TrueUSD: Matthew William Brittain deve revelar custeio
Um tribunal de Dubai determinou que Matthew William Brittain explique a origem dos recursos usados em despesas jurídicas e de consultoria. A ordem integra uma disputa sobre US$ 456 milhões ligados às reservas da TrueUSD, identificada pela sigla TUSD. Com isso, Brittain deverá apresentar as informações até 7 de setembro de 2026.
Tribunal exige detalhes sobre reservas da TUSD
Os Tribunais do Centro Financeiro Internacional de Dubai fixaram o prazo em uma ordem de 1º de setembro. Caso Brittain descumpra a exigência, a Techteryx poderá pedir sanções. No entanto, o tribunal somente avaliará uma eventual penalidade após receber um novo pedido judicial. Portanto, a ordem não estabelece uma punição automática.
A Techteryx busca as informações no processo contra a Aria Commodities DMCC. Antes disso, a empresa obteve uma liminar proprietária e uma ordem global de congelamento de ativos contra a Aria Commodities. Essas medidas alcançam US$ 456 milhões transferidos pela Legacy Trust e pela First Digital Trust. Elas também cobrem valores derivados desses recursos que possam ser rastreados.
O tribunal identificou anteriormente o dinheiro como parte das reservas que respaldavam a TrueUSD. Nesse contexto, a medida cautelar apoia um litígio em Hong Kong sobre o destino dos valores. Contudo, a decisão provisória não define quem possui a propriedade final dos recursos.
Declaração deve identificar fontes e beneficiários
Brittain deverá prestar juramento e entregar uma declaração juramentada até as 16h no horário padrão do Golfo. Para cumprir a ordem, ele terá de agir da melhor forma possível, conforme determinou o tribunal. Ainda, a declaração deverá detalhar pagamentos destinados a Quinn Emanuel, Horizons, Gall, Campbells e FTI Consulting.
Para cada pagamento, Brittain deverá informar valores, datas e contas bancárias utilizadas. Da mesma maneira, ele precisará identificar as fontes originais e os beneficiários finais dos recursos. Dessa forma, deverá explicar como as contas receberam financiamento. A ordem também exige documentos que sustentem as informações apresentadas.
Em paralelo, o tribunal pediu esclarecimentos sobre US$ 1.083.912,49 pagos pela Aria Bio Industries FZE em 31 de outubro de 2025. A empresa, que também responde no caso, destinou o valor aos custos jurídicos da Aria Commodities. Assim, Brittain deverá fornecer os mesmos detalhes sobre a origem desse pagamento.
Já a parte final da ordem alcança despesas posteriores com aconselhamento ou representação jurídica. Esses custos incluem valores incorridos desde um pedido de medidas corretivas apresentado em 13 de maio. Desse modo, a exigência abrange pagamentos concluídos e gastos jurídicos mais recentes.

Audiência sobre desacato ocorrerá em outubro
O tribunal também transferiu a audiência sobre prisão por desacato para 26 de outubro de 2026. A sessão deve durar cerca de quatro dias e representa o terceiro adiamento do processo. Por sua vez, a audiência ocorrerá presencialmente nos Tribunais do DIFC. Entretanto, o principal advogado da Techteryx poderá participar remotamente.
Ao fundamentar a decisão, o juiz Michael Black afirmou que outro adiamento exigiria as circunstâncias mais extremas e provas robustas. Ainda assim, o prazo de divulgação de 7 de setembro não depende da audiência de outubro. Essa sessão tratará separadamente do pedido pendente de prisão por desacato.
O processo em Dubai também não se confunde com a ação principal em Hong Kong. Naquele caso, a Techteryx alega que as transferências integraram uma fraude. A empresa também sustenta que a Aria mantém os recursos, ou seus rendimentos, sob um trust construtivo. Porém, as partes continuam contestando essas alegações.
Nesta fase provisória, o tribunal do DIFC manteve sem solução questões centrais sobre o mérito e a propriedade dos valores. Entre elas, está a possibilidade de a Techteryx possuir um interesse proprietário nas reservas. Portanto, a ordem atual impõe a divulgação financeira, mas não resolve a titularidade final dos US$ 456 milhões.