Ethereum: prova de privacidade supera limite de gas

Uma proposta apresentada em 5 de setembro para o Ethereum permitiria que alguns nós aceitassem transações de privacidade acima de um limite compartilhado de validação. No entanto, a mudança não garantiria que essas operações circulassem pela rede pública. O teto garantido de 100 mil gas permanece abaixo do custo indicado por um novo benchmark de privacidade. Por isso, a propagação ampla continua no centro do debate técnico.

AnkushinDaniil apresentou uma alteração para a EIP-8141 que transforma o máximo atual de validação em um piso comum. Nesse desenho, os nós precisariam propagar transações qualificadas dentro desse limite. Participantes com maior capacidade poderiam aceitar localmente operações mais caras. Enquanto isso, os demais nós manteriam o orçamento mínimo compartilhado.

A proposta continua em análise e não altera as regras vigentes da rede. Portanto, projetos como Tornado Cash e RAILGUN ainda precisam obter aceitação e propagação pública para transações com provas de privacidade. Nesse caso, o processamento local de uma operação não garante sua distribuição pelo mempool público.

Limite de validação cria desafio técnico

O rascunho atual da EIP-8141 limita a 100 mil gas as verificações de assinatura e a execução inicial da validação. Nesse contexto, gas mede o trabalho computacional, e não uma tarifa fixa em dólares. O limite busca controlar a carga dos nós. Ao mesmo tempo, ele reduz a exposição da rede a ataques de negação de serviço.

Entretanto, mmjahanara publicou em 2 de setembro um benchmark sobre aplicações de privacidade. O cálculo apontou 190.628 gas para um verificador otimizado de prova Groth16. A verificação criptográfica de emparelhamento, sozinha, consome 181 mil gas. Dessa forma, esse componente já ultrapassa a margem pública proposta.

Os projetos precisam de provas que os nós aceitem e retransmitam para substituir relayers fora da cadeia pelo envio público. Isoladamente, a capacidade de alguns participantes processarem transações pesadas não assegura suporte no restante da rede. Na prática, a aceitação local não equivale à propagação ampla pelo mempool público. Consequentemente, a diferença afeta a disponibilidade das operações privadas.

Benchmark projeta custos maiores

O modelo completo do benchmark aponta um mínimo de 211.828 gas para gastar uma única nota. Já o gasto de oito notas exigiria 351.828 gas. Esses valores combinam a medição do verificador com custos gerais estimados. O cálculo também adiciona 20 mil gas de execução para cada nullifier.

O nullifier funciona como um identificador que impede o gasto duplicado de uma nota. Contudo, os números refletem o modelo específico do benchmark. Eles não representam custos verificados com as propostas mais recentes funcionando em conjunto. Além disso, nenhum grupo independente reproduziu o estudo até agora.

A contabilização difere do rascunho complementar da EIP-8250. Essa proposta cobra novas chaves de nonce no orçamento de gas de estado, separado do gas de execução. Ainda assim, a diferença contábil não elimina a lacuna indicada para executar o verificador. Em contrapartida, ela pode alterar a distribuição dos custos entre os orçamentos.

O autor do benchmark recomenda pelo menos 250 mil gas para transações otimizadas típicas. Porém, a proposta ainda não incorporou essa recomendação. O valor também continuaria abaixo dos 351.828 gas calculados para oito notas. Por outro lado, o modelo pressupõe verificadores otimizados, provas compactadas e tarefas transferidas para frames posteriores.

Propagação pública continua como obstáculo

A opção de compressão com SHA-256 aumenta o trabalho necessário para gerar provas nos dispositivos dos usuários. Mesmo assim, uma margem maior resolveria apenas um dos obstáculos enfrentados pelas aplicações de privacidade. A EIP-8250 ainda mantém uma transação pendente no mempool público por remetente. Desse modo, a restrição afeta especialmente projetos que compartilham um endereço.

A propagação pública também difere da validade de uma transação incluída em bloco. Ao mesmo tempo, a EIP-8141 permite operações fora das regras públicas em mempools locais ou privados. Essa flexibilidade ajuda nós com maior capacidade, mas não cria uma garantia coletiva. Na prática, a transação pode ser válida sem alcançar participantes suficientes.

Separadamente, a proposta informativa EIP-8369 descreve regras futuras para impor a inclusão de transações. O texto abrange envios personalizados ou diretos e exige uma extensão vinculante do protocolo. Portanto, o desafio envolve acomodar provas de privacidade sem ampliar excessivamente o trabalho dos nós do Ethereum. A proposta oferece flexibilidade, mas o limite de gas permanece crítico para garantir a propagação pública.