Strategy contesta regra da MSCI sobre Bitcoin

A Strategy contestou formalmente a proposta da MSCI para filtrar empresas com grandes posições em ativos considerados não operacionais. Conforme a companhia, a metodologia discrimina empresas de tesouraria de ativos digitais, incluindo sua operação focada em Bitcoin.

Em carta assinada pelo presidente executivo Michael Saylor e pelo CEO Phong Le, a Strategy pediu a retirada da proposta. Na avaliação da empresa, a regra poderia excluir diversas companhias de importantes índices globais de ações.

“Se adotada, a proposta não teria impacto relevante nos negócios da Strategy. Porém, prejudicaria profundamente a reputação da MSCI como provedora confiável e neutra de índices”, afirmou a empresa na carta.

Bitcoin concentra a contestação da Strategy

A MSCI abriu a consulta mais recente em agosto. A provedora propôs um método para identificar empresas cujos balanços concentram grandes quantidades de ativos classificados como não operacionais.

Pelo sistema sugerido, empresas com ativos operacionais abaixo de 50% do total enfrentariam cinco testes adicionais de indicadores financeiros. Caso acionassem pelo menos quatro condições, a MSCI poderia classificá-las como não operacionais.

Com isso, a metodologia poderia retirar a elegibilidade dessas empresas aos MSCI Global Investable Market Indexes. Os testes avaliam ativos operacionais, despesas, fluxo de caixa operacional e alterações de valor justo. Também consideram a dependência de financiamento para acumular ativos classificados como não operacionais.

A Strategy afirmou que a proposta retoma uma tentativa anterior da MSCI de filtrar empresas de tesouraria de ativos digitais. Na prática, a companhia classificou a nova metodologia como um “pretexto” para atingir esse grupo.

No ano passado, a MSCI analisou uma estrutura que removeria empresas caso os ativos digitais representassem 50% ou mais de seus ativos totais. Após a oposição do setor, a provedora manteve essas companhias nos índices em janeiro e preparou uma nova revisão.

Na ocasião, a Strategy também rejeitou a medida. De acordo com a empresa, grandes reservas de Bitcoin não transformam uma companhia operacional em um fundo de investimento.

Simulação inclui Strategy, Metaplanet e Yellow Cake

Uma simulação baseada em dados de maio de 2026 incluiu Strategy, Metaplanet e Yellow Cake entre as empresas sujeitas à exclusão. A Yellow Cake atua como uma empresa de investimento em urânio e possui ações listadas no Reino Unido.

O levantamento atribuiu à Strategy uma capitalização de mercado ajustada pelo free float de US$ 23,93 bilhões. Enquanto isso, a Yellow Cake apresentou US$ 1,81 bilhão, e a Metaplanet registrou US$ 654 milhões.

SharpLink, Center Laboratories e Lydia Holding entraram em uma lista de observação. Entretanto, a MSCI propõe um tratamento diferente para empresas que já integram seus índices.

Nesse caso, uma integrante precisaria falhar no teste aplicável durante duas revisões anuais consecutivas antes da remoção. Portanto, uma única avaliação negativa não provocaria sua exclusão.

A Strategy também questionou a base conceitual do processo. Para a companhia, o uso dos termos “operacional” e “não operacional” não corresponde a definições contábeis estabelecidas.

Nem os princípios contábeis geralmente aceitos dos Estados Unidos, chamados de US GAAP, nem as normas IFRS oferecem essa distinção. Do mesmo modo, a legislação norte-americana de valores mobiliários não estabelece um teste equivalente.

Empresa pede critérios contábeis objetivos

O tratamento do Bitcoin ocupa uma posição central na objeção da Strategy. A MSCI considera as reservas registradas no balanço como ativos não operacionais. Em contrapartida, a Strategy reporta sua tesouraria de Bitcoin como um segmento operacional.

Conforme a companhia, ganhos e perdas relacionados às reservas entram como despesas operacionais. Esse tratamento surgiu após discussões com a Securities and Exchange Commission dos Estados Unidos.

Assim, a Strategy sustenta que a MSCI adotaria uma classificação diferente daquela presente em suas demonstrações financeiras. A empresa também questionou por que negócios com grandes reservas de outros ativos não receberiam tratamento semelhante.

A carta citou fundos de investimento imobiliário, empresas de madeira e companhias de infraestrutura energética. Embora mantenham operações intensivas em ativos, esses negócios poderiam continuar elegíveis pela metodologia sugerida.

Por outro lado, a Strategy argumentou que os testes concentrariam seus efeitos nas tesourarias de ativos digitais. Isso ocorreria apesar de a MSCI apresentar a proposta como uma estrutura aplicável a empresas em geral.

Strategy solicita aplicação sem efeitos retroativos

Caso mantenha a proposta, a MSCI deveria usar padrões contábeis ou jurídicos reconhecidos, defendeu a Strategy. A companhia também solicitou que as regras incidam apenas sobre documentos publicados após a conclusão da metodologia.

Dessa maneira, a MSCI não avaliaria retroativamente empresas por uma classificação inexistente quando elas produziram seus registros anteriores. A Strategy ainda pediu um registro público da consulta e uma justificativa para a criação do filtro.

Outro pedido envolve critérios objetivos para separar ativos e atividades operacionais daqueles considerados não operacionais. Na visão da companhia, as classificações sugeridas carecem de definições reconhecidas.

A disputa sucede meses de incerteza sobre o tratamento que grandes provedores de índices oferecem às empresas com Bitcoin no balanço. Quando a MSCI suspendeu a exclusão anterior em janeiro, as ações da Strategy avançaram.

Naquele momento, investidores demonstraram preocupação com vendas passivas provocadas por eventuais remoções de índices acompanhados por fundos. O JPMorgan estimou que apenas uma exclusão dos índices MSCI poderia gerar US$ 2,8 bilhões em vendas de ações da Strategy.

Se outros provedores adotassem a mesma medida, as saídas poderiam alcançar US$ 8,8 bilhões. Contudo, a estimativa tratava da proposta anterior, focada especificamente em criptomoedas, e não representa uma previsão para o modelo atual.

Consulta da MSCI termina em setembro

A MSCI receberá comentários sobre a nova proposta até 30 de setembro. Depois, a instituição planeja publicar o resultado até 16 de outubro. Eventuais mudanças devem entrar em vigor em dezembro.

O debate ocorre enquanto a Strategy mantém a maior tesouraria corporativa de Bitcoin do mundo. Na segunda-feira, as ações da empresa subiram 4,42% e fecharam cotadas a US$ 132,94.

No mesmo dia, a companhia informou a compra de 4.603 BTC durante a semana anterior. O preço médio da aquisição ficou em US$ 80.318 por Bitcoin.

Ao longo de 2026, a Strategy alterou sua estrutura de capital para equilibrar compras, reservas em dinheiro, dividendos preferenciais e emissões de ações. Em junho, a empresa adquiriu outros 520 BTC por cerca de US$ 35 milhões, com preço médio de US$ 67.068.

Após a operação, as reservas chegaram a 847.363 BTC, enquanto a posição em dólares cresceu US$ 300 milhões, para US$ 1,4 bilhão. Posteriormente, a gestão da tesouraria mudou de direção, com vendas de Bitcoin e financiamento por ações.

Reserva em dólares ganha espaço na estratégia

No fim de julho, a empresa passou a direcionar recursos obtidos com ações ordinárias para sua reserva em dólares. Um registro semanal apontou a captação de US$ 544,5 milhões com a venda de quase 5,43 milhões de ações MSTR.

Durante esse período, a Strategy não comprou Bitcoin. Segundo a companhia, a reserva em dólares poderia financiar dividendos preferenciais e outras necessidades corporativas.

Mais tarde, a empresa retomou as aquisições, incluindo a compra de 4.603 BTC divulgada na segunda-feira. Agora, o resultado da consulta definirá o tratamento de empresas com balanços dominados por ativos que a MSCI considera não operacionais.