Rupia avança com reservas da Índia em US$ 740,8 bi

As reservas cambiais da Índia atingiram US$ 740,803 bilhões em 28 de agosto. O montante cresceu cerca de US$ 11,5 bilhões em apenas uma semana. Com isso, o banco central ampliou os recursos disponíveis para atuar no câmbio. A expansão ocorreu após medidas criadas em junho para atrair dólares do exterior.

Na semana, a rupia avançou 0,3% diante do dólar. A cotação encerrou o período em 95,3775 rupias por dólar. Assim, a Índia reforçou uma das maiores reservas cambiais do mundo. O movimento também elevou a capacidade do país de conter oscilações da moeda.

Entrada de dólares amplia suporte à rupia

Em junho, o Banco da Reserva da Índia, conhecido como RBI, criou facilidades de hedge com desconto. A primeira medida atendeu empresas e bancos estatais interessados em captar dívida externa. Também foram oferecidas condições mais favoráveis para proteger essas operações contra oscilações cambiais. Já a segunda iniciativa abriu uma janela de cobertura sem custo para depósitos em moeda estrangeira captados no exterior.

Entre 5 de junho e 31 de agosto, os programas levaram mais de US$ 136 bilhões ao RBI. Desse total, cerca de US$ 127 bilhões vieram de depósitos de indianos não residentes. A diáspora indiana sustenta uma parcela relevante da poupança externa do país. Por isso, esses depósitos se tornaram o principal motor da recente expansão das reservas.

Nesse cenário, a estrutura de cobertura montada pelo RBI criou incentivos para a entrada dos recursos. Segundo uma nota do HSBC, o fluxo deixou o banco central com reservas à vista robustas. Dessa forma, a instituição ganhou mais capacidade para estabilizar ou fortalecer a rupia. Na prática, os recursos ampliaram a margem de intervenção no mercado cambial.

Reservas reduzem pressão especulativa

Ao mesmo tempo, o aumento das reservas vai além da defesa imediata da moeda. O volume disponível abre espaço para o banco central influenciar a cotação. No Forex, os participantes consideram o tamanho e a composição desse colchão financeiro. Portanto, reservas maiores podem reduzir o prêmio de risco associado à rupia.

Enquanto isso, a capacidade adicional torna mais cara uma aposta especulativa contra a moeda indiana. Com um colchão elevado, o RBI pode intervir sem comprometer sua capacidade de pagamentos externos. A composição das reservas, contudo, também influencia o poder efetivo de atuação. Por esse motivo, analistas acompanham os recursos líquidos disponíveis para operações diretas.

De acordo com os dados semanais, os ativos em moeda estrangeira lideraram a expansão. Esse componente alcançou US$ 600,670 bilhões, ante US$ 591,333 bilhões na semana anterior. Na comparação semanal, o aumento foi de US$ 9,337 bilhões. Esse avanço respondeu pela maior parcela do crescimento total das reservas.

Ouro e ativos estrangeiros lideram crescimento

Além disso, as reservas em ouro aumentaram cerca de US$ 2,2 bilhões. O total mantido no metal chegou a US$ 116,409 bilhões. No período, ouro e ativos em moeda estrangeira explicaram quase toda a expansão observada. Juntos, os dois componentes reforçaram a capacidade financeira do banco central.

Contudo, nem toda variação nos ativos em moeda estrangeira representa entrada de capital. Como esses recursos são calculados em dólares, o saldo também reflete oscilações de outras moedas. Por consequência, valorizações ou desvalorizações cambiais podem alterar o montante informado. Logo, parte da alta semanal pode decorrer apenas de ajustes de avaliação.

Já os direitos especiais de saque somaram US$ 18,810 bilhões. A posição de reserva junto ao Fundo Monetário Internacional alcançou US$ 4,914 bilhões. Enquanto essas duas rubricas registraram pouca variação, os depósitos externos continuaram sustentando o crescimento. Com isso, a rupia recebeu suporte adicional diante do dólar.