Hyperliquid lidera recompras de US$ 638 milhões
As recompras de tokens ganharam espaço como destino das receitas geradas por protocolos de criptomoedas. Em 2026, esses projetos já destinaram US$ 638 milhões à aquisição de seus próprios tokens. O montante representa alta de 17% sobre os US$ 545 milhões registrados em 2025. Em comparação, o volume alcançou US$ 366 milhões em 2024. Portanto, os dados mostram um compromisso crescente com programas financiados por receitas próprias.
No entanto, o aumento dos gastos não representa uma adoção ampla da estratégia no mercado. Poucos protocolos concentram quase todo o volume contabilizado no período. Assim, a continuidade do modelo depende principalmente de plataformas capazes de gerar taxas elevadas e recorrentes.
Fonte: Financial Times
Dois protocolos concentram quase 90% do volume
A Hyperliquid lidera o movimento, com aproximadamente US$ 370 milhões em recompras. Enquanto isso, a Pump.fun aparece na segunda posição, perto de US$ 200 milhões até agosto. Juntas, as plataformas respondem por quase 90% dos US$ 638 milhões registrados em 2026. Desse modo, o crescimento permanece ligado ao desempenho de poucos projetos.
Embora outras plataformas também tenham adotado recompras, os valores ficam muito abaixo dos registrados pelas líderes. A Chainlink destinou cerca de US$ 30 milhões ao programa. Da mesma forma, a Sky aplicou aproximadamente US$ 30 milhões na aquisição de seus tokens.
Fonte: Allium Labs
Receita recorrente sustenta as recompras
Para manter a estratégia, os protocolos precisam gerar receitas estáveis em vez de depender de retiradas pontuais do tesouro. A Hyperliquid direciona cerca de 99% das taxas de negociação para compras recorrentes de HYPE. Na prática, o uso intenso da plataforma permite financiar aquisições em grande escala. Ainda assim, essa capacidade depende da continuidade do volume negociado e das taxas arrecadadas.
Em seguida, outras plataformas precisarão transformar receitas recorrentes em demanda constante por seus tokens. Caso contrário, os programas podem perder força quando os recursos disponíveis diminuírem. Por isso, a geração contínua de taxas representa uma condição central para a expansão do modelo. A concentração atual também evidencia a distância entre os principais protocolos e os demais participantes.
Emissões colocam o rendimento à prova
O rendimento anual associado às recompras de HYPE varia entre 1,8% e 5,8%. Essa faixa se aproxima dos rendimentos de staking, que ficam entre 2% e 5% em várias redes relevantes. Já o PUMP pode alcançar percentuais baixos de dois dígitos quando as taxas da plataforma aumentam. Contudo, esses rendimentos mostram apenas uma parte do impacto econômico dos programas.
Fonte: Buildix.trade
Ao mesmo tempo, novas emissões podem ampliar a quantidade disponível para distribuição. Apesar das recompras substanciais, HYPE e PUMP continuam sujeitos à inflação futura da oferta. Isso indica que as aquisições não compensam integralmente os novos tokens que entram em circulação. Em contrapartida, projetos com mecanismos fortes de queima, como o BNB, podem alcançar deflação líquida.
Controle da oferta define o valor do modelo
Nesse contexto, o efeito das recompras depende do equilíbrio entre receitas, aquisições e emissões. O programa gera maior impacto quando a demanda financiada pelo protocolo supera a entrada de novos tokens no mercado. Além do volume adquirido, os investidores precisam considerar o destino dos tokens e a evolução da oferta. Dessa maneira, uma recompra expressiva não garante, isoladamente, redução líquida da quantidade em circulação.
A liderança da Hyperliquid demonstra como receitas recorrentes podem sustentar programas de grande porte. Porém, o domínio de apenas duas plataformas também expõe a concentração desse mercado. A expansão da estratégia dependerá de mais protocolos capazes de gerar taxas consistentes e controlar suas emissões.