Bitcoin: Strategy sinaliza volta às compras
Michael Saylor indicou que a Strategy pode retomar as compras de Bitcoin após uma pausa de cerca de 10 semanas. No domingo, o presidente executivo publicou uma mensagem no X junto ao gráfico de aquisições da empresa. Ao lado da imagem, Saylor escreveu apenas:
Estamos de volta.
Entretanto, a publicação não anunciou uma transação. Até aquele momento, a Strategy também não havia confirmado mudanças em suas reservas. Na ocasião, o Bitcoin era negociado perto de US$ 79 mil, mais de 2,5% acima da mínima de sexta-feira.
Strategy interrompeu aquisições por 10 semanas
Uma aquisição confirmada seria a primeira compra da Strategy desde 22 de junho. Naquela data, a empresa comprou 520 BTC por US$ 34,9 milhões. A operação registrou um preço médio de US$ 67.068 por Bitcoin.
Com isso, as reservas totais alcançaram 847.363 BTC. Posteriormente, a companhia reduziu sua posição por meio de quatro vendas, que somaram 6.916 BTC. Primeiro, a Strategy reportou a venda de 1.363 BTC em 30 de junho.
Em seguida, a empresa negociou outros 2.225 BTC em 6 de julho. Depois, vendeu 1.638 BTC em 3 de agosto. Por último, a companhia se desfez de mais 1.690 BTC em 10 de agosto.
Assim, as reservas recuaram para 840.447 BTC. Em 23 de agosto, a empresa mantinha 840.447 BTC, adquiridos por aproximadamente US$ 63,36 bilhões. Segundo os dados divulgados, o preço médio de compra era de US$ 75.385 por unidade.
Portanto, a posição corresponde a cerca de 4% da oferta máxima de 21 milhões de Bitcoin. Esse volume também mantém a Strategy como a maior detentora corporativa do ativo.
Liquidez em dólares ganhou prioridade
Enquanto suspendia novas compras, a Strategy reforçou sua liquidez em dólares. Em 24 de agosto, a companhia divulgou US$ 6,69 bilhões em liquidez total. O montante incluía uma Reserva em USD de US$ 5,10 bilhões e um Caixa em USD de US$ 1,59 bilhão.
No entanto, os recursos atendem a finalidades diferentes. A Reserva em USD cobre dividendos de ações preferenciais e pagamentos de juros. Já o Caixa em USD pode financiar aquisições, recompras de ações, notas conversíveis e outras necessidades de tesouraria.
Dessa forma, a companhia ampliou sua capacidade de cumprir obrigações financeiras sem depender de vendas adicionais de Bitcoin. A estratégia também ofereceu maior flexibilidade para administrar o capital.
Venda de ações amplia flexibilidade financeira
Na semana reportada mais recentemente, a Strategy formou grande parte dessa liquidez por meio da venda de ações. Entre 17 e 23 de agosto, a companhia vendeu 18,26 milhões de ações MSTR. As operações geraram cerca de US$ 2,01 bilhões em receitas líquidas.
Desse total, a empresa destinou US$ 136,4 milhões à recompra de ações preferenciais STRC. Além disso, a companhia transferiu US$ 300 milhões para sua Reserva em USD. O restante seguiu para o Caixa em USD.
Consequentemente, a Strategy não realizou operações com Bitcoin durante aquela semana. Ao mesmo tempo, encerrou agosto com mais recursos disponíveis para aquisições, recompras e compromissos financeiros. Como resultado, a administração ganhou margem para reagir às condições do mercado.
Desde a última aquisição da companhia, o cenário também mudou. A recuperação do Bitcoin em direção a US$ 79 mil colocou a cotação acima do custo médio da Strategy. Ainda assim, o segmento de tesourarias corporativas enfrentou maior pressão.
O valor combinado das 50 maiores empresas com tesourarias em Bitcoin caiu de cerca de US$ 150 bilhões, em julho de 2025, para US$ 67 bilhões. Nesse contexto, uma nova compra ajudaria a esclarecer o objetivo da pausa de 10 semanas.
As divulgações recentes mostram que a gestão priorizou liquidez, obrigações financeiras e administração de capital durante o período. Agora, a próxima divulgação regulatória poderá confirmar se a Strategy retomou oficialmente a acumulação de Bitcoin.
