G20 abre espaço para inovação em ativos digitais

Os líderes financeiros do G20 assumiram o compromisso de desenvolver regras mais claras para ativos digitais. Eles também defenderam a inovação financeira e o crescimento econômico. A declaração da presidência registrou essa posição após uma reunião de dois dias em Asheville, na Carolina do Norte.

O encontro integrou a presidência dos Estados Unidos no G20 em 2026. Em 1º de setembro, o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, divulgou o documento após as conversas entre as economias participantes. Segundo o texto, as finanças digitais podem contribuir para um crescimento econômico de base ampla.

Finanças digitais ganham espaço na agenda do G20

O grupo reconheceu o papel do setor privado no desenvolvimento de novos produtos e serviços financeiros. Nesse contexto, a declaração relacionou a inovação financeira à participação das empresas na criação de soluções para o mercado. O documento também destacou a importância de um ambiente capaz de sustentar esse avanço.

Ao mesmo tempo, os líderes financeiros defenderam estruturas responsáveis de regulação e supervisão para as finanças digitais. Essa abordagem busca preservar a estabilidade financeira, enquanto cria caminhos claros para o desenvolvimento sólido do setor. Com isso, o G20 tenta equilibrar inovação, crescimento econômico e controle de riscos.

As autoridades também devem considerar oportunidades e desafios transfronteiriços. Nesse sentido, os participantes reforçaram a necessidade de preservar a confiança nos sistemas monetários e de pagamentos. Essa preocupação ganha relevância conforme os serviços financeiros digitais se expandem entre diferentes mercados.

Stablecoins continuam sob análise internacional

As autoridades do G20 aguardam novas conclusões do Conselho de Estabilidade Financeira (FSB) sobre arranjos globais de stablecoins. O trabalho examinará questões transfronteiriças, fontes de dados e a disponibilidade dessas informações. Paralelamente, a análise abordará possíveis dificuldades enfrentadas pelos reguladores.

Diante disso, o G20 mantém as stablecoins em uma estrutura mais ampla de proteção à estabilidade financeira. Diversos integrantes do grupo já adotaram regras que abrangem ativos digitais ou atividades relacionadas às stablecoins. Entre essas jurisdições estão os Estados Unidos, a União Europeia e o Japão.

Pagamentos transfronteiriços permanecem prioritários

A declaração da presidência reafirmou o apoio ao Roteiro do G20 para o Aprimoramento dos Pagamentos Transfronteiriços. Por sua vez, ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais pediram a ampliação dos horários dos sistemas de pagamentos de grande valor. A medida pretende facilitar operações internacionais e reduzir limitações entre diferentes fusos horários.

As autoridades ainda incentivaram uma adoção mais ampla da ISO 20022, padrão comum para mensagens financeiras. Além disso, o grupo apoiou uma transmissão internacional mais simples de dados ligados aos serviços financeiros. Contudo, essa circulação deve respeitar a segurança das informações e as exigências legais de cada país.

Presidência dos Estados Unidos altera o tom

A declaração empregou uma linguagem mais favorável à inovação financeira e ao crescimento econômico do que debates anteriores do G20. Antes, o grupo concentrava maior atenção nos riscos das criptomoedas, na supervisão e nas lacunas regulatórias. Agora, a agenda mantém essas preocupações, mas oferece espaço mais explícito para o desenvolvimento das finanças digitais.

A posição reflete as prioridades definidas pelos Estados Unidos para sua presidência do G20. Scott Bessent já havia incluído o apoio a um ecossistema vibrante de ativos digitais entre as metas da Trilha de Finanças. A lista também contempla a modernização da regulação financeira e a melhoria dos pagamentos transfronteiriços.