Bitcoin volta a ter prêmio Kimchi na Coreia do Sul
O Bitcoin avançou neste mês, mas voltou a custar mais na Coreia do Sul. Na Upbit, a maior corretora do país, a cotação ficou quase 1% acima do preço registrado na Binance. Assim, o chamado prêmio Kimchi reapareceu no mercado sul-coreano.
O movimento ocorre enquanto investidores de varejo ampliam novamente suas compras de Bitcoin. Nesse contexto, a diferença de preço indica que a demanda local ganhou força. O fenômeno também evidencia características específicas do mercado financeiro sul-coreano.
Prêmio Kimchi reaparece no mercado sul-coreano
O fenômeno recebeu esse nome em referência ao kimchi, um prato tradicional da Coreia do Sul. Historicamente, as corretoras locais podem registrar preços superiores aos observados em outras regiões. Isso acontece porque o mercado sul-coreano opera de forma parcialmente isolada. Por isso, investidores enfrentam mais dificuldades para explorar diferenças de preços entre plataformas locais e estrangeiras.
Além da forte participação do varejo, controles rígidos de capital contribuem para essa diferença. As regras locais de negociação também limitam o fluxo de recursos entre mercados. Dessa forma, o prêmio Kimchi reflete tanto o crescimento da procura quanto as particularidades regulatórias do país. A diferença atual, contudo, permanece bem abaixo dos níveis históricos mais elevados.
Demanda local sustenta diferença de preço
Na Coreia do Sul, o par Bitcoin/won aparece com mais frequência do que o par Bitcoin/dólar americano. Portanto, a cotação local responde diretamente às variações da demanda denominada na moeda sul-coreana. Quando a procura aumenta, o preço pode superar aquele registrado em plataformas internacionais. Esse movimento cria o prêmio observado entre Upbit e Binance.
O mercado costuma interpretar o fenômeno como um indicador de FOMO entre investidores de varejo. Ao mesmo tempo, a Coreia do Sul possui poucos fundos relevantes dedicados às criptomoedas. Os controles de capital também dificultam operações de arbitragem capazes de reduzir rapidamente a diferença. Com isso, o prêmio pode persistir mesmo quando participantes identificam a disparidade.
Em 2022, o prêmio Kimchi chegou a 21,5%. Agora, a diferença voltou a aparecer durante a recuperação mensal do Bitcoin. Ainda assim, o prêmio de quase 1% permanece distante daquele patamar histórico.
Bitcoin acumula alta mensal de 24%
O mercado negociava o Bitcoin recentemente a US$ 78.287, sem variação relevante nas últimas 24 horas. Além disso, a cotação permanecia próxima do nível observado sete dias antes. Em contrapartida, o Bitcoin acumulava valorização de 24% no período de um mês. A recuperação mensal contrasta, portanto, com a estabilidade registrada nos prazos mais curtos.
A alta começou após o Tesouro dos Estados Unidos informar, em agosto, que pelo menos dobraria suas operações de recompra. A medida busca oferecer suporte à liquidez do mercado. Como resultado, o anúncio pressionou o dólar americano. Enquanto isso, o movimento favoreceu instrumentos sem rendimento, como Bitcoin e ouro.
Na mesma semana, o presidente Donald Trump classificou a aguardada Clarity Act como uma legislação importante para o setor. Ele também pediu aos legisladores que concluíssem a aprovação do projeto. Nesse sentido, participantes do setor defendem regras claras para diferenciar valores mobiliários, commodities e stablecoins de pagamento.
Notícias sobre um futuro marco regulatório costumam influenciar positivamente o mercado de criptomoedas. Já na Polymarket, participantes atribuem 59% de probabilidade ao Bitcoin acima de US$ 82.500 ainda neste mês. Diante dessa projeção, parte do mercado passou a considerar a possibilidade de encerramento do ciclo de baixa. Contudo, a estimativa representa apenas a posição dos participantes do mercado de previsões.