DOJ apreende US$ 560 mil em criptomoedas ligadas ao Hamas

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) anunciou, em 1º de setembro, a apreensão de mais de US$ 560 mil em criptomoedas supostamente destinadas ao Hamas. Além disso, o FBI assumiu o controle de diversos domínios e servidores associados às atividades online do grupo.

Segundo as autoridades, as plataformas apoiavam ações de arrecadação de recursos e recrutamento. O governo dos Estados Unidos classifica o Hamas como uma organização terrorista estrangeira. Contudo, o anúncio descreve alegações apresentadas em documentos judiciais, e não uma condenação criminal.

Investigação federal rastreou as transferências

Os investigadores obtiveram autorização para as apreensões por meio de três mandados judiciais. Os documentos têm datas de 25 de março de 2025, 25 de junho de 2025 e 10 de outubro de 2025.

Fontes humanas ajudaram a identificar um sistema usado para captar doações. Nesse contexto, o grupo divulgava endereços rotativos de criptomoedas em uma conversa criptografada e em um site. Dessa forma, cada doador recebia instruções para enviar os recursos.

Inicialmente, a investigação recuperou cerca de US$ 201,4 mil de carteiras e contas mantidas em exchanges. As autoridades associaram essas contas a uma rede que movimentou mais de US$ 1,5 milhão desde outubro de 2024. Depois, novos mandados elevaram o total apreendido para mais de US$ 560 mil.

O DOJ não detalhou quanto cada mandado acrescentou ao montante final. Ainda assim, os documentos mostram que os investigadores acompanharam os recursos por diferentes carteiras e plataformas antes das apreensões.

FBI assumiu domínios e servidores em 2026

O FBI ampliou a operação contra a infraestrutura online em julho e agosto de 2026. Entre os domínios controlados pelos agentes está o Alqassam.ps, descrito como o principal site das Brigadas Al Qassam. Em seguida, os investigadores interromperam o acesso público às plataformas.

Ao mesmo tempo, os agentes passaram a coletar informações enviadas aos sistemas apreendidos. O DOJ afirmou que a operação permitiu interceptar outras doações em criptomoedas supostamente destinadas ao Hamas. Também reuniu dados sobre milhares de pessoas que entraram em contato com as plataformas.

Entretanto, o governo não informou quantos contatos resultaram em pagamentos. As autoridades também não revelaram se algum doador enfrenta acusações. Portanto, o alcance criminal das informações coletadas ainda não está definido.

O escritório do FBI em Albuquerque liderou a operação. Para conduzir o trabalho, a unidade colaborou com as divisões de Contraterrorismo e Cibernética. O escritório do FBI em Nova York também participou da ação.

Blockchain e fontes humanas apoiaram o rastreamento

Endereços de criptomoedas podem mudar com frequência, mas as transferências em blockchains públicas deixam registros permanentes. Assim, os investigadores conseguem relacionar movimentações a contas em exchanges quando obtêm evidências adicionais. As fontes humanas, por sua vez, ajudaram a contextualizar os dados.

A análise da primeira apreensão indicou que as autoridades seguiram transferências por exchanges e carteiras. Embora os endereços rotativos dificultem o acompanhamento, eles não apagam o histórico das transações. Por consequência, os recursos podem se tornar rastreáveis quando os usuários interagem com plataformas reguladas.

Essas empresas costumam coletar dados de identificação dos clientes. Quando os investigadores obtêm autorização judicial, podem comparar esses registros com as movimentações públicas. Com isso, endereços sem identificação aparente podem ser associados a contas e usuários específicos.

Em outro caso, emissores de stablecoins congelaram recursos vinculados a redes suspeitas de atividades ilícitas. A Tether já ajudou autoridades dos Estados Unidos a congelar US$ 1,6 milhão associado a uma suposta rede de financiamento ao terrorismo. Esse tipo de bloqueio depende da estrutura técnica e das regras de cada emissor.

Perdimento definitivo ainda depende de decisão

Uma apreensão autorizada pela Justiça permite que as autoridades mantenham os recursos durante a investigação. Já o perdimento definitivo constitui uma etapa legal separada. Nessa fase, a Justiça determina se o governo ficará permanentemente com os valores.

Até agora, o DOJ não anunciou uma decisão de perdimento que abranja todos os US$ 560 mil. Enquanto isso, a investigação continua em andamento. Os dados obtidos nos domínios e servidores poderão levar a novas apurações, sanções ou processos criminais.

As autoridades não divulgaram um prazo para os próximos passos legais. Além disso, parte das evidências relacionadas ao caso poderá permanecer sob sigilo para proteger os métodos de investigação. O governo também não anunciou novas acusações ligadas aos contatos identificados.