HUMO inicia piloto de pagamentos no Uzbequistão
O Uzbequistão iniciou um piloto de pagamentos com a stablecoin HUMO, vinculada ao som uzbeque. A Agência Nacional de Projetos Prospectivos (NAPP) e o Banco Central conduzem os testes em um regime regulatório especial. As autoridades divulgaram a iniciativa em 7 de setembro de 2026. Ainda assim, o projeto não representa um lançamento nacional.
A HUMO usa o som como referência e prevê títulos públicos do Uzbequistão como garantia. Dessa forma, o projeto pretende testar pagamentos controlados por bens, obras e serviços. No entanto, as autoridades ainda não apresentaram dados sobre uso efetivo ou volume de transações.
Piloto da HUMO opera sob supervisão regulatória
A HUMO é uma stablecoin criada para um piloto supervisionado pela NAPP e pelo Banco Central. Conforme o anúncio do projeto, a iniciativa funciona sob um regime jurídico especial. Por isso, o teste não equivale à introdução de uma forma de pagamento de uso geral.
A empresa HUMO Digital LLC, e não o Banco Central, emite o ativo. Já o registro de stablecoins da NAPP identifica a companhia pelo número fiscal 312161506. Essa separação jurídica diferencia a HUMO de uma moeda digital emitida pelo Estado ou pelo banco central.
A HUMO Digital ingressou no regime especial em 2 de setembro de 2026, após receber a aprovação do Banco Central. Cinco dias depois, as autoridades apresentaram publicamente o piloto de pagamentos. Com isso, o projeto aplica pela primeira vez a estrutura regulatória local a um token doméstico voltado a pagamentos.
Títulos públicos não representam garantia estatal
O whitepaper da HUMO, versão 1.0, tem data de 22 de julho de 2026. O documento prevê cobertura integral por títulos públicos uzbeques. Nesse modelo, o Depósito Central de Valores Mobiliários registra os papéis, enquanto o Banco Central os mantém bloqueados. Contudo, o whitepaper não apresenta uma auditoria independente das reservas atuais.
1 HUMO = 1 UZS
A HUMO Digital mantém a obrigação de resgatar os tokens. Por outro lado, os detentores exercem o direito de resgate diretamente contra a empresa. Até agora, não existe atestado independente sobre reservas, garantias, oferta circulante ou valores atualizados. Assim, não é possível classificar a cobertura como auditada.
O documento informa que a posse de HUMO não gera juros nem pagamentos periódicos. Além disso, o preço no mercado secundário pode se afastar temporariamente da paridade nominal. Desse modo, os títulos usados como garantia não transformam o token em um investimento com rendimento.
Infraestrutura tecnológica e empresas participantes
A Asterium JSC participa do projeto e desenvolveu a infraestrutura tecnológica da HUMO. A empresa possui licenças para atuar como depositária de criptoativos, exchange de criptomoedas e loja de criptoativos. Por sua vez, o whitepaper identifica a Mirasmanda como a blockchain utilizada pelo projeto.
A Mirasmanda possui compatibilidade com a Máquina Virtual Ethereum (EVM). Nesse sentido, a rede deve processar a emissão, o registro, a circulação e o resgate da HUMO. O projeto também sucede iniciativas de capacitação de autoridades uzbeques para investigações envolvendo criptomoedas. Portanto, a infraestrutura surge em um ambiente de maior atenção à conformidade regulatória.
O whitepaper cita a Resolução Presidencial PQ-359, de 27 de novembro de 2025. Também menciona o regulamento número 3818, registrado em 15 de abril de 2026, que disciplina o regime especial. Entretanto, esta matéria não consultou diretamente os textos integrais dessas normas. A abrangência exata e possíveis alterações permanecem sem confirmação.
Piloto ainda não apresenta dados de uso
O anúncio afirma que mais de 20 empresas estão prontas para participar como comerciantes. Além disso, o período planejado para implementação pode chegar a três anos. Esses números indicam preparação e duração potencial, mas não comprovam pagamentos concluídos.
As autoridades não divulgaram a lista de participantes nem as regras de elegibilidade dos consumidores. Da mesma forma, não informaram a cobertura geográfica ou os canais de acesso à HUMO. Por enquanto, ainda não está claro onde e por quem o token poderá ser utilizado.
Taxas, limites de transação e regras de liquidação também permanecem indefinidos. Até o momento, não há dados sobre transações concluídas, valores liquidados ou utilização em tempo real. Consequentemente, o piloto ainda não comprova velocidade, custo, alcance internacional ou adoção.
Debate regulatório ocorreu antes do anúncio
O Fórum de Finanças e Tecnologia da Rota da Seda ocorreu em 25 de agosto de 2026, em Tashkent. Na ocasião, Pavel Khristolyubov defendeu testes em ambientes regulatórios controlados. O diretor operacional da Wallet in Telegram sugeriu que reguladores coletem dados antes de impor regras rígidas.
Segundo o relato do fórum, Khristolyubov também manifestou expectativa sobre o uso de stablecoins em pagamentos de última milha. Essas declarações antecederam o anúncio da HUMO. Portanto, elas não representaram uma reação ao projeto.
Agora, os próximos sinais relevantes dependem da publicação de documentos e dados verificáveis. Informações sobre reservas, garantias e oferta circulante poderão esclarecer o nível de cobertura da HUMO. Ao mesmo tempo, resultados documentados mostrarão se a preparação dos comerciantes se converteu em uso real.
A possível expansão para além do ambiente supervisionado continua sem definição. Enquanto isso, o prazo de até três anos funciona como limite para os testes. Esse período não representa um compromisso de lançamento amplo da HUMO no Uzbequistão.