BitMart: Echo Base reúne credores após oferta de US$ 10 mi

A Echo Base formou, em 2 de setembro, um comitê ad hoc de credores da BitMart. O grupo reúne clientes com recursos congelados após a corretora anunciar o encerramento ordenado das operações.

Em comunicado, a empresa afirmou que o comitê representa um saldo agregado “significativo e crescente” de recursos bloqueados. Porém, a Echo Base não informou quantos credores participam do grupo nem o valor total das reivindicações.

Comitê amplia pressão sobre a BitMart

A empresa especializada em situações especiais informou que o grupo contratou os escritórios Young Conaway Stargatt & Taylor e Ashbury Legal. Com isso, o comitê passou a avaliar alternativas de reestruturação, medidas regulatórias e recursos relacionados à insolvência.

A Echo Base também disse que enviou uma proposta por escrito à administração da BitMart em 6 de agosto. A oferta previa até US$ 10 milhões para financiar um pedido de falência pré-negociado.

Oferta cobriria despesas da reestruturação

Conforme o comunicado, os recursos cobririam despesas profissionais e administrativas até a confirmação de um plano de reestruturação. Entretanto, a companhia afirmou que a BitMart não respondeu à proposta.

As comunicações entre as empresas não passaram por verificação independente. Ainda assim, a Echo Base declarou que a oferta permanece aberta desde 6 de agosto.

A empresa também relatou uma disputa envolvendo uma de suas afiliadas. De acordo com o comunicado, a afiliada solicitou um saque em 24 de julho. O pedido ocorreu cerca de 31 horas antes do anúncio de fechamento da BitMart.

Depois disso, a afiliada teria feito 15 tentativas de contato com a corretora. Em 8 de agosto, enviou uma notificação formal. Contudo, a BitMart não processou o saque nem apresentou uma justificativa contratual ou legal, segundo a Echo Base.

A BitMart não comentou publicamente essa conta específica. Por sua vez, a corretora anunciou o encerramento ordenado em 26 de julho.

Corretora avalia alternativa ao fechamento total

Antes do anúncio, a plataforma suspendeu novos cadastros, depósitos e abertura de ordens. Em seguida, encerrou os serviços de negociação em 26 de agosto.

Inicialmente, a corretora planejava encerrar as operações da plataforma em 31 de janeiro de 2027. Os saques permaneceriam disponíveis. Mesmo assim, a BitMart alertou que análises de conformidade e a alta demanda poderiam atrasar o processamento.

Após o anúncio do fechamento, o BMX caiu mais de 60% em 24 horas. Na ocasião, a BitMart atribuiu a decisão às condições operacionais, ao ambiente de mercado e à estratégia futura da empresa.

Apesar disso, a companhia mudou de posição em 21 de agosto. Em uma atualização oficial, informou que desenvolve um possível plano de reestruturação como alternativa ao encerramento completo.

Plano pode incluir retomada e pagamentos

Segundo a corretora, o plano pode incluir a retomada gradual das atividades e distribuições aos credores. Além do novo roteiro, a BitMart nomeou a White & Case como assessora de reestruturação.

A empresa prometeu divulgar outra atualização até 9 de setembro de 2026. Portanto, o comunicado poderá esclarecer se a companhia buscará uma reabertura parcial ou manterá o cronograma de fechamento. O documento também poderá apresentar informações sobre pagamentos aos credores.

Credores analisam processo de insolvência

A Echo Base afirmou que o comitê avalia se credores qualificados poderiam iniciar ou aderir a um processo involuntário de insolvência. Até agora, porém, o grupo não tomou uma decisão.

Nos Estados Unidos, um pedido involuntário de falência precisa cumprir requisitos legais. Entre eles estão a elegibilidade dos credores, os valores das reivindicações e a situação das dívidas contestadas. Nesse caso, um tribunal decidiria se o pedido poderia avançar.

O comitê se organizou de forma independente. Assim, ele não equivale a um comitê legal de credores constituído dentro de um processo de falência existente.

A Echo Base também sustenta que o acordo de usuário da BitMart não transfere à corretora a propriedade dos recursos depositados. Essa interpretação representa a posição jurídica do comitê, e não uma decisão judicial.

Na prática, o tratamento das criptomoedas dos clientes dependeria dos contratos, das entidades envolvidas e das jurisdições aplicáveis. Um eventual processo judicial também poderia influenciar o resultado. Dessa forma, a situação dos saques congelados pode variar entre os titulares.

“A BitMart ainda tem tempo para conduzir um encerramento ordenado. O que ela não tem é alguém disposto a colocar capital por trás dele. Fora do tribunal, não há suspensão automática. Portanto, um único requerente pode paralisar o processo para todos. Qualquer titular que a empresa não consiga contatar mantém sua reivindicação indefinidamente. Isso não é um encerramento, mas uma responsabilidade em aberto com uma fila vinculada.”

Roshan Dharia, diretor-executivo da Echo Base, acrescentou que a empresa ofereceu “capital em risco” para apoiar um processo supervisionado por tribunal. Enquanto isso, a Echo Base permanece disposta a negociar com a BitMart e seus assessores.

Até que surja um acordo ou pedido judicial, o comitê continuará avaliando suas opções de recuperação. A evolução do caso da BitMart dependerá do roteiro previsto para 9 de setembro. Eventuais medidas tomadas pelos credores também poderão definir os próximos passos.