Bitcoin: BitFuFu amplia produção, mas tesouro cresce pouco

A BitFuFu, mineradora de Bitcoin e provedora de mineração em nuvem, elevou sua produção em 55,4% durante agosto. A empresa produziu 174 BTC no período, ante 112 BTC em julho. Contudo, a maior parte do aumento veio das operações de clientes e não reforçou diretamente o tesouro corporativo.

Conforme a atualização operacional não auditada de 3 de setembro, clientes de mineração em nuvem responderam por cerca de três quartos da produção adicional. Enquanto isso, as reservas da companhia cresceram 59 BTC no mês. Os números mostram que o avanço operacional não chegou integralmente ao saldo da empresa.

Produção de clientes fica fora das reservas

A produção da mineração em nuvem subiu de 40 BTC para 86 BTC em agosto. Portanto, essa modalidade respondeu por 46 dos 62 BTC adicionados à produção mensal. Já a mineração própria avançou de 72 BTC para 88 BTC, um acréscimo de 16 BTC.

Essa distinção interessa aos acionistas que avaliam o uso de Bitcoin para financiar capacidade futura. A companhia define a produção em nuvem como o Bitcoin obtido por clientes que compraram hashrate. Assim, os BTC produzidos por esses clientes ficam fora das reservas corporativas.

A atividade dos clientes sustenta uma linha de receita que a BitFuFu reporta separadamente. No entanto, essa produção não funciona como reposição do tesouro da mineradora. Dessa forma, somente os 88 BTC da mineração própria representam a produção direta da companhia.

Reservas recuperam parte das perdas

A BitFuFu encerrou agosto com 1.373 BTC, acima dos 1.314 BTC registrados em julho. Os dois saldos incluem 44 BTC dados em garantia para empréstimos e contas relacionadas à aquisição de máquinas. Ainda assim, o avanço de 59 BTC representa uma mudança líquida de saldo, diferente dos 88 BTC minerados diretamente.

Apesar da recuperação mensal, o tesouro permanece 298 BTC abaixo dos 1.671 BTC registrados em junho. Em julho, as reservas sofreram uma queda líquida de 357 BTC. A empresa atribuiu o recuo principalmente a pagamentos antecipados por capacidade de hashrate.

Capacidade contratada entra em operação

Segundo a divulgação de julho, a capacidade contratada começaria a operar em agosto durante 330 dias. Entretanto, o documento não informa o preço exato dos contratos. Também não comprova que a empresa vendeu Bitcoin no mercado aberto.

A expansão já aparece nos indicadores operacionais da BitFuFu. O hashrate administrado, medida do poder computacional destinado à mineração, alcançou 20,6 EH/s em 31 de agosto. Um mês antes, o indicador estava em 14,2 EH/s.

A BitFuFu informou que a capacidade assegurada em junho e julho entrou em operação. Além disso, o CEO Leo Lu havia indicado, em 17 de agosto, que o hashrate administrado retornara a aproximadamente 20 EH/s. A atualização de setembro reuniu os resultados completos de produção, capacidade e reservas.

Retorno financeiro permanece sem estimativa

Os acionistas passaram a contar com uma plataforma operacional maior, produção própria mais elevada e recuperação parcial das reservas. Por outro lado, a atualização de agosto não apresentou dados adicionais sobre lucro ou prazo de retorno da capacidade financiada com Bitcoin. Logo, os números mensais ainda não permitem medir a rentabilidade dos contratos.

As próximas atualizações operacionais poderão mostrar se a recuperação das reservas continuará. Ainda assim, os acionistas precisarão avaliar se a operação ampliada gerará ganhos que justifiquem o Bitcoin comprometido. Nesse contexto, a análise dependerá da economia dos contratos e de resultados financeiros que vão além da produção mensal.