Rublo digital do Banco da Rússia chega ao varejo

A Rússia ampliou nesta terça-feira, 1º de setembro de 2026, o acesso ao rublo digital para clientes de bancos conectados. Com isso, a moeda digital de banco central, ou CBDC, avança além do acesso restrito do projeto-piloto. Os consumidores, porém, ainda dependem da disponibilidade do serviço em cada instituição.

Os grandes bancos e os primeiros varejistas abrangidos pelas regras ativaram a infraestrutura de pagamentos. Ao mesmo tempo, a adesão dos consumidores permanece voluntária, apesar das obrigações impostas a instituições financeiras e comerciantes.

Clientes poderão abrir carteiras pelos aplicativos bancários

O Banco da Rússia informou em 31 de agosto que pessoas físicas poderão abrir carteiras de rublo digital pelo aplicativo de um banco participante. A plataforma do banco central manterá a carteira. Por sua vez, os bancos comerciais fornecerão o acesso aos clientes.

Antes de usar o serviço, cada cliente deverá confirmar se o banco concluiu a conexão. Portanto, o início da fase legal não garante acesso imediato pelos aplicativos de todas as instituições. Alguns bancos ainda precisam finalizar a integração técnica.

Nenhum banco, empregador ou terceiro poderá abrir uma carteira automaticamente para uma pessoa física. Assim, os consumidores não enfrentam prazo de adesão. Cada pessoa decide se deseja utilizar o rublo digital.

De acordo com uma entrevista publicada pelo Banco da Rússia em 21 de agosto, os 12 bancos sistemicamente importantes estão preparados para oferecer o serviço. Desde 1º de setembro, essas instituições podem disponibilizar carteiras e transações. Juntas, elas representam mais de 80% do mercado russo de pagamentos.

A obrigação também alcança nove bancos considerados importantes no mercado de pagamentos. Contudo, três instituições que receberam essa classificação em 2026 poderão precisar até o fim do ano para concluir a conexão. A maior parte das demais instituições já está preparada.

Por isso, a exigência legal e a prontidão operacional não coincidem integralmente no primeiro dia. A infraestrutura de blockchain relacionada às moedas digitais ainda depende da conexão de cada banco.

Regras alcançam grupos específicos de varejistas

A regra para varejistas não considera apenas o limite anual de receita de 120 milhões de rublos. Conforme a orientação do Banco da Rússia, a exigência vale para vendedores voltados ao consumidor que superaram essa receita no ano anterior.

Além do critério financeiro, esses vendedores precisavam manter um acordo específico em 1º de janeiro de 2026. O contrato deveria prever a aceitação de instrumentos eletrônicos por meio de um banco importante para serviços de pagamento.

Os comerciantes que atendem aos requisitos devem aceitar pagamentos em rublos digitais. Ainda assim, cada consumidor pode ignorar essa opção e escolher outra forma de pagamento. A legislação não obriga pessoas físicas a abrir ou utilizar uma carteira.

Carteiras terão limite mensal para recargas

Pessoas físicas poderão adicionar até 300 mil rublos por mês-calendário às carteiras. Os recursos poderão vir de contas bancárias ou de dinheiro eletrônico. A regra consta em uma decisão de 28 de agosto do banco central.

Esse teto vale somente para recargas. Dessa maneira, o limite não restringe gastos ou transferências com valores que já estejam disponíveis na carteira. As recargas realizadas por empresas, em contrapartida, não terão limite.

Pagamentos serão gratuitos para pessoas físicas

Pagamentos e transferências permanecerão gratuitos para pessoas físicas. Já as empresas terão isenção de tarifas até 31 de dezembro de 2026. Nesse período, o banco central pretende ampliar o uso da infraestrutura entre instituições e comerciantes abrangidos.

Depois, entrará em vigor a tabela de tarifas para 2027, embora algumas operações possam manter taxas zeradas. Desse modo, a principal mudança imediata envolve a ampliação do acesso. A adoção do rublo digital pelos consumidores continua opcional.