Bitcoin tem correlação de 50% com ouro, diz Grayscale

A busca por proteção voltou ao centro das atenções nos mercados financeiros. Nesse contexto, o Bitcoin enfrenta um teste importante para sua narrativa de reserva de valor. O comportamento do preço poderá mostrar se o ativo acompanha o ouro ou permanece ligado aos investimentos de maior risco.

As novas tensões entre Estados Unidos e Irã elevaram a incerteza macroeconômica. Ao mesmo tempo, o petróleo recuperou o patamar de US$ 90 por barril. O mercado também atribui uma probabilidade de 60% a uma alta de juros na próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto, o FOMC.

Com isso, investidores voltaram a direcionar recursos para instrumentos tradicionais de proteção. O movimento, porém, também amplia os obstáculos para ativos sensíveis aos juros e à disponibilidade de liquidez.

Juros dos Estados Unidos desafiam o Bitcoin

Em 1º de setembro, o rendimento dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos com vencimento em dez anos saltou para 4,79%. Esse patamar apareceu pela última vez em janeiro de 2025. Como resultado, aplicações que oferecem rendimento passaram a disputar mais capital com o Bitcoin e outros investimentos de risco.

A alta dos rendimentos reflete expectativas de juros maiores e condições financeiras mais restritivas. Por outro lado, a Barchart informou no X que o Federal Reserve deve comprar US$ 12,5 bilhões em títulos do Tesouro. Essas operações não equivalem necessariamente a um programa de afrouxamento quantitativo, mas podem acrescentar liquidez ao mercado.

Em contrapartida, os rendimentos elevados continuam limitando o apetite por risco. Portanto, o desempenho do Bitcoin dependerá do equilíbrio entre o aperto causado pelos juros e o suporte proporcionado pelas compras do Fed. Esse cenário mantém sinais conflitantes para o mercado.

A valorização de 25% do Bitcoin em agosto reforçou sua narrativa como reserva de valor. Ainda assim, o avanço mensal não confirma sozinho uma mudança estrutural em seu comportamento. A correlação destacada pela Grayscale oferece outro indicador para avaliar essa hipótese.

Correlação com ouro sobe enquanto ligação com Nasdaq cai

Segundo a análise da Grayscale, a correlação do Bitcoin com o Nasdaq caiu de 60% para 30% neste ciclo. Já a correlação com o ouro subiu para 50%. Dessa forma, o BTC mostrou menor alinhamento com ações de tecnologia e maior proximidade com um instrumento tradicional de proteção.

Esse movimento pode fortalecer a percepção de que o Bitcoin está se afastando dos ativos de risco convencionais. Contudo, correlação não significa causalidade nem garante que os dois mercados continuarão avançando na mesma direção. O indicador também pode mudar rapidamente conforme juros, liquidez e aversão ao risco.

Com isso, a relação entre Bitcoin e ouro ganha relevância para o próximo movimento do mercado. Uma correlação persistente apoiaria a narrativa de proteção. Uma reversão, por sua vez, indicaria que o comportamento recente teve caráter temporário.

Relação entre Bitcoin e ouro exige cautela

O indicador identificado como XAU/BTC avançou mais de 1,2% no mês. Além disso, aproximou-se de um suporte relevante após dois meses consecutivos de queda. A análise associa esse movimento a uma preferência crescente pelo Bitcoin em relação ao ouro.

No entanto, a leitura depende da convenção adotada no gráfico. Quando XAU/BTC representa o valor do ouro medido em Bitcoin, uma alta normalmente indica melhor desempenho do ouro. Por isso, investidores precisam observar a identificação do par antes de interpretar sua direção.

Sob a leitura apresentada, a aproximação do suporte e a correlação crescente sustentam uma perspectiva favorável ao Bitcoin. Enquanto isso, o retorno da incerteza macroeconômica direciona capital para títulos do Tesouro e outros instrumentos defensivos. A eventual liquidez oferecida pelo Fed pode reduzir parte da pressão provocada pelos juros elevados.

Na prática, o Bitcoin apresenta mais características de proteção do que no período em que acompanhava de perto o Nasdaq. Apesar disso, o ambiente permanece desafiador por causa do petróleo, das tensões geopolíticas e da expectativa de alta dos juros. A resiliência do BTC dependerá da continuidade de sua ligação com o ouro e do afastamento em relação às ações de tecnologia.

Em síntese, a correlação de 50% com o ouro reforça a tese de reserva de valor, mas não elimina os riscos macroeconômicos. O próximo teste será a reação do Bitcoin caso investidores intensifiquem a redução de risco. O desempenho relativo ao ouro ajudará a mostrar se essa mudança de comportamento ganhou consistência.