Ouro pode cair a US$ 3.000 até 2030, aponta análise

O ouro pode recuar para uma faixa entre US$ 3.000 e US$ 3.200 por onça até 2030. A projeção considera a possível repetição de ciclos históricos observados no mercado do metal durante mais de cinco décadas. Na data considerada pelo levantamento, o ouro era negociado a US$ 4.444, depois de uma forte recuperação em agosto.

Ainda assim, o estudo avalia que a valorização recente não elimina os sinais de um novo ciclo de baixa. Embora a reação tenha renovado o interesse dos investidores, o modelo não descarta uma mudança mais duradoura na tendência. Nesse contexto, o desempenho futuro dependeria da repetição dos padrões históricos identificados.

Projeção indica novo ciclo de baixa do ouro

A análise de TradingShot, publicada no TradingView em 31 de agosto, aponta o início de um ciclo de baixa. De acordo com o levantamento, esse movimento surgiu após o ouro atingir máximas recordes acima de US$ 5.500 em janeiro de 2026. Com isso, o avanço anterior teria aberto espaço para uma fase corretiva prolongada.

O estudo examinou os ciclos do mercado de ouro desde 1970. Dessa forma, identificou períodos de alta com duração aproximada de 10 a 10,5 anos. Em seguida, esses movimentos costumaram dar lugar a quedas que permaneceram entre 4,2 e 5 anos.

Segundo a projeção, a correção iniciada após o pico de 29 de janeiro de 2026 marca o começo do novo ciclo. Portanto, o movimento não representaria apenas um recuo temporário dentro de uma tendência mais ampla de valorização. Por isso, o modelo considera a possibilidade de uma queda gradual até o fim da década.

Gráfico da análise de longo prazo do preço do ouro
Gráfico da análise de longo prazo do preço do ouro. Fonte: TradingView.

Com base na duração mínima dos ciclos anteriores, o mercado poderia encontrar um fundo por volta de março de 2030. Já uma extensão do período de baixa levaria essa mínima para perto de dezembro do mesmo ano. Assim, o intervalo projetado abrange praticamente todo o último ano da década.

Fibonacci e médias móveis reforçam a projeção

Contudo, o levantamento excluiu o período entre 1985 e 1995 da comparação principal. O estudo classificou essa fase como um ciclo de alta fracassado, devido ao ambiente desinflacionário e ao fim da Guerra Fria. A exclusão busca evitar uma distorção no padrão usado para estimar o movimento atual.

Além do fator temporal, a análise avaliou níveis históricos de correção por meio da retração de Fibonacci. Historicamente, as grandes mínimas dos mercados de baixa de 1985 e 2015 ocorreram perto do nível de 0,382. Médias móveis de longo prazo também ofereceram suporte durante esses períodos.

Se o ciclo atual repetir esse comportamento, o ouro poderá cair para US$ 3.000 a US$ 3.200 em 2030. Nesse caso, a correção ficaria entre 28% e 33% diante dos patamares próximos de US$ 4.450. Ao mesmo tempo, a faixa estimada permaneceria acima de diversas mínimas registradas nos ciclos anteriores.

Além disso, a região projetada coincide com a média móvel de 200 meses exibida no estudo. A análise histórica considera essa média outro ponto relevante no gráfico de longo prazo. Assim, o indicador reforça a faixa calculada por meio das retrações anteriores.

Demanda estrutural ainda oferece suporte ao metal

Embora o modelo indique preços menores nos próximos anos, o ouro ainda conta com suportes estruturais importantes. As compras de bancos centrais permanecem elevadas e ajudam a sustentar a procura pelo metal precioso. Paralelamente, preocupações com dívida pública, desvalorização monetária e tensões geopolíticas reforçam essa demanda.

A forte alta registrada em agosto também renovou o interesse dos investidores. Entretanto, juros mais elevados continuam entre os principais riscos para o desempenho do ouro. Isso ocorre porque o metal não oferece rendimentos periódicos aos seus detentores.

Os mercados também se tornaram mais sensíveis aos sinais de política monetária do Federal Reserve. Como resultado, o avanço dos rendimentos aumenta o custo de oportunidade de manter ativos sem remuneração. Assim, a projeção contrapõe a demanda atual a um modelo histórico que indica uma possível correção até 2030.