Bitcoin sob pressão com Brent perto de US$ 95

Setembro começou com forte volatilidade no mercado de criptomoedas. Agora, investidores tentam entender se o movimento reflete um estresse macroeconômico mais amplo. Essa avaliação pode definir a direção do setor durante o quarto trimestre.

A capitalização total do mercado permanece em uma faixa estreita há quase duas semanas. Por isso, um movimento intenso pode provocar um rompimento ou ampliar as perdas. Em uma publicação na Truth Social, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos atacavam alvos iranianos no Estreito de Ormuz e arredores. Além disso, o presidente norte-americano alertou o Irã para não retaliar.

Enquanto isso, o petróleo Brent se aproximou de US$ 95 por barril. Com isso, os temores geopolíticos e inflacionários voltaram ao centro das atenções. No mercado, esse ambiente reforçou o chamado FUD, termo associado a medo, incerteza e dúvida.

Publicação de Donald Trump na Truth Social
Fonte: Truth Social

Pressão macroeconômica aumenta em setembro

Historicamente, setembro apresenta o desempenho médio mais fraco para o Bitcoin. Dados da CoinGlass apontam retorno médio de aproximadamente 3% negativo no período. Assim, a sazonalidade já sugeria um cenário mais difícil para o mercado.

Além desse padrão histórico, investidores aguardavam a reunião do FOMC, prevista para 15 de setembro. Como agosto terminou em alta e os receios macroeconômicos haviam diminuído, o mercado esperava contrariar a tendência sazonal. Contudo, o retorno das tensões geopolíticas reduziu parte desse otimismo.

Agora, o choque ocorre enquanto o mercado permanece dentro de uma faixa estreita. Nesse contexto, até um catalisador baixista menor pode desencadear uma correção relevante. Portanto, considerar o novo risco geopolítico apenas um evento isolado pode representar uma avaliação otimista.

Se surgir outra liquidação, a volatilidade poderá superar uma desalavancagem rotineira. Nesse caso, o movimento indicaria um ajuste mais profundo no mercado. Ainda assim, a direção dependerá da evolução do petróleo, da inflação e das expectativas sobre juros.

Posicionamento de grandes investidores eleva cautela

Grandes investidores parecem ajustar suas posições antes de uma possível ruptura para baixo. Segundo a Lookonchain, uma baleia desconhecida depositou 103.252 ETH durante três dias. Dessa forma, o volume movimentado aumentou a cautela em torno do posicionamento do mercado.

Paralelamente, o Bitcoin enfrenta uma grande parede de venda perto de US$ 82.000. Esse nível indica forte resistência pouco acima da faixa de negociação observada. Por outro lado, a trajetória do petróleo pode intensificar a pressão sobre os mercados digitais.

Um analista avaliou que a permanência do petróleo nesses níveis manteria a pressão por juros maiores até a reunião do FOMC. Na mesma leitura, os contratos de petróleo para dezembro operavam a menos de US$ 1 de novas máximas. Consequentemente, a alta da energia poderia alimentar expectativas de inflação persistente.

Os dados gerais também indicavam uma probabilidade recorde de 60% para aumento dos juros, conforme os dados de probabilidades divulgados pela Kalshi no X. Em paralelo, juros maiores tendem a reduzir o interesse por mercados considerados mais arriscados. Essa combinação cria uma barreira adicional para o Bitcoin e outras criptomoedas.

Probabilidade de aumento dos juros relacionada ao avanço do petróleo
Fonte: X

Desalavancagem pode anteceder correção maior

Nesse cenário, o mercado adota uma postura de espera diante do petróleo caro e das preocupações inflacionárias. Ao mesmo tempo, investidores acompanham a possibilidade de juros maiores e a escalada das tensões geopolíticas. Em conjunto, essas pressões aumentam o risco de uma correção mais ampla.

Por essa razão, a recente desalavancagem pode não representar apenas uma limpeza rotineira de posições. Caso as condições macroeconômicas piorem, o movimento poderá marcar o início de uma liquidação mais profunda. Entretanto, a confirmação dependerá de uma ruptura da faixa atual e da reação aos próximos eventos econômicos.