Nikola Tesla rompeu contrato e abriu mão de fortuna
Nikola Tesla alcançou seu maior triunfo técnico ao lado de George Westinghouse. Porém, a decisão que consolidou a corrente alternada também comprometeu sua segurança financeira. O inventor aceitou encerrar a cláusula de royalties vinculada às suas patentes. Com isso, abriu mão de uma receita que poderia preservar sua fortuna.
A disputa que definiu o futuro da eletricidade
O acordo com George Westinghouse intensificou uma disputa industrial decisiva para o setor elétrico. De um lado, Thomas Edison defendia a corrente contínua, que já abastecia áreas urbanas. Do outro, Westinghouse adotava o sistema polifásico de corrente alternada desenvolvido por Tesla. Essa tecnologia permitia transmitir eletricidade por distâncias maiores com mais eficiência.
Edison participou de uma campanha para apresentar a corrente alternada como extremamente perigosa. Na época, demonstrações públicas recorreram à eletrocussão de animais para assustar a população. Assim, os adversários do sistema tentaram deslocar o debate técnico para o campo do medo. Ainda assim, os resultados práticos da corrente alternada acabaram prevalecendo.
Em 1893, o sistema de Tesla e Westinghouse iluminou a Exposição Universal de Chicago diante de milhões de visitantes. No mesmo ano, o grupo conquistou o contrato relacionado à usina hidrelétrica das Cataratas do Niágara. Posteriormente, a instalação transmitiu energia até Buffalo, localizada a dezenas de quilômetros. Dessa maneira, a corrente alternada venceu a disputa e passou a sustentar a expansão elétrica do século XX.
Royalties garantiram prosperidade a Nikola Tesla
O retrato de um inventor permanentemente pobre ignora o período de prosperidade vivido por Tesla. Seu contrato previa royalties de US$ 2,50 por cavalo-vapor de capacidade elétrica comercializada com suas patentes. Além disso, o acordo incluía uma remuneração inicial e outros pagamentos. À medida que a corrente alternada se expandia, o valor potencial da cláusula crescia de forma significativa.
Por volta de 1890, aos 34 anos, Tesla já ocupava uma posição financeira privilegiada. A narrativa histórica mais difundida descreve o inventor como milionário nesse período. Naquele momento, ele recebia pelo uso comercial da tecnologia que havia criado. Contudo, a continuidade dessa prosperidade dependia diretamente dos royalties.
Crise financeira levou ao fim do acordo
A Guerra das Correntes pressionou as finanças da Westinghouse, que acumulava custos e dívidas. Diante da crise, a empresa pediu que Tesla suspendesse ou reduzisse os pagamentos previstos. A cláusula de US$ 2,50 por cavalo-vapor havia se tornado onerosa diante da expansão do sistema. Então, o inventor aceitou encerrar o acordo de royalties.
Tesla renunciou aos pagamentos futuros para aliviar a situação financeira da companhia. Segundo a narrativa do episódio, ele agiu por gratidão a Westinghouse, que havia apoiado suas ideias. Dessa forma, também favoreceu a continuidade comercial do sistema de corrente alternada. No entanto, abandonou a principal fonte de renda associada às suas invenções.
A história costuma afirmar que Tesla desistiu de se tornar o primeiro bilionário do mundo. Apesar disso, essa projeção depende de cálculos retrospectivos que não podem ser confirmados com precisão. Não há como determinar quanto a cláusula renderia durante as décadas seguintes. O ponto central permanece: o inventor abriu mão de uma receita potencialmente considerável.
Depois do encerramento do acordo, Tesla passou a depender de novos investidores para financiar seus projetos. Sem uma receita recorrente, ele ficou mais exposto aos riscos econômicos de cada iniciativa. Por consequência, sua lealdade a Westinghouse prevaleceu sobre a própria segurança financeira. A escolha ajudou a preservar seu sistema elétrico, mas contribuiu para as dificuldades enfrentadas posteriormente.