também podem recuperar itens que oferecem acesso aos recursos, incluindo senhas escritas e dispositivos de armazenamento. Em determinadas circunstâncias, as autoridades podem destruir uma criptomoeda quando a devolução à circulação contrariar o interesse público.

Na ocasião, o Ministério do Interior citou criptomoedas voltadas à privacidade como possíveis alvos dessa medida. Ainda assim, uma ordem de congelamento não comprova sozinha que determinado recurso tem origem criminosa.

No caso de Avon e Somerset, o tribunal autorizou o confisco após aceitar as evidências sobre a origem ilegal dos valores. Os recursos recuperados podem financiar policiamento e programas comunitários de educação, treinamento, intervenção precoce e prevenção ao crime.

Casos americanos também utilizam dados da blockchain

A recuperação britânica sucede casos americanos que usaram registros de transações para localizar Bitcoin ligado a serviços da darknet. Em janeiro, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos concluiu um confisco de US$ 400 milhões relacionado à Helix.

Larry Dean Harmon operava o serviço, que processou mais de 354 mil BTC entre 2014 e 2017. De acordo com as autoridades, a Helix ajudava clientes a ocultar recursos associados a mercados da darknet.

Um tribunal federal transferiu ao governo americano a propriedade legal dos recursos da Helix. A decisão ocorreu após Harmon se declarar culpado, em 2021, por operar um negócio de transmissão de dinheiro sem licença. Ele também admitiu violar a Lei de Sigilo Bancário.

Em 2024, a Justiça condenou Harmon a três anos de prisão. Posteriormente, em junho, promotores americanos acusaram dois supostos operadores do serviço de lavagem AudiA6.

Outras investigações localizaram grandes volumes de Bitcoin

As autoridades acusaram o AudiA6 de movimentar mais de US$ 389 milhões em criptomoedas. A análise da blockchain identificou cerca de 10.333 BTC depositados em carteiras controladas pelo serviço desde 2021.

Desse total, 393,39 BTC vieram diretamente de mercados conhecidos da darknet, grupos de ransomware e outras fontes ilícitas. Por sua vez, autoridades britânicas também realizaram recuperações de Bitcoin em escala muito maior.

Em setembro de 2025, a cidadã chinesa Zhimin Qian se declarou culpada em um caso envolvendo 61 mil BTC. As autoridades associaram os recursos a uma fraude de investimento que atingiu mais de 128 mil pessoas na China.

A polícia localizou as carteiras durante uma operação em 2018, após receber informações sobre a transferência de recursos criminosos. O caso de Avon e Somerset reforça o papel dos registros públicos da blockchain na identificação e recuperação de valores ligados a crimes.